RETÓRICA DAS EMOÇÕES: A PATEMIZAÇÃO NA DENÚNCIA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER EM À FLOR DA PELE

Publicado em 27/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2302-3

Título do Trabalho
RETÓRICA DAS EMOÇÕES: A PATEMIZAÇÃO NA DENÚNCIA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER EM À FLOR DA PELE
Autores
  • Rita Santos
  • Geordan Neves de Oliveira
  • Claudia Barbieri
Modalidade
Resumo
Área temática
Linguística, Letras e Artes - Letras
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1324351-retorica-das-emocoes--a-patemizacao-na-denuncia-da-violencia-contra-a-mulher-em-a-flor-da-pele
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
À flor da pele; Retórica de pathos; Consuelo de Castro; Violência de gênero; Teatro feminino.
Resumo
A violência contra a mulher constitui uma das expressões mais persistentes da desigualdade de gênero no Brasil, representando um fenômeno estrutural historicamente naturalizado e silenciado, inclusive no espaço artístico. No entanto, no século XX, dramaturgas insurgentes romperam esse silenciamento ao problematizar, no palco, as opressões que marcam a experiência feminina em uma sociedade patriarcal. Nesse contexto, a peça À flor da pele (1969), de Consuelo de Castro, emerge como um texto dramatúrgico emblemático, não apenas por expor a violência de gênero em suas dimensões psicológicas, simbólicas e físicas, mas também por transformar essa experiência em discurso de resistência política em meio ao regime militar. A pesquisa proposta tem como objetivo analisar a construção da patemização, entendida como ativação de dispositivos afetivos que estabelecem vínculos entre obra e público, a partir do uso da retórica de pathos, destacada por Aristóteles como pilar da persuasão. Busca-se compreender como o texto dramatúrgico mobiliza afetos, emoções e símbolos para denunciar a violência contra a mulher e, simultaneamente, questionar sistemas opressivos mais amplos. A justificativa do estudo reside na relevância de se recuperar obras que, ainda no século passado, colocaram em cena tensões femininas que continuam atuais, evidenciando o papel do teatro como espaço de memória, denúncia e transformação social. A pesquisa é fundamentada na análise retórica do discurso, mobilizando as noções de pathos em diálogo com os estudos de Charaudeau, Lima e Nascimento. O corpus da pesquisa é constituído por trechos da obra teatral À flor da pele, observando o léxico, os recursos simbólicos, os arquétipos e as situações-limite que constroem sua expressividade emocional. A análise proposta investiga passagens em que a protagonista, Verônica, confronta Marcelo, professor que encarna o autoritarismo e a manipulação simbólica, e que recorre a termos como “histeria”, “matava” ou “fossa” para silenciá-la e deslegitimar sua voz. Ao mesmo tempo, a resistência de Verônica, marcada por metáforas de destruição, enclausuramento e sangue, evidencia a denúncia do sistema patriarcal e da repressão política vigente no Brasil dos anos 1960. Espera-se demonstrar que a dramaturgia de Castro transforma a dor individual em metáfora coletiva, convertendo o corpo feminino em representação do corpo social violentado pela censura e pela opressão estatal. Nesse sentido, a peça revela que as emoções não se limitam a respostas biológicas ou espontâneas, mas constituem construções sociais e culturais que, ao serem mobilizadas no texto dramatúrgico, operam como dispositivos de resistência simbólica. A pesquisa pretende contribuir para três campos principais: nos estudos de gênero, ao evidenciar como a dramaturgia feminina articula sofrimento, denúncia e resistência; na teoria literária e análise do discurso, ao explorar os mecanismos retóricos e patêmicos que estruturam a cena teatral; e nas artes cênicas e na educação, ao indicar possibilidades de utilização pedagógica da obra como instrumento de formação crítica e empática. A relevância interdisciplinar do estudo reside, portanto, em mostrar que a emoção, quando inserida na retórica dramatúrgica, não atua apenas para sensibilizar, mas convoca o espectador a assumir um posicionamento ativo diante das violências que persistem na sociedade. Como conclusão, entende-se que À flor da pele reafirma o poder do teatro enquanto locus de crítica e transformação, demonstrando que a patemização é não apenas um recurso estético, mas uma ferramenta ética e política capaz de mobilizar indignação, empatia e consciência crítica frente às opressões de gênero e aos mecanismos de repressão social, o que reforça a atualidade da peça e justifica sua análise no cenário acadêmico contemporâneo.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SANTOS, Rita; OLIVEIRA, Geordan Neves de; BARBIERI, Claudia. RETÓRICA DAS EMOÇÕES: A PATEMIZAÇÃO NA DENÚNCIA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER EM À FLOR DA PELE.. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1324351-RETORICA-DAS-EMOCOES--A-PATEMIZACAO-NA-DENUNCIA-DA-VIOLENCIA-CONTRA-A-MULHER-EM-A-FLOR-DA-PELE. Acesso em: 30/05/2026

Trabalho

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