PRODUÇÃO E QUALIDADE DO BIODIESEL DE MICROALGAS CULTIVADAS EM ÁGUAS RESIDUÁRIAS AGROINDUSTRIAIS

Publicado em 27/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2302-3

Título do Trabalho
PRODUÇÃO E QUALIDADE DO BIODIESEL DE MICROALGAS CULTIVADAS EM ÁGUAS RESIDUÁRIAS AGROINDUSTRIAIS
Autores
  • Cecília de Mello Mattos da Silva
  • Camila da Motta de Carvalho
  • Yasmim Queiroz da Silva
  • Mônica Silva dos Santos
  • Jacob Santana de Lima Neto
  • Henrique Vieira de Mendonça
Modalidade
Resumo
Área temática
Engenharias - Engenharia Ambiental
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1324024-producao-e-qualidade-do-biodiesel-de-microalgas-cultivadas-em-aguas-residuarias-agroindustriais
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
Biodiesel; Microalgas; Água residuária; Bioring; Fotobiorreator
Resumo
A indústria de laticínios no Brasil gera grandes volumes de efluentes, estimando-se que, para cada litro de leite processado, sejam produzidos de 6 a 15 litros de resíduos líquidos (Gramegna et al., 2020). Esses efluentes apresentam elevada carga de matéria orgânica, com demanda química de oxigênio (DQO) variando entre 2.500 e 6.000 mg L⁻¹, além de sólidos suspensos e lipídios que dificultam o tratamento convencional (Gonçalves et al., 2017). Situação semelhante ocorre nos efluentes da produção de bioinsumos, que concentram nutrientes e compostos bioativos com potencial toxicidade (de Souza et al., 2020). Nesse cenário, a biorremediação com microalgas se destaca por unir a remoção de poluentes à geração de biomassa com potencial energético, já que algumas espécies acumulam até 50% do peso seco em lipídios, viabilizando a produção de cerca de 12.000 L de biodiesel por hectare/ano sem consumo de água potável (Souza et al., 2023). Assim, este estudo teve como objetivo avaliar o desempenho de fotobiorreatores (FBR) com e sem mídias biológicas Bioring no tratamento de águas residuárias de laticínios (ARL) e de bioprocessos (ARBioprocesso), bem como o potencial da biomassa obtida para produção de biodiesel. O experimento foi realizado em quatro FBRs de 1,8 L confeccionados em PET, inoculados com 20% de cultura de Chlorella sp. e preenchidos com 80% de efluente. As configurações foram: R1 (ARL), R2 (ARBioprocesso), R3 (ARL + Bioring) e R4 (ARBioprocesso + Bioring). Os cultivos ocorreram em quatro bateladas de dez dias, sob iluminação contínua de 220 μmol m⁻² s⁻¹ e aeração constante, com monitoramento de pH, condutividade, crescimento microalgal, sólidos totais, lipídios e perfil de ácidos graxos. Os resultados indicaram que os Biorings aumentaram significativamente a eficiência dos cultivos: R4 apresentou a maior produtividade volumétrica (0,0591 g L⁻¹ d⁻¹), μmax de 0,55 d⁻¹ e tempo de duplicação de 1,3 dias, seguido por R3 (0,0227 g L⁻¹ d⁻¹), corroborando o papel das mídias na retenção celular e aumento da taxa fotossintética (Ding et al., 2022). Já os sistemas sem mídia tiveram desempenho inferior, com R1 (0,0176 g L⁻¹ d⁻¹) e R2 (0,0115 g L⁻¹ d⁻¹), sendo este último limitado por compostos inibitórios do efluente (Santana et al., 2025). Quanto à produção lipídica, os reatores com Biorings se destacaram: R3 e R4 apresentaram 12,21% e 15,25% de lipídios, respectivamente, em comparação a valores abaixo de 7% nos sistemas sem mídia, compatíveis com a literatura (Gramegna et al., 2020). A análise do perfil de ácidos graxos revelou diferenças cruciais para a qualidade do biodiesel: R3 apresentou composição equilibrada, com predominância de monoinsaturados (42,81%) e saturados (25,22%), resultando em número de cetano de 51,56, viscosidade de 3,84 mm² s⁻¹, ponto de entupimento de 0,88 °C e estabilidade oxidativa de 6,39 h, atendendo à ASTM e parcialmente à EN 14214. Em contrapartida, embora R4 tenha exibido maior teor lipídico, a elevada fração de poli-insaturados reduziu a estabilidade oxidativa (4,46 h), o número de cetano (37,98) e a viscosidade (1,17 mm² s⁻¹), limitando sua aplicação direta em biodiesel. Os resultados confirmam que a associação entre efluentes ricos em nutrientes e mídias biológicas favorece o crescimento e o acúmulo lipídico de microalgas, mas a qualidade do biodiesel depende do equilíbrio de ácidos graxos. Conclui-se que sistemas integrados de fotobiorreatores com mídias biológicas surgem como alternativa sustentável e eficiente para o tratamento de efluentes industriais, promovendo a mitigação de impactos ambientais e a produção de biocombustíveis renováveis. Recomenda-se que futuras pesquisas se dediquem à otimização operacional, visando aumentar ainda mais o rendimento lipídico industrial e avaliar a viabilidade econômica e ambiental do processo em escala, consolidando sua relevância na transição energética sustentável.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Cecília de Mello Mattos da et al.. PRODUÇÃO E QUALIDADE DO BIODIESEL DE MICROALGAS CULTIVADAS EM ÁGUAS RESIDUÁRIAS AGROINDUSTRIAIS.. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1324024-PRODUCAO-E-QUALIDADE-DO-BIODIESEL-DE-MICROALGAS-CULTIVADAS-EM-AGUAS-RESIDUARIAS-AGROINDUSTRIAIS. Acesso em: 30/05/2026

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