Título do Trabalho
A AVALIAÇÃO DA CONCORDÂNCIA VERBAL DE TERCEIRA PESSOA EM NOVA IGUAÇU
Autores
  • Márcio André
  • Juliana Barbosa de Segadas Vianna
Modalidade
Resumo
Área temática
Linguística, Letras e Artes - Linguística
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1323909-a-avaliacao-da-concordancia-verbal-de-terceira-pessoa-em-nova-iguacu
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
variação linguística, concordância verbal, fatores condicionadores, avaliação sociolinguística.
Resumo
A concordância verbal de terceira pessoa do plural no português brasileiro apresenta, em linhas gerais, variação entre ausência e presença da marcação morfológica de plural no verbo, como nos exemplos eles falam e eles fala. Estudos sociolinguísticos têm demonstrado que essa variação é influenciada por uma série de fatores linguísticos e sociais, sendo um fenômeno relevante para compreender a realidade sociolinguística brasileira. Dentro dessa perspectiva, esta pesquisa investiga o fenômeno da variação na concordância verbal de terceira pessoa do plural em comunidades do município de Nova Iguaçu que se diferem quanto ao grau de urbanização, com ênfase na avaliação sociolinguística das variantes e nos fatores condicionadores. Pressupõe-se que a variação linguística, no âmbito da avaliação, funcione de forma distinta a depender do grau de contato dos integrantes da comunidade de fala com a cultura letrada, o que se relacionaria, ainda, ao grau de ruralidade/urbanidade dos indivíduos. Dessa forma, por meio do teste de avaliação aplicado nesta pesquisa, pretende-se investigar como a variação na concordância verbal é avaliada em diferentes contextos linguísticos, considerando os valores culturais dos participantes. A principal motivação deste trabalho encontra-se na proposta de Lucchesi (2015) sobre uma polarização sociolinguística no Brasil, resultante de dois processos históricos de formação do Português Brasileiro iniciados ainda no período colonial: um que teria dado origem à atual norma culta e outro à norma popular. Para o autor, a variação na concordância verbal é um dos fenômenos linguísticos derivados desses processos. O contato entre línguas no período colonial teria promovido uma redução do paradigma flexional do português, marca central da norma popular, predominante em zonas mais rurais, que até hoje ainda preservam vestígios desse contato histórico. Dessa forma, tanto na produção quanto na avaliação sociolinguística, indivíduos de origem mais urbana ou rural tenderiam a apresentar comportamentos divergentes. O experimento consistiu em um teste auditivo no qual os participantes ouviram cinco sentenças sem marca de concordância verbal, variando quanto à posição do sujeito (anteposto ou posposto) e ao grau de saliência fônica do verbo (baixo, intermediário e alto). Em seguida, atribuíam notas de 1 (nada) a 6 (“muito”) a seis atributos pessoais: jovem, estudada, inteligente, endinheirada, honesta e gente boa; avaliando, dessa forma, como percebem as características do falante. Pressupôs-se que construções com sujeito posposto e baixa saliência fônica poderiam camuflar a ausência de concordância verbal, de modo que receberiam avaliações menos negativas em relação a construções com sujeito anteposto e com alto grau de saliência fônica verbal. Os testes foram aplicados em três escolas de Nova Iguaçu: duas na região central (zona mais urbana) e uma em Marapicu (zona mais rural). Com o auxílio da plataforma R, foi estimado um Modelo de Regressão Linear, considerando a variável Participante como efeito aleatório. Pela análise estatística, percebeu-se que os atributos Estudada e Inteligente foram os mais significativos, uma vez que demonstram uma relação direta entre estímulo e aspecto avaliado. De modo geral, observou-se um padrão consistente: as três primeiras sentenças (com sujeito posposto) receberam, em média, notas mais altas do que as duas últimas (com sujeito anteposto). Isso sugere que os participantes avaliaram como mais inteligentes e estudadas as pessoas que falavam com o sujeito posposto ao verbo, a despeito da falta de concordância verbal, uma vez que essa configuração tende a camuflar a ausência de concordância. No que se refere ao atributo Estudada, a análise estatística apontou influência significativa da variável zona: as notas atribuídas pelos participantes da área mais urbana diferiram de forma significativa em relação às da área rural. Esse resultado corresponde com a expectativa inicial, em consonância com a proposta de polarização sociolinguística de Lucchesi (2015).
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ANDRÉ, Márcio; VIANNA, Juliana Barbosa de Segadas. A AVALIAÇÃO DA CONCORDÂNCIA VERBAL DE TERCEIRA PESSOA EM NOVA IGUAÇU.. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1323909-A-AVALIACAO-DA-CONCORDANCIA-VERBAL-DE-TERCEIRA-PESSOA-EM-NOVA-IGUACU. Acesso em: 30/05/2026

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