ETNODESENVOLVIMENTO E RESISTÊNCIA TERRITORIAL: JUSTIÇA CLIMÁTICA E ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA NO QUILOMBO DE BRACUÍ (ANGRA DOS REIS – RJ)

Publicado em 27/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2302-3

Título do Trabalho
ETNODESENVOLVIMENTO E RESISTÊNCIA TERRITORIAL: JUSTIÇA CLIMÁTICA E ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA NO QUILOMBO DE BRACUÍ (ANGRA DOS REIS – RJ)
Autores
  • Douglas Maxwell Monteiro Carvalho
  • Suellen Rodrigues Barros
  • Cleyson Soares Saturnino
  • Natan Barbosa Juvenal Dos Santos
  • Douglas Oliveira da Costa
  • Arthur Pinheiro Miranda
  • Antonio Petterson de Souza Nóbrega
  • Isabelle Kristine dos Santos Barbosa
  • Maria Eduarda de Souza do Nascimento Pires
  • Thainara De Andrade Marcelino
  • maxwel souza gabriel
  • Beatriz Lima de Andrade
Modalidade
Resumo
Área temática
Multidisciplinar
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1323288-etnodesenvolvimento-e-resistencia-territorial--justica-climatica-e-especulacao-imobiliaria-no-quilombo-de-bracui
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
Autonomia; Desenvolvimento alternativo; Identidade étnica; Sustentabilidade; Territorialidade.
Resumo
O Quilombo de Santa Rita do Bracuí, situado em Angra dos Reis (RJ), representa um caso emblemático de como as disputas em torno do território revelam a tensão entre projetos hegemônicos de desenvolvimento e as alternativas construídas por comunidades tradicionais. A origem do quilombo remonta à doação de terras feita em 1870 pelo comendador José Joaquim de Souza Breves aos ex-escravizados que viviam na antiga fazenda Bracuí. Contudo, ainda que legitimado em testamento, o direito ao território nunca foi plenamente reconhecido, o que desencadeou uma série de conflitos envolvendo expropriações, grilagem e, a partir de meados da década de 70, a especulação imobiliária associada à turistificação da região. Essa trajetória evidencia que, para além da luta pela posse da terra, a comunidade constrói um projeto próprio de futuro, baseado em práticas culturais e formas de organização que podem ser compreendidas à luz do conceito de etnodesenvolvimento. A análise realizada neste trabalho apoiou-se em documentos históricos, pesquisas acadêmicas e vivências do grupo PET-Etnodesenvolvimento da UFRRJ (EtnoPET) que dialogam com referenciais pós-coloniais e com a literatura sobre etnodesenvolvimento. Essa “etno-temática”, sistematizada por autores como Bonfil Batalla, Stavenhagen e Paul Little, permite compreender a capacidade das comunidades étnicas de formular projetos de vida que valorizam sua autonomia, práticas culturais e modos de uso sustentável do território. Os resultados mostraram que, no caso do Bracuí, o etnodesenvolvimento manifesta-se na resistência da comunidade frente às tentativas de desterritorialização. Enquanto a especulação imobiliária, materializada na construção do condomínio Bracuhy e do Porto Marina Bracuhy, expressa um modelo de desenvolvimento predatório, centrado no mercado e descomprometido com a preservação ambiental, o quilombo reafirma a centralidade de sua territorialidade para a reprodução social, cultural e ambiental. O vínculo com a terra ressignifica práticas cotidianas, fortalece a mobilização política e projeta alternativas que conciliam permanência comunitária e sustentabilidade. Nesse sentido, o etnodesenvolvimento não se apresenta apenas como conceito analítico, mas como prática vivida: um processo de autodefinição e de gestão coletiva dos recursos que confronta a lógica homogeneizadora do capital imobiliário e turístico. Um exemplo concreto dessa articulação entre resistência, identidade e justiça climática ocorreu em 2022, quando o Quilombo de Bracuí sediou a XVI Romaria Estadual da Terra e das Águas. O evento reuniu quilombolas, indígenas, pescadores artesanais, camponeses, povos de terreiro e outros grupos tradicionais em um ato simbólico e político de celebração, denúncia e solidariedade. A romaria reafirmou que a luta pela terra e pela preservação ambiental não é apenas local, mas coletiva e interligada a diferentes povos, construindo redes de apoio entre campo e cidade. A experiência do Bracuí conecta-se diretamente ao debate sobre justiça climática, pois evidencia como comunidades tradicionais desempenham papel fundamental na preservação dos ecossistemas e no enfrentamento dos impactos socioambientais e do crescimento urbano desordenado. A expulsão ou marginalização dessas comunidades não apenas ameaça sua memória histórica e cultural, mas também compromete a manutenção de práticas sustentáveis de manejo do território. Assim, o etnodesenvolvimento mostra-se um caminho estratégico para articular justiça social e justiça ambiental, ao valorizar saberes e modos de vida que se contrapõem à exploração indiscriminada dos recursos naturais. Concluiu-se que ao valorizar suas próprias formas de organização, a comunidade do Bracuí reafirma que um mundo mais sustentável, justo e igualitário depende do reconhecimento das alternativas construídas a partir das experiências de povos e comunidades tradicionais, cuja permanência nos territórios garante tanto a preservação ambiental quanto a reparação histórica.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CARVALHO, Douglas Maxwell Monteiro et al.. ETNODESENVOLVIMENTO E RESISTÊNCIA TERRITORIAL: JUSTIÇA CLIMÁTICA E ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA NO QUILOMBO DE BRACUÍ (ANGRA DOS REIS – RJ).. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1323288-ETNODESENVOLVIMENTO-E-RESISTENCIA-TERRITORIAL--JUSTICA-CLIMATICA-E-ESPECULACAO-IMOBILIARIA-NO-QUILOMBO-DE-BRACUI. Acesso em: 29/05/2026

Trabalho

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