Título do Trabalho
A FICÇÃO CLIMÁTICA DE KAREN TEI YAMASHITA
Autores
  • MARCUS VINICIUS ARAUJO DA SILVA
Modalidade
Resumo
Área temática
Linguística, Letras e Artes - Letras
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1319465-a-ficcao-climatica-de-karen-tei-yamashita
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
Antropoceno, Grande Divisão, Ficção Climática, Ética, Fronteiras.
Resumo
A pesquisa busca analisar a obra de Karen Tei Yamashita a partir da perspectiva da ficção climática, refletindo sobre a articulação entre estética, ética e as implicações do Antropoceno, era geológica em que os seres humanos se tornaram uma força geológica (Cruzten e Stoermer, 2000). O trabalho se articula a partir do estudo qualitativo e da análise crítica do romance Tropic of Orange em diálogo com Bruno Latour, Amitav Ghosh e Eva Horn. Após eventos extremos, como as queimadas na Austrália em 2019, percebe-se que a ação humana tem consequências planetárias que ultrapassam fronteiras e desafiam a percepção da realidade ambiental. Nesse sentido, a literatura de Yamashita, especificamente o romance Tropic of Orange, oferece espaço para especulação, ao questionar divisões modernas entre humano e natureza. O trabalho de Yamashita permite repensar a noção de fronteiras e as consequências das ações humanas nos processos planetários, propondo em sua experiência estética uma reflexão que se torna ética. A pesquisa busca compreender como a metáfora da “divisão” citada por Latour (Latour, 1991) e utilizada no romance pode ser lida como princípio estruturador da narrativa, e como seu ultrapassamento se conecta aos dilemas vividos hoje no Antropoceno. Dessa forma, a pesquisa pretende contribuir para o campo dos estudos literários e ecológicos, ressaltando o papel das Humanidades na crítica à modernidade e na elaboração de novas formas de imaginar um futuro diante da crise climática. Como o Antropoceno, enquanto conceito, é interdisciplinar, exigindo revisão da ideia de disciplinas autônomas, esta pesquisa adota perspectiva integrada entre literatura, filosofia, antropologia, geologia e sociologia. O objetivo não é subordinar um campo a outro, mas promover diálogos que permitam compreender fenômenos ecológicos complexos. Inspirando-se em Stanley Cavell (2008) a filosofia e a literatura são postas em conversação: a filosofia não ilumina a literatura, mas permite reflexões críticas sobre a experiência estética. A leitura literária também se dá teoricamente, considerando o Antropoceno como lente para repensar contextos históricos, espaciais e temporais. Timothy Clark (2012) argumenta que tal abordagem revisa noções de contexto, mostrando como limites locais e nacionais se tornam insuficientes diante de causalidades globais interdependentes. Em Tropic of Orange, Yamashita constrói uma narrativa marcada pela fragmentação e também pelo entrelaçamento de temporalidade, espaços e personagens, criando um texto que reflete as complexidades vividas no Antropoceno. A metáfora do trópico que se desloca exemplifica, em forma ficcional, a dissolução que ocorre nas fronteiras naturais, sociais e políticas. A obra dialoga com Latour, que diz que a separação entre natural e cultural sempre foi ilusória. Hoje, com imigrações em massa, sentimos as consequências dessas linhas que criamos e mantemos. Yamashita coloca tal objeto sob sua lupa e expõe o colapso entre categorias, construindo uma estética narrativa que desestabiliza essa divisão. Do ponto de vista ético, Tropic Of Orange convida a refletir sobre a interconexão entre desigualdade social, migração e crise climática; vemos uma Los Angeles retratada em estado de colapso iminente, em um mundo onde catástrofes climáticas e sociais se sobrepõem, criando espaço de antecipação que mobiliza imaginação política e social. Amitav Ghosh em The Great Derangement (2016) alerta que a literatura, ao evitar representar a escala das mudanças climáticas, contribui para o que chama de grande negação. Fazendo o oposto, Yamashita enfrenta essa escala com recursos narrativos que fragmentam e multiplicam vozes, dando ao trabalho o que Ghosh chama de necessidade de imaginar causalidades que ultrapassem o humano (Ghosh 2016). Assim, a estética da obra é também posição ética, pois põe foco nas interdependências globais que moldam a vida contemporânea. Palavras chave: Antropoceno, Grande Divisão, Ficção Climática, Ética, Fronteiras.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, MARCUS VINICIUS ARAUJO DA. A FICÇÃO CLIMÁTICA DE KAREN TEI YAMASHITA.. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1319465-A-FICCAO-CLIMATICA-DE-KAREN-TEI-YAMASHITA. Acesso em: 29/05/2026

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