CADEIRADA E DISCURSO DE ÓDIO: MECANISMOS HEGEMÔNICOS DO DISCURSO PARA ELEIÇÃO DA PREFEITURA DE SÃO PAULO EM 2024

Publicado em 27/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2302-3

Título do Trabalho
CADEIRADA E DISCURSO DE ÓDIO: MECANISMOS HEGEMÔNICOS DO DISCURSO PARA ELEIÇÃO DA PREFEITURA DE SÃO PAULO EM 2024
Autores
  • caleb machado
Modalidade
Resumo
Área temática
Linguística, Letras e Artes - Linguística
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1313279-cadeirada-e-discurso-de-odio--mecanismos-hegemonicos-do-discurso-para-eleicao-da-prefeitura-de-sao-paulo-em-2024
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
Análise Crítica do Discurso; Hegemonia; Deslegitimação; Discurso de Ódio; Debate Político.
Resumo
Este trabalho realiza uma análise crítica do discurso referente ao episódio conhecido como "cadeirada" do Datena e as falas subsequentes ao ocorrido durante o debate eleitoral para a prefeitura de São Paulo em 2024, na TV Cultura. O evento, marcado pela agressão física do candidato José Luiz Datena contra Pablo Marçal, serve como parâmetro para examinar não apenas a violência explícita, mas também as estratégias discursivas de outros candidatos, como Ricardo Nunes e Guilherme Boulos. A investigação se debruça nas falas que antecedem e sucedem a transmutação da violência verbal para física, destacando como tais discursos perpetuam narrativas hegemônicas e reforçam dinâmicas de poder. A análise enfoca as estratégias discursivas utilizadas pelos candidatos a fim de manter e legitimar narrativas hegemônicas. Dessa forma, pretende-se identificar os mecanismos de deslegitimação do adversário por meio do uso de estigmas simbólicos e fabulações ideológicas, e, também discutir o discurso de ódio como ação condicionada, dependente de corroboração institucional para sua existência. Para isso, pesquisa adota uma abordagem qualitativa, baseada na Análise Crítica do Discurso (ACD), com suporte teórico em Norman Fairclough (2001) e Louis Althusser (1985) para examinar a ideologia e os Aparelhos Ideológicos do Estado (AIE). Judith Butler (2021) é utilizada para compreender o discurso de ódio como ação condicionada, enquanto Bronisław Baczko (1985) fornece subsídios para analisar a disputa por legitimidade narrativa. O corpus é composto por transcrições das falas do debate, com foco em trechos que exemplifiquem violência verbal, estigmatização e estratégias de deslegitimação. Os resultados, revelam que os candidatos empregam discursos que ultrapassam a mera troca de ideias, atuando como instrumentos de manutenção hegemônica. Ricardo Nunes, por exemplo, utiliza afirmações como “contra a liberação de drogas, a favor da vida e contra o aborto” não apenas para se posicionar, mas para interpelar ideologicamente o eleitor, alinhando-se a valores preestabelecidos. Esse processo é exemplar da interpelação ideológica descrita por Althusser, onde o sujeito é convocado a aderir a certas crenças. Além disso, identifica-se por meio de estigmas simbólicos, como expressões pejorativas ("invasor", "consórcio comunista"), que buscam associar adversários a identidades sociais negativas. Essa estratégia, baseada em Baczko (1985), visa controlar a narrativa política pela fusão entre verdade e normatividade, onde a repetição de termos estigmatizantes gera uma mácula residual no imaginário coletivo. Além disso, o discurso de ódio é tratado como ação condicionada, conforme Butler (2021): sua existência depende de reconhecimento institucional (como decisões judiciais) para ser legitimado. No debate, as violências verbais são naturalizadas, enquanto a agressão física ("cadeirada") torna-se o limite simbólico que converte a violência discursiva em consenso sobre sua gravidade. O estudo demonstra que o debate político transcende a disputa ideológica tradicional, operando como um campo de batalha narrativa onde discursos hegemônicos são perpetuados por meio de estratégias de interpelação, estigmatização e deslegitimação. A violência física, como a "cadeirada", é apenas a manifestação extrema de uma dinâmica presente no plano discursivo. As implicações dessas práticas são profundamente danosas, pois corroem o debate democrático e reforçam polarizações. Recomenda-se maior atenção à análise discursiva em contextos eleitorais, além de mecanismos de contabilização para conter a escalada de violência simbólica e física.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MACHADO, caleb. CADEIRADA E DISCURSO DE ÓDIO: MECANISMOS HEGEMÔNICOS DO DISCURSO PARA ELEIÇÃO DA PREFEITURA DE SÃO PAULO EM 2024.. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1313279-CADEIRADA-E-DISCURSO-DE-ODIO--MECANISMOS-HEGEMONICOS-DO-DISCURSO-PARA-ELEICAO-DA-PREFEITURA-DE-SAO-PAULO-EM-2024. Acesso em: 25/05/2026

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