MEMÓRIA CULTURAL E OFICINAS DE ARTE: EXPERIÊNCIAS DE PERTENCIMENTO NO CEJA PROFESSORA ROSA SOARES

Publicado em 27/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2302-3

Título do Trabalho
MEMÓRIA CULTURAL E OFICINAS DE ARTE: EXPERIÊNCIAS DE PERTENCIMENTO NO CEJA PROFESSORA ROSA SOARES
Autores
  • Laríssa Beatriz Inacio Domingues
  • Fábio Pereira Cerdera
  • Thalles Yvson Alves de Souza
Modalidade
Resumo
Área temática
Linguística, Letras e Artes - Artes
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1313095-memoria-cultural-e-oficinas-de-arte--experiencias-de-pertencimento-no-ceja-professora-rosa-soares
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
EJA, oficinas de arte, práticas artísticas, artesanato
Resumo
As oficinas de arte realizadas no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), no curso de Licenciatura em Belas Artes da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, junto ao público da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da CEJA Professora Rosa Soares, em Mesquita (RJ), têm se mostrado um espaço para reflexões sobre a prática artística como meio de ressignificação cultural e de fortalecimento da memória coletiva. O objetivo deste trabalho é analisar como oficinas práticas de artes visuais, se tratando em especial a de isogravura em papel e tecido e a de cerâmica fria, possibilitam a valorização de experiências cotidianas e de diferentes culturas, frequentemente invisibilizados dentro e fora do campo da arte, mas essenciais para a formação da identidade cultural dos alunos. Os métodos empregados consistiram na realização de oficinas experimentais que em sua materialidade, contaram com recursos acessíveis e reaproveitados, como por exemplo no caso da isogravura, em que foram utilizados o isopor XPS, proveniente de embalagens de alimentos, além de palitos e canetas reutilizadas. Enquanto na cerâmica fria, o foco foi o contato inicial com a modelagem, dialogando com referências históricas ligadas ao uso da argila, desde rituais ancestrais até utensílios populares, como o filtro de barro. Em ambas as oficinas, observou-se que, embora muitos alunos já possuíssem contato prévio com elementos culturais como os folhetos de cordel, a argila como matéria-prima e o artesanato como produto do pensamento do artista, raramente os relacionavam ao universo da arte de fato, revelando uma ausência significativa na valorização dessas práticas. Durante a atividade de isogravura, por exemplo, a apresentação das capas dos folhetos de cordel onde se apresenta a xilogravura, demonstrou que, apesar de alguns estudantes reconhecerem visualmente suas formas, havia dificuldade em associar o termo ou reconhecer sua importância estética e cultural. Na oficina de cerâmica, um aluno com prática e vivência do ofício de pedreiro mostrou amplo conhecimento técnico sobre a argila e seus usos, mas nunca havia experimentado moldá-la artisticamente, evidenciando como práticas culturais presentes na vida cotidiana permanecem alheias à noção de patrimônio artístico. Tal cenário também se repetiu em outras atividades desenvolvidas pelo grupo do PIBID, como oficinas de crochê em panos de prato, frequentemente vistas apenas como meros fazeres de artesania, o que reforça a percepção de uma hierarquia entre práticas artísticas “maiores” e “menores”. Esses resultados permitem discutir a importância das oficinas como espaços pedagógicos de ressignificação, ao evidenciar que práticas tidas como meramente utilitárias são também arte, cultura e memória, assim ampliando a consciência estética dos alunos e fortalecendo o reconhecimento de sua identidade cultural. Conclui-se que, ainda que realizadas de forma simples e pontual, as oficinas do PIBID em Mesquita se configuram como atos pedagógicos complexos, na medida em que aproximam os estudantes de sua própria história cultural, valorizam saberes invisibilizados e desmantelam preconceitos entre arte e artesanato. A arte, nesse contexto, não se apresenta como algo externo ou distante, mas como parte presente no cotidiano, que ao ser trazida para o espaço escolar ganha visibilidade, dignidade e sentido de pertencimento, reafirmando os alunos do EJA como sujeitos de memória, cultura e história.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

DOMINGUES, Laríssa Beatriz Inacio; CERDERA, Fábio Pereira; SOUZA, Thalles Yvson Alves de. MEMÓRIA CULTURAL E OFICINAS DE ARTE: EXPERIÊNCIAS DE PERTENCIMENTO NO CEJA PROFESSORA ROSA SOARES.. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1313095-MEMORIA-CULTURAL-E-OFICINAS-DE-ARTE--EXPERIENCIAS-DE-PERTENCIMENTO-NO-CEJA-PROFESSORA-ROSA-SOARES. Acesso em: 09/05/2026

Trabalho

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