Título do Trabalho
O POTENCIAL DOS ÓLEOS ESSENCIAIS COMO ANESTÉSICOS PARA TILÁPIA-DO-NILO
Autores
  • Italo Serri Sartório Lopes
  • Luana Agapito Pereira da Silva
  • Caio Leonardo Palmeira Da Silva
  • Bruna Gomes dos Santos
  • Cristielle Nunes Souto
Modalidade
Resumo
Área temática
Ciências Agrárias - Zootecnia
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1311451-o-potencial-dos-oleos-essenciais-como-anestesicos-para-tilapia-do-nilo
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
anestesia de peixes; bem-estar animal; hortelã-pimenta; melaleuca; Oreochromis niloticus.
Resumo
A aquicultura é um dos setores de produção animal que mais tem crescido mundialmente nos últimos anos, consolidando-se como importante fonte de proteína de origem aquática. Entre as espécies cultivadas, a tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus) destaca-se pela rusticidade, rápido crescimento, boa conversão alimentar e ampla aceitação comercial. Entretanto, procedimentos de manejo, como biometria e transporte, podem induzir estresse, comprometendo o bem-estar animal. O uso de anestésicos auxilia nesses procedimentos, pois facilita o manejo e reduz respostas fisiológicas ao estresse, reduzindo riscos tanto para os peixes quanto aos profissionais envolvidos. O anestésico sintético mais empregado em peixes é o MS-222 (tricaína metanosulfonato), cujo uso é limitado pelo elevado custo e por potenciais efeitos adversos, como alterações fisiológicas e impactos na qualidade do pescado. Nesse contexto, alternativas naturais têm despertado interesse, como os óleos essenciais, em virtude de sua ampla disponibilidade, menor custo e caráter biodegradável. Entre eles, o eugenol, composto ativo do óleo de cravo, é reconhecido pela literatura como anestésico eficaz em peixes. Outros óleos, como o de melaleuca (Melaleuca alternifolia), cujo constituinte majoritário é o terpinen-4-ol, e o de hortelã-pimenta (Mentha piperita), rico em mentol, apresentam relatos de propriedades sedativas e anestésicas, motivando sua investigação para uso na aquicultura. Inicialmente, o estudo previa a utilização do óleo essencial de laranja-doce (Citrus sinensis). Entretanto, em decorrência de possíveis efeitos tóxicos e mortalidade observados nos ensaios preliminares, o uso desse óleo foi suspenso e optou-se pela inclusão dos óleos de melaleuca e hortelã-pimenta como tratamentos experimentais. Assim, o presente estudo avaliou a eficácia anestésica dos óleos de melaleuca e hortelã-pimenta, em comparação ao eugenol, em juvenis de tilápia. Foram utilizados 24 peixes com peso médio entre 150 e 250g, distribuídos em grupos (n=6) submetidos aos seguintes tratamentos: eugenol (350 µL L⁻¹), óleo de melaleuca (2 mL L⁻¹), óleo de hortelã-pimenta (500 µL L⁻¹) e resfriamento com gelo na proporção 3:7, empregado como grupo controle. Avaliaram-se os tempos de indução e recuperação anestésica, bem como a concentração plasmática de glicose como indicador fisiológico de estresse. Todos os procedimentos experimentais foram analisados e aprovados pela Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUA) da Universidade Federal de Jataí, sob o protocolo nº 006/23. Os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA), seguida do teste Student-Newman-Keuls (SNK), considerando-se 5% de significância. Os resultados demonstraram que o eugenol apresentou o melhor desempenho, induzindo rapidamente os animais à anestesia (estágios I, II e III) e promovendo rápida recuperação, confirmando sua eficácia. O óleo de melaleuca promoveu a indução em todos os estágios avaliados, embora em tempo mais prolongado que o eugenol, mas com recuperação satisfatória. O óleo de hortelã-pimenta, na concentração avaliada, não foi capaz de induzir os animais ao estágio III de anestesia. O resfriamento com gelo resultou em indução rápida, porém associado a recuperação lenta e heterogênea. Quanto à glicose plasmática, não foram observadas diferenças significativas entre os tratamentos, sugerindo que os protocolos testados não alteraram de forma significativa o metabolismo glicídico dos animais. Conclui-se que os óleos de melaleuca e hortelã-pimenta apresentam potencial de aplicação como sedativos em procedimentos de manejo simples, como a biometria. Todavia, não podem ser caracterizados como anestésicos plenos nas condições experimentais adotadas. Ressalta-se que os óleos empregados eram de origem comercial e não houve quantificação química dos compostos majoritários, o que pode ter influenciado os resultados. Além disso, a ausência de análises complementares nos peixes, como parâmetros neurofisiológicos ou histológicos, limita conclusões mais robustas. Portanto, os óleos testados devem ser considerados apenas como sedativos, e novos estudos são necessários para confirmar sua eficácia, segurança e viabilidade como anestésicos naturais na aquicultura.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

LOPES, Italo Serri Sartório et al.. O POTENCIAL DOS ÓLEOS ESSENCIAIS COMO ANESTÉSICOS PARA TILÁPIA-DO-NILO.. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1311451-O-POTENCIAL-DOS-OLEOS-ESSENCIAIS-COMO-ANESTESICOS-PARA-TILAPIA-DO-NILO. Acesso em: 25/05/2026

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