Título do Trabalho
A FICÇÃO CLIMÁTICA DE MARGARET ATWOOD
Autores
  • Silas Laureano Baptista
  • Gabrielly Reis Apolinario Conceição
Modalidade
Resumo
Área temática
Linguística, Letras e Artes - Letras
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1311169-a-ficcao-climatica-de-margaret-atwood
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
Margaret Atwood; Antropoceno; Ficção climática; Bruno Latour; Simbólico.
Resumo
A intensificação das catástrofes climáticas em escala global, como incêndios florestais, recordes de temperatura e enchentes evidencia a urgência de repensar a relação entre humanidade e natureza. Nesse contexto, o conceito de Antropoceno, formulado por Crutzen e Stoermer (2000), nomeia uma nova época geológica em que a ação humana assume o papel de força geológica. As humanidades respondem a esse diagnóstico não apenas por meio da denúncia, mas pela elaboração de novas sensibilidades éticas e estéticas. É nesse horizonte que se insere a pesquisa dedicada à análise da trilogia MaddAddam (2003–2013), de Margaret Atwood, considerada exemplar da ficção climática e de seu potencial especulativo para problematizar categorias como tempo, subjetividade e antropocentrismo. A hipótese norteadora foi a de que os romances tensionam a lógica moderna da “Grande Divisão” descrita por Latour (1993), ao imaginar um futuro distópico em que a devastação ecológica e a biotecnologia forçam a recomposição das fronteiras entre humano e não humano. O objetivo principal consistiu em investigar de que modo a literatura, ao ultrapassar leituras restritas a contextos históricos lineares, permite articular escalas temporais profundas e refletir sobre as implicações éticas da vida em tempos de emergência climática. A metodologia combinou análise literária dos romances, com ênfase em Oryx and Crake, e diálogo interdisciplinar com autores como Latour, Dipesh Chakrabarty, Timothy Morton, Timothy Clark, Eva Horn e Amitav Ghosh. Buscou-se evitar a redução da ficção a ilustração conceitual, considerando-a como forma de pensamento especulativo. O desenvolvimento da pesquisa envolveu leituras críticas, reuniões de grupo e discussões coletivas sobre a bibliografia especializada. Como resultado, a análise evidenciou que o projeto de Crake — personagem central do romance — encarna a radicalização do ideal moderno ao tentar eliminar dimensões simbólicas da experiência humana, como memória, arte, ritual e linguagem, em nome da técnica biológica. Essa exclusão dramatiza o desejo moderno de suspender o tempo e neutralizar a historicidade, como analisa Massuno (2019), mas a própria narrativa de Atwood evidencia a resistência do simbólico: os Crakers, mesmo programados para viver sem religião ou memória, criam mitos, e Snowman insiste em contar histórias fragmentadas. Esse aspecto confirma a tese de Ghosh (2016) de que a crise climática é também crise da imaginação, exigindo formas narrativas capazes de representar escalas planetárias e interdependências vitais. Em diálogo com Chakrabarty (2012; 2017), nota-se que o Antropoceno obriga a pensar o humano em múltiplas escalas — simultaneamente como espécie e como sujeito de diferenças históricas e sociais —, o que desestabiliza categorias modernas de agência. Dessa forma, os resultados indicam que a obra de Atwood não apenas denuncia a devastação ambiental, mas também confronta os limites epistemológicos e ontológicos da modernidade, revelando a impossibilidade de neutralizar o simbólico. Conclui-se que a ficção climática de Atwood fornece um terreno privilegiado para problematizar narrativas hegemônicas de progresso e desenvolvimento, propondo novas sensibilidades críticas diante da crise climática. Ao articular literatura, filosofia e ecocrítica, a pesquisa reforça a necessidade de reconhecer na experiência estética não apenas um registro de catástrofes, mas uma força de resistência simbólica capaz de intervir nas formas de pensar e sentir em tempos de Antropoceno.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BAPTISTA, Silas Laureano; CONCEIÇÃO, Gabrielly Reis Apolinario. A FICÇÃO CLIMÁTICA DE MARGARET ATWOOD.. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1311169-A-FICCAO-CLIMATICA-DE-MARGARET-ATWOOD. Acesso em: 25/05/2026

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