ESCREVER-SE PARA EXISTIR: EPIGRAMAS E A AUTOINSCRIÇÃO DO UNIVERSO FEMININO DE NÓSSIS NA ANTIGUIDADE

Publicado em 27/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2302-3

Título do Trabalho
ESCREVER-SE PARA EXISTIR: EPIGRAMAS E A AUTOINSCRIÇÃO DO UNIVERSO FEMININO DE NÓSSIS NA ANTIGUIDADE
Autores
  • Jennifer Monteiro da Silva Farias
Modalidade
Resumo
Área temática
Ciências Humanas - Filosofia
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1302725-escrever-se-para-existir--epigramas-e-a-autoinscricao-do-universo-feminino-de-nossis-na-antiguidade
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
Nóssis, Epigrama, Memória, Autoinscrição
Resumo
Discutir o papel das mulheres na história da filosofia, especialmente na Antiguidade, é enfrentar um percurso marcado pelo silenciamento e pela exclusão do feminino do cânone filosófico. Recuperar vozes como a da poetisa Nóssis de Locri (séc. III a.C.) significa reconstruir essa tradição e reconhecer a relevância de escritos que resistiram ao apagamento histórico. Nóssis destacou-se por utilizar o epigrama, gênero associado à memória e à inscrição pública, como forma de autoafirmação e imortalização de sua voz. O objetivo desta pesquisa é investigar como a poetisa se autoinscreve em seus epigramas, analisando a função da memória na constituição de um espaço de pertencimento feminino na Antiguidade. A pesquisa fundamenta-se em análise bibliográfica e hermenêutica de doze epigramas atribuídos a Nóssis, textos preservados de outros poetas da época que a referenciaram e comentários por estudiosos como Gow e Page (1965), Bowman (1998) e Licciardello (2016). Utilizou-se o método de interpretação histórico-filosófica, contextualizando a produção poética de Nóssis no cenário helenístico e nas práticas culturais gregas. A abordagem privilegia a leitura dos epigramas enquanto estratégias de autoinscrição e de construção de memória, em diálogo com tradições literárias anteriores, como a homérica, e com valores culturais associados ao feminino na época. Os epigramas de Nóssis revelam um duplo movimento: de um lado, preservam representações femininas, atividades e referências matriarcais; de outro, afirmam a própria identidade da autora, que inscreve o seu nome nos versos como gesto consciente de autoimortalização. Essa escolha é significativa, pois o gênero epigráfico, comumente associado a epitáfios e à memória dos mortos, é por ela ressignificado para comunicar vida, presença e permanência. A autodenominação em seus poemas estabelece uma ruptura com a invisibilidade imposta às mulheres, reivindicando um lugar na tradição poética e filosófica. Nóssis dialoga com conceitos centrais da cultura grega que podemos extrair de seus textos, como a mnemosýne, transformando a memória em dispositivo de continuidade e transcendência do eu poético. Assim, seus versos conectam passado e presente, vivos e mortos, demonstrando como a escrita pode operar como espaço de resistência e de afirmação da existência feminina. Constata-se que, ao apropriar-se de uma forma textual tradicionalmente masculina, Nóssis a subverte e a reinscreve sob a perspectiva feminina. Esse gesto não apenas a insere na tradição literária, mas também expõe a lucidez de sua escolha em estruturar desta maneira o poema. Essa autodenominação afirma sua intencionalidade de se colocar, por si mesma, em um lugar de pertencimento, imortalizando-se por meio de um gênero textual — o epitáfio — que, a princípio, visava comunicar a morte, mas que, em sua obra, marca o nascimento de uma poetisa. Sua obra torna-se, portanto, testemunho de como mulheres da Antiguidade, mesmo diante de contextos adversos, encontraram meios de se perpetuar na memória cultural e filosófica. A análise demonstra que a autoinscrição poética de Nóssis, sustentada pelo recurso à memória, representa uma estratégia de resistência e sobrevivência no tempo. Seus epigramas, ao mesmo tempo epitáfios e celebrações de vida, elevam a experiência feminina à condição de universal, abrindo brechas no cânone filosófico para a permanência de vozes silenciadas. Referências BOWMAN, L. Nossis, Sappho And Hellenistic Poetry. Ramus 27, 1998. GOW, A. S. F. e PAGE, D. L. The Greek Anthology. Hellenistic Epigrams. Vol. I. Introduction and Text. Vol. II. Commentary and Indexes. Cambridge, University Press, 1965. 2 vol. HUESO, M. G. Besada por Cipris. Martínez: Rara Avis Casa Editorial, 2021 LICCIARDELLO, F. Nossis’ auto-epitaph: analysing a controversial epigram. Budapest: Acta Antiqua. Academiae Scientiarum Hungaricae, v. 56, n. 4, 2016.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

FARIAS, Jennifer Monteiro da Silva. ESCREVER-SE PARA EXISTIR: EPIGRAMAS E A AUTOINSCRIÇÃO DO UNIVERSO FEMININO DE NÓSSIS NA ANTIGUIDADE.. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1302725-ESCREVER-SE-PARA-EXISTIR--EPIGRAMAS-E-A-AUTOINSCRICAO-DO-UNIVERSO-FEMININO-DE-NOSSIS-NA-ANTIGUIDADE. Acesso em: 22/05/2026

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