Título do Trabalho
"CURA GAY": PSICOLOGIA, RELIGIÃO E PRODUÇÃO DE SUBJETIVIDADE
Autores
  • Laura Carvalho Anconi
Modalidade
Resumo
Área temática
Ciências Humanas - Psicologia
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1300874-cura-gay--psicologia-religiao-e-producao-de-subjetividade
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
Psicologia, neoconservadorismo, cura gay, psicologia cristã
Resumo
Esta pesquisa, intitulada "Cura gay: psicologia, religião e produção de subjetividade" e financiada pelo PIBIC/UFRRJ, tem como objetivo analisar de que forma o avanço do neoconservadorismo, articulado sobretudo por setores religiosos, atravessa a psicologia brasileira e afeta tanto sua prática clínica quanto a produção de subjetividades. No século XXI, observa-se a intensificação de discursos e práticas que atacam os direitos de grupos minoritários, em especial a comunidade LGBTQIAPN+, articulando uma política liberal em consonância com uma moralidade cristã que defende a família heteropatriarcal e interpreta as conquistas dos movimentos feministas e LGBTQIAPN+ como perda de espaço político. Esses discursos não ficam restritos ao campo religioso ou social, mas atravessam as paredes da clínica psicológica, gerando tensões em torno da sexualidade, da identidade de gênero e das dissidências. A pesquisa de Vezzoni et al. (2019) revelou que, embora a maioria dos psicólogos reconheça a homossexualidade como uma variação normal da sexualidade, ainda persistem crenças e práticas que patologizam ou defendem a reversão sexual, demonstrando a urgência de discutir como a psicologia lida com a diversidade. A metodologia utilizada foi a reflexão teórica e a análise crítica, por meio do levantamento bibliográfico em portais como Scielo, BDTD e Catálogo de Teses e Dissertações da Capes, com os descritores “cura gay”, “psicologia cristã” e “neoconservadorismo na psicologia”, resultando em cerca de 50 textos analisados, além da realização de um curso de Psicologia Pastoral online e gratuito, que permitiu observar como conteúdos religiosos são apresentados como fundamentação para práticas psicológicas. Os resultados apontam que o neoconservadorismo se manifesta principalmente pela emergência de profissionais que se autointitulam “psicólogos cristãos” e que utilizam concepções religiosas para orientar a atuação clínica, frequentemente em desacordo com o código de ética da profissão. Essa autodefinição dá margem a práticas que privilegiam a fé em detrimento da ciência, legitimando a cisheterossexualidade como norma e apresentando discursos que relativizam a necessidade de formação acadêmica. Durante o curso de Psicologia Pastoral, observou-se a tentativa de naturalizar a heteronormatividade por meio de conteúdos moralizantes e de afirmar que não é necessário ser formado em psicologia para atuar na área, reforçando a ideia de que a prática pastoral seria mais “humana” do que a formação universitária. Além disso, verificou-se que os discursos neoconservadores, em especial os de psicólogos cristãos, defendem abertamente a lógica cisheteronormativa e, a partir dela, a possibilidade da chamada “cura gay”, amparada no argumento da liberdade de expressão do profissional de psicologia. As principais representantes desse movimento são Marisa Lobo e Rosângela Justino, que se destacam por associar sua prática profissional a pautas da extrema direita, produzindo livros e discursos que reforçam a ideia de que as dissidências sexuais e de gênero são ameaças à família e à sociedade. Outro ponto relevante identificado é a disputa institucional no interior da psicologia, como a formação de chapas alinhadas à extrema direita nas eleições do Conselho Federal de Psicologia, que atacam resoluções como a n° 01/1999, a qual proíbe a patologização de sexualidades e identidades de gênero dissidentes. A discussão evidencia que tais atravessamentos ameaçam a laicidade da profissão e colocam em risco o direito das pessoas LGBTQIAPN+ a um cuidado ético, inclusivo e diverso. Conclui-se que a psicologia brasileira enfrenta o desafio constante de resistir às investidas neoconservadoras, reafirmando seu compromisso com a ética, a ciência e a defesa da dignidade humana. Nesse sentido, a valorização da laicidade e a crítica às práticas excludentes devem ser entendidas como compromissos políticos e sociais indispensáveis para a construção de uma psicologia plural, democrática e comprometida com a liberdade e diversidade dos sujeitos.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ANCONI, Laura Carvalho. "CURA GAY": PSICOLOGIA, RELIGIÃO E PRODUÇÃO DE SUBJETIVIDADE.. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1300874-CURA-GAY--PSICOLOGIA-RELIGIAO-E-PRODUCAO-DE-SUBJETIVIDADE. Acesso em: 22/05/2026

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