Título do Trabalho
A GUERRA NA UCRÂNIA: PROCESSO POLÍTICO INTERNO E EXTERNO DO GOVERNO PUTIN
Autores
  • Vandriele Araújo da Silva
  • Caio Bugiato
Modalidade
Resumo
Área temática
Ciências Humanas - Ciência Política
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1288134-a-guerra-na-ucrania--processo-politico-interno-e-externo-do-governo-putin
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
Rússia, Ucrânia, OTAN, União Europeia, Putin
Resumo
Este trabalho analisa os fatores que levaram a Rússia a invadir a Ucrânia em 2022, interpretando a ação como uma reação defensiva por parte de Moscou ao avanço político, militar e institucional do Ocidente, materializado pela expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e da União Europeia (UE) sobre seu entorno geográfico. O objetivo central é demonstrar que a “operação militar especial” foi o desfecho de um longo processo de contenção ocidental, que alimentou na Rússia a percepção de ameaça direta à sobrevivência do Estado, à sua segurança e à sua esfera de influência, com a Ucrânia representando a última "linha vermelha" geopolítica. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, histórico-analítica e exploratória, baseada em levantamento bibliográfico e documental, integrando fontes primárias — como discursos oficiais, documentos governamentais e portais institucionais do governo russo, além de documentos da OTAN e UE — e secundárias, incluindo artigos, livros e teses, complementadas por análises jornalísticas para cobrir a conjuntura em andamento. Os resultados discutidos indicam que, após a chegada de Vladimir Putin ao poder, a política interna e externa da Rússia passou por uma profunda transformação, voltando-se para a defesa de seus interesses nacionais e a recuperação de seu status de grande potência. Nesse contexto, o espaço pós-soviético foi definido como a esfera de influência natural do país, que deveria ser resguardada e fortalecida frente à presença de atores externos (OTAN e UE). Além disso, o governo de Putin passou a mobilizar estrategicamente o conceito de “compatriotas russos” para justificar a proteção dos russófonos em seu exterior próximo diante de ameaças percebidas. Nessa conjuntura, a Ucrânia possui importância central para a Rússia, não apenas por sua localização geoestratégica, mas também por ocupar um lugar simbólico no imaginário nacional compartilhado do Mundo Russo, que remonta ao Rus de Kiev, berço comum dos povos eslavos orientais. Para Moscou, a Ucrânia é parte desse legado histórico e cultural, tornando-se peça-chave na manutenção da identidade e da influência russa na região. Nesse processo, o país destacou-se como elemento central na disputa entre dois pólos de poder. Após as revoluções pró-Ocidente de 2004 e 2014, Kiev intensificou sua cooperação militar, econômica e política com o Ocidente, recebendo armamentos, treinamentos e apoio financeiro. Paralelamente, foi promovido um sentimento anti-Rússia no país, reforçado sobretudo após a eleição de Volodymyr Zelensky, que rompeu com a tradição de equilíbrio entre a Rússia e a Europa e acelerou a aproximação do país das estruturas ocidentais, incluindo os projetos de adesão à OTAN e à UE. Por seu turno, Moscou interpretou essas ações como uma tentativa deliberada de retirar a Ucrânia de sua órbita de influência, ao mesmo tempo em que o Ocidente buscava limitar o poder russo, isolá-la regionalmente e impedir sua consolidação como grande potência. Nesse contexto, a operação militar de 2022 foi apresentada por Putin como necessária não apenas para proteger a população russófona do Donbass, promover a desnazificação e a desmilitarização da Ucrânia, mas também como uma resposta à política de contenção estratégica promovida pelo avanço da OTAN e da UE. Conclui-se que a guerra na Ucrânia configura uma resposta defensiva ao processo de cerco geopolítico promovido pela OTAN e pela UE, que provocou uma deterioração gradual das relações Rússia-Ocidente. Assim, a invasão representou o último recurso diante do esgotamento das vias diplomáticas e da percepção de que a Ucrânia estava sendo definitivamente integrada às estruturas ocidentais, ameaçando tornar-se um bastião militar e ideológico do Ocidente na fronteira russa. Nesse contexto, a OTAN é entendida não como agente de estabilidade, mas como vetor de tensão a serviço dos interesses estratégicos dos Estados Unidos e de seus aliados.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Vandriele Araújo da; BUGIATO, Caio. A GUERRA NA UCRÂNIA: PROCESSO POLÍTICO INTERNO E EXTERNO DO GOVERNO PUTIN.. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1288134-A-GUERRA-NA-UCRANIA--PROCESSO-POLITICO-INTERNO-E-EXTERNO-DO-GOVERNO-PUTIN. Acesso em: 22/05/2026

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