Título do Trabalho
O USO VARIÁVEL DA CONCORDÂNCIA VERBAL NA ESCRITA ACADÊMICA.
Autores
  • Darllan de Luca Barcelos Costa Reis Silva
Modalidade
Resumo
Área temática
Linguística, Letras e Artes - Letras
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1287954-o-uso-variavel-da-concordancia-verbal-na-escrita-academica
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
Variação Linguística, Sociolinguística Variacionista, Concordância Verbal, Monografia, Letras, Jornalismo.
Resumo
A concordância verbal constitui um dos fenômenos mais abordados pela gramática e investigados pelos estudos variacionistas. Enquanto as gramáticas normativas (Bechara, 2009; Lima, 2011; Cunha e Cintra, 2017) a descrevem como a adequação obrigatória da forma verbal ao número e à pessoa do sujeito, a Sociolinguística Variacionista, sobretudo em sua vertente laboviana, demonstra que a aplicação da regra não é categórica, estando sujeita a condicionamentos linguísticos e sociais. Pesquisas como as de Tarallo (1997), Mollica e Braga (2017) e Brandão e Vieira (2007) evidenciam que fatores como a posição do sujeito, a distância entre o núcleo e o verbo, a saliência fônica e até a complexidade da estrutura do sujeito podem interferir de modo significativo na realização ou não da concordância. Inserida neste quadro, a presente pesquisa tem, como objetivo geral, investigar a realização variável da concordância verbal de terceira pessoa em introduções de monografias de Letras e Jornalismo da UFRRJ, buscando compreender em quais contextos a aplicação da regra é favorecida ou inibida. Têm-se como objetivos específicos: verificar possíveis diferenças de uso entre as duas áreas acadêmicas e cotejar os resultados com investigações anteriores sobre a variação do fenômeno em registros da fala e da escrita monitorada. A metodologia é de natureza quali-quantitativa. O corpus é composto por 30 introduções de monografias, 15 de cada área. Foram selecionadas 642 ocorrências do fenômeno e codificadas em grupos de fatores linguísticos (posição do sujeito, distância entre núcleo do sujeito e verbo e saliência fônica) e fator extralinguístico (a área disciplinar) e submetidas à rodada computacional com a utilização do programa Goldvarb a fim de obter dados percentuais, de modo a possibilitar a identificação de padrões e a avaliação da influência das variáveis consideradas. Os resultados apontam para ampla predominância da aplicação da regra: 635 ocorrências (98,9%) apresentaram concordância, contra apenas 7 ocorrências (1,1%) de não concordância. A distribuição entre as áreas revelou resultados bastante próximos, sem diferenças estatisticamente relevantes, o que confirma o caráter normativo da escrita acadêmica em ambos os cursos. A análise dos fatores linguísticos evidenciou que a anteposição do sujeito e a menor distância núcleo-verbo favoreceram fortemente a marcação, enquanto a saliência fônica, embora relevante, não comprometeu a manutenção da regra. Os casos de não concordância, embora poucos, permitem observar a persistência da variação mesmo em gêneros altamente monitorados, estando associados a fatores como complexidade do sujeito, maior afastamento entre núcleo e verbo e traços de oralidade projetados na escrita. Do ponto de vista interpretativo, a alta frequência de concordância é compatível com o registro formal da escrita acadêmica, que privilegia a variedade padrão e reforça o domínio da norma como valor central, funcionando como forte inibidor da não-concordância verbal. Conclui-se que a escrita acadêmica preserva majoritariamente a regra da concordância, mas não elimina por completo a variabilidade, o que ressalta a importância de observar a interação entre fatores estruturais e as pressões sociais e normativas que moldam o uso da língua em diferentes contextos. Autores: Darllan de Luca Barcelos Costa Reis Silva e Marli Hermenegilda Pereira (orientadora). Referências BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009. BRANDÃO, Helena; VIEIRA, Thereza (orgs.). Ensino de gramática: descrição e uso. 4. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 7. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2017. LIMA, Carlos Henrique da Rocha. Gramática Normativa da Língua Portuguesa. 49. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2011. MOLLICA, Maria Cecília; BRAGA, Maria Luiza (orgs.). Introdução à Sociolinguística: o tratamento da variação. 9. ed. São Paulo: Contexto, 2017. TARALLO, Fernando. A pesquisa sociolinguística. São Paulo: Editora Contexto, 1997.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Darllan de Luca Barcelos Costa Reis. O USO VARIÁVEL DA CONCORDÂNCIA VERBAL NA ESCRITA ACADÊMICA... In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1287954-O-USO-VARIAVEL-DA-CONCORDANCIA-VERBAL-NA-ESCRITA-ACADEMICA. Acesso em: 22/05/2026

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