Título do Trabalho
TESTANDO SEU GAYDAR: GÊNERO, SEXUALIDADE E ESTERIÓTIPOS NOS DISCURSOS DO ENTRETERIMENTO
Autores
  • Lucas de Oliveira Rosa da Silva
  • Maria do Rosário da Silva Rôxo
Modalidade
Resumo
Área temática
Linguística, Letras e Artes - Linguística
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1282048-testando-seu-gaydar--genero-sexualidade-e-esteriotipos-nos-discursos-do-entreterimento
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
Linguística queer, Gaydar, Violência simbólica, Performatividade
Resumo
Este trabalho analisa criticamente o vídeo “TESTANDO SEU GAYDAR Ft. Ismeiow e Ranozera”, publicado no canal NoodTV no YouTube, buscando compreender como práticas de humor e entretenimento funcionam como dispositivos de manutenção de normas cis-heteronormativas e de naturalização da legibilidade da sexualidade. A pesquisa insere-se no campo da linguística queer, compreendida como área que problematiza a relação entre linguagem, gênero, sexualidade e poder, desestabilizando concepções essencialistas de identidade (LIVIA & HALL, 1997; BORBA, 2020). Também dialoga com a teoria da performatividade de gênero, segundo a qual identidades não existem como essências prévias, mas como efeitos reiterados de práticas discursivas (BUTLER, 2018), bem como com perspectivas interseccionais e decoloniais que denunciam o caráter histórico e situado da violência linguística (BAPTISTA, 2022; SILVA, 2019). Em termos metodológicos, o estudo adota abordagem qualitativa de inspiração interpretativista (DENZIN & LINCOLN, 2006) e a técnica de análise de conteúdo (BARDIN, 2016), tendo como corpus a transcrição de um recorte do vídeo e sua categorização em três eixos: (1) estereótipos de gênero e sexualidade, (2) performatividade e coerência de gênero e (3) violência simbólica e exclusão identitária. Os resultados demonstram que a dinâmica do “gaydar”, ainda que construída como jogo, reforça a ideia de que a sexualidade deve ser pública, visível e passível de verificação, produzindo sujeitos cuja legitimidade social depende da adequação a uma matriz normativa. Observa-se, assim, que discursos de entretenimento não apenas refletem valores sociais, mas também constituem práticas regulatórias, uma vez que expõem corpos dissidentes a formas sutis de violência simbólica, fenômeno já descrito por estudos que articulam linguagem, humor e exclusão (WILSON; GOMES; ABRITTA, 2024). A discussão aponta para a centralidade da performatividade no processo, pois, ao transformar estereótipos em critérios de julgamento, o vídeo reinscreve a cis-heteronormatividade como horizonte naturalizado de inteligibilidade. Tal dinâmica dialoga com o que Foucault (1988) denomina dispositivo da sexualidade, ou seja, um conjunto de práticas discursivas que regula a produção de saberes e de sujeitos. Além disso, evidencia-se a violência linguística como mecanismo de regulação social, que opera tanto no plano explícito da injúria quanto em camadas implícitas de humor e entretenimento (SILVA, 2019; WILSON; GOMES; ABRITTA, 2024). A análise sugere que o humor, quando não problematizado, atua como operador ideológico de exclusão, banalizando práticas de abjeção e reproduzindo hierarquias sociais que delimitam quem pode ser inteligível e quem permanece à margem. Conclui-se que a compreensão crítica de tais práticas midiáticas é essencial para desnaturalizar os modos pelos quais a linguagem participa da produção e da manutenção de normas excludentes. O estudo contribui, portanto, para o campo da linguística queer ao demonstrar que contextos aparentemente lúdicos funcionam como arenas de disputa simbólica, em que a violência linguística se disfarça de entretenimento, mas cumpre o papel de legitimar formas de exclusão social. Recomenda-se que pesquisas futuras ampliem o escopo de análise para outros formatos de mídia digital, investigando de que maneira práticas discursivas de humor, memes e “jogos sociais” reconfiguram e tensionam as fronteiras da inteligibilidade de gênero e sexualidade, e como podem ser apropriadas em estratégias de resistência e de reexistência.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Lucas de Oliveira Rosa da; RÔXO, Maria do Rosário da Silva. TESTANDO SEU GAYDAR: GÊNERO, SEXUALIDADE E ESTERIÓTIPOS NOS DISCURSOS DO ENTRETERIMENTO.. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1282048-TESTANDO-SEU-GAYDAR--GENERO-SEXUALIDADE-E-ESTERIOTIPOS-NOS-DISCURSOS-DO-ENTRETERIMENTO. Acesso em: 22/05/2026

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