NOVAS FORMAS DE ESPECIALIZAÇÃO REGIONAL PRODUTIVA NO SUL DA BAHIA: A PRODUÇÃO DE CACAU ESPECIAL COM CERTIFICAÇÃO DE ORIGEM

Publicado em 27/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2302-3

Título do Trabalho
NOVAS FORMAS DE ESPECIALIZAÇÃO REGIONAL PRODUTIVA NO SUL DA BAHIA: A PRODUÇÃO DE CACAU ESPECIAL COM CERTIFICAÇÃO DE ORIGEM
Autores
  • Karen Guimarães Benedicto Monteiro
  • Francisco das Chagas do Nascimento jr.
  • Jorge Chiapetti
Modalidade
Resumo
Área temática
Ciências Humanas - Geografia
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1275993-novas-formas-de-especializacao-regional-produtiva-no-sul-da-bahia--a-producao-de-cacau-especial-com-certificacao
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
Especialização regional; Indicação Geográfica; Sul da Bahia; Cacau especial.
Resumo
O estudo analisa a criação e os impactos da Indicação Geográfica (IG) Sul da Bahia, criada para valorizar o cacau produzido na tradicional região cacaueira. Durante o século XX, o sul da Bahia se destacou como um dos maiores polos produtores e exportadores de cacau do mundo. Porém, crises entre as décadas de 1980 e 1990, provocadas por fatores como a seca, a praga “Vassoura-de-Bruxa” e a instabilidade do mercado internacional, levaram ao declínio da produção e à falência de inúmeros produtores. Diante desse cenário, a IG surgiu como alternativa para agregar valor ao cacau, destacando sua qualidade superior, a produção sustentável em sistemas agroflorestais e a identidade cultural da região. A pesquisa, baseada em levantamento bibliográfico, entrevistas de campo com produtores e instituições locais e dados oficiais, mostra que a certificação trouxe ganhos expressivos aos produtores inseridos nesse novo circuito produtivo. O cacau certificado chega a preços até 200% superiores aos do cacau convencional, além de abrir portas para mercados nacionais e internacionais voltados para chocolates finos e de origem. A IG também impulsionou o surgimento de marcas regionais e pequenas indústrias que adotam os modelos “bean-to-bar” ou “tree-to-bar”, reforçando o protagonismo da região. Apesar dos avanços, o estudo revela que a difusão desse modelo é social e territorialmente seletiva. Menos de 10% dos cerca de 2.500 produtores da região obtiveram a certificação entre 2018 e 2023, e o volume de cacau certificado ainda representa uma fração mínima da produção total. Entre os principais obstáculos estão a falta de recursos financeiros, a baixa escolaridade média dos produtores e a carência de assistência técnica para atender às exigências de certificação, que envolvem práticas específicas de cultivo, fermentação, secagem, armazenamento e rastreamento. Além disso, a pesquisa evidencia que a IG é vulnerável às oscilações do mercado global. Mudanças bruscas nos preços internacionais das amêndoas impactam diretamente a rentabilidade dos produtores, o que ameaça a permanência de muitos nesse modelo. Embora a IG tenha potencial para ampliar a autonomia econômica e política dos agricultores, a região ainda se mantém dependente das dinâmicas da economia global, perpetuando uma condição histórica de subordinação. O estudo também aponta a necessidade de políticas públicas mais efetivas para ampliar a inclusão dos pequenos produtores. Recomenda-se a criação de programas de crédito rural acessível, centros de apoio técnico e capacitação contínua para orientar os agricultores em todas as etapas do processo. Experiências cooperativas, como a Coopessba, produtora do chocolate Natucoa, são exemplos de sucesso que devem ser fortalecidos e replicados. Apesar dos desafios, a IG trouxe avanços importantes para o setor, impulsionando a valorização da produção local, estimulando o empreendedorismo regional e projetando o cacau do sul da Bahia em mercados de maior valor agregado. O fortalecimento dessa cadeia produtiva não só pode garantir maior estabilidade econômica, como também contribuir para a preservação ambiental, já que os sistemas agroflorestais tradicionais são um diferencial sustentável. Em síntese, a IG Sul da Bahia é uma ferramenta promissora, mas ainda restrita. Seu pleno potencial depende de maior articulação entre produtores, governo e instituições de apoio para superar barreiras estruturais e ampliar o acesso ao modelo. Somente com ações integradas será possível transformar o cacau de identidade e qualidade reconhecida em um motor de desenvolvimento regional mais inclusivo e sustentável, consolidando o sul da Bahia não apenas como “terra do fruto de ouro”, mas como referência mundial em cacau de origem e chocolate premium.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MONTEIRO, Karen Guimarães Benedicto; JR., Francisco das Chagas do Nascimento; CHIAPETTI, Jorge. NOVAS FORMAS DE ESPECIALIZAÇÃO REGIONAL PRODUTIVA NO SUL DA BAHIA: A PRODUÇÃO DE CACAU ESPECIAL COM CERTIFICAÇÃO DE ORIGEM.. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1275993-NOVAS-FORMAS-DE-ESPECIALIZACAO-REGIONAL-PRODUTIVA-NO-SUL-DA-BAHIA--A-PRODUCAO-DE-CACAU-ESPECIAL-COM-CERTIFICACAO. Acesso em: 22/05/2026

Trabalho

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