ESPAÇOS PÚBLICOS PARA PRIMEIRA INFÂNCIA: CARTILHA DE PRÁTICAS COLABORATIVAS

Publicado em 27/07/2022 - ISBN: 978-65-5941-759-9

Título do Trabalho
ESPAÇOS PÚBLICOS PARA PRIMEIRA INFÂNCIA: CARTILHA DE PRÁTICAS COLABORATIVAS
Autores
  • Isis Detomi
  • Ana Laura Souza Vargas
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
GT 01 – Experiências de ensino, pesquisa e extensão em Direito Urbanístico; teoria do Direito Urbanístico seus objetivos e princípios; intersecções e articulações com os demais ramos e teorias do Direito
Data de Publicação
27/07/2022
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xicbdu2022/482538-espacos-publicos-para-primeira-infancia--cartilha-de-praticas-colaborativas
ISBN
978-65-5941-759-9
Palavras-Chave
Cartilha, Primeira Infância, Espaços Públicos, Práticas Colaborativas, Concurso Latino-Americano
Resumo
O “BRA-2020-022 IDB Technical Assistance for Urban95" foi um projeto colaborativo, a partir de um chamamento público realizado em 2021, produzido por meio de parceria técnica entre o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e a Fundação Bernard van Leer (FBvL). Teve por objetivo desenvolver, implementar e ampliar soluções inovadoras e sustentáveis de mobilidade e espaço público, com enfoque no desenvolvimento de crianças entre 0 e 6 anos por meio da inclusão do conceito de primeira infância nas estratégias de planejamento urbano. Desta forma, este trabalho relata a experiência de um grupo de pesquisadores que participou e foi aceito no referido concurso. Foi desenvolvida uma cartilha lúdica e acessível, que visava incentivar comunidades e o poder público a cocriarem novas formas de uso e ocupação de espaços públicos existentes, considerando as demandas da primeira infância. Apresentou-se passos para: criação de redes, mapeamento colaborativo do território, atividades, práticas e brincadeiras, tendo o entendimento que o cuidado com as crianças estimula a promoção de cidades mais inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis na América Latina. Saliento a importância de tal experiência de ensino, pelo projeto colaborativo que se mostra como um significativo instrumento de escolha de ideias e como parte de um processo próprio do estado democrático e de direito. Podemos dizer, de maneira geral, que visa contribuir para o aprimoramento da produção do espaço urbano, para o reconhecimento social e para um exercício de disseminação de boas práticas, permitindo a discussão coletiva e pública com os valores intrínsecos e fundamentais, que defende a produção, a implementação e a extensão de soluções técnicas com enfoque no desenvolvimento do coletivo, no caso da experiência das crianças. Considerando escutar e garantir o reconhecimento de crianças pequenas como cidadãos, fazendo erguer a voz e os argumentos claros do abismo para o qual se encaminham as cidades brasileiras, a persistirem os interesses escusos que se colocam. Reverter, portanto, essa inflexão dialogando e disseminando o potencial mobilizador. Atentando-se para as desiguais condições que marcam a educação em nosso país, soma-se o contexto da pandemia Covid-19, em que as escolas brasileiras, fechadas há mais de um ano, faziam emergir novas dúvidas que suscitam contínuos diálogos em nossa equipe. Entende-se que o contexto pandêmico exaltou as desigualdades sociais presentes no contexto brasileiro e que, por isso, é necessário trabalhar em torno das comunidades mais vulneráveis relacionadas ao acesso à saúde pública e à educação. O projeto visa enaltecer um trabalho de mobilização comunitária em torno dos espaços públicos de modo a recuperar a potencialidade dos mesmo enquanto áreas de convivência, de encontro e da aproximação dos moradores e moradoras com o espaço em que vivem, gerando sentimentos de pertencimento e identificação com o espaço, situação inviabilizada pelo contexto da pandemia, em que as relações tiveram de se restringir ao espaço virtual. Nesse caso, toda cidade deve ser dotada de espaços que potencializem encontros, trocas e compartilhamentos, que sejam capazes de mediar relações e de representar as inúmeras possibilidades de se viver naquele lugar, de cocriar, de agir e de brincar. Entender que mobilizar é convocar cotidianamente vontades, escolhas, decisões e ações por um objetivo comum é necessário para que possamos desenvolver novas relações com as cidades que habitamos e os lugares que frequentamos. Tal experiência do referido concurso nos faz querer, juntos, projetar consensos e estratégias para as nossas cidades, tendo em vista a valorização e inclusão de todas as vidas que componham a primeira infância, independente da classe, raça ou gênero. Provocar e construir mudanças, propor transformações em busca de uma vida mais justa, igualitária e inclusiva, construir a partir do coletivo, pelo coletivo e para o coletivo. Mobilizar é tudo isso e mais. Deve-se enfatizar nessa conjuntura, as décadas de 1980 e 90, em que foi construído um marco internacional e nacional relativo à consolidação das discussões sobre os direitos das crianças e dos adolescentes, o que pode ser atestado pela Convenção Internacional dos Direitos das Crianças e Adolescentes (1989) e, no caso brasileiro, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em 1990. Com base na Convenção Internacional dos Direitos das Crianças e Adolescentes, em 1996, o UNICEF e a UN-Habitat lançaram a iniciativa Cidades Amigas da Criança, com o propósito de criar uma rede com participação de órgãos de governo, sociedade civil, academia e outros. Já no Brasil, alguns dos avanços significativos foram promovidos pelo ECA como a concepção de um desenvolvimento integral, que exige superar a divisão de áreas nas políticas públicas, a criação de Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente e do Fundo da Infância e da Adolescência. No entanto, a integralização das políticas em torno das crianças e dos adolescentes ainda é um desafio cotidiano, nas esferas municipais, estaduais e federal. Procurando caminhos para a integralização das políticas, uma iniciativa importante criada pelo Unicef-Brasil, em 2008, foi a Plataforma dos Centros Urbanos (PCU), na busca de um modelo de desenvolvimento inclusivo das grandes cidades que reduza as desigualdades que afetam negativamente a vida de suas crianças e de seus adolescentes, garantindo a cada um deles maior e melhor acesso à educação de qualidade, saúde, proteção e oportunidades de participação. Essa experiência mostra a importância do território e do fortalecimento das relações nas comunidades e da participação social e abre caminho para se pensar e produzir cidades democráticas, já que produzir cidades democráticas é também promover cidades inclusivas para as crianças. Nas mesmas décadas, arquitetas como Dolores Hayden, promoviam a crítica feminista ao direito à cidade e ao padrão hegemônico de produção de cidades baseadas em modelos eurocêntricos. Tais perspectivas ganham campo e se somam às novas formas colaborativas de planejamento e gestão, às novas concepções, com as cidades cuidadoras e debates acerca de espaços de cuidado. Em comum,esses panoramas englobam os preceitos de corresponsabilidade, igualdade de gênero e respeito pela diversidade. Pensar em uma cidade amiga da criança é pensar em uma cidade para todos: com menos poluição, mais áreas verdes e que ofereça uma mobilidade mais livre, fácil e segura. Essa abordagem é capaz de unir várias pautas progressivas como o bem-estar, sustentabilidade, resiliência, igualdade de gênero e justiça social, atuando então como um catalisador para inovações urbanas. Para além dos playgrounds, pensar, planejar, projetar e cocriar a cidade para as crianças é considerar que os parques, as ruas, calçadas e demais espaços urbanos podem e devem se adequar às suas necessidades. Priorizar a primeira infância no ambiente urbano é construir uma cidade que favoreça o desenvolvimento da criança e suas perspectivas, com impactos inclusive na vida adulta. Diante desse contexto, neste projeto voltamos nossos olhares para os espaços públicos a partir da perspectiva das crianças e acreditamos na necessidade de estimular as pessoas a se apropriarem dos mesmos, enquanto coletivo, para reafirmação do direito à cidade à todos e todas. Consideramos que os espaços públicos precisam de gente, gente com vontade de estar, compartilhar e brincar! Assim, nosso objetivo (quadro 1) foi reunir crianças de 0 a 6 anos, seus familiares e cuidadores, em praças, ruas, largos, parques, jardins, cantinhos e lugares que estão por aí, pelo bairro. Metodologicamente, optou-se por estabelecer uma linguagem gráfica em forma de cartilha, um instrumento lúdico e acessível, como um material de democratização do acesso ao saber e de sensibilização da comunidade para a prática e a ação. A situação do estudo ainda se encontra em desenvolvimento pelo grupo, por essa razão, ainda não foram desenvolvidos indicadores de monitoramento dos resultados, mas cabe destacar a viabilidade de um resultado: que os espaços sejam apropriados cotidianamente, que as práticas e brincadeiras sejam desdobradas, que as crianças sejam envolvidas pelos espaços públicos, que todas e todos se sintam seguros. Com suporte na mobilização da comunidade detentora de vontade, desejos, decisões e ações, para então criarmos as cidade que habitamos e ter o nosso direito à cidade, como podemos ver em algumas páginas do documento criado: Sonhamos novas perspectivas para os espaços, identificamos suas potencialidades, comunicamos, compartilhamos e cocriamos novos horizontes. Tornamos as cidades e os assentamentos mais humanos, inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis quando tratamos o espaço público com gentileza e leveza. Acreditamos que é possível mudar e mudamos, acreditamos que é possível mobilizar e mobilizamos! Não vencemos nossas cidades, usufruímos das mesmas, buscamos a representação e o abraço, criamos tempo para estar, para conviver, para interagir, para trocar, para viver! Construímos e transformamos colaborativamente e coletivamente e, agora, somos um só movimento... o que nos resta se não brincar?
Título do Evento
XI Congresso Brasileiro de Direito Urbanístico
Cidade do Evento
Salvador
Título dos Anais do Evento
Anais do XI Congresso Brasileiro de Direito Urbanístico
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

DETOMI, Isis; VARGAS, Ana Laura Souza. ESPAÇOS PÚBLICOS PARA PRIMEIRA INFÂNCIA: CARTILHA DE PRÁTICAS COLABORATIVAS.. In: Anais do XI Congresso Brasileiro de Direito Urbanístico. Anais...Salvador(BA) UCSal, 2021. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xicbdu2022/482538-ESPACOS-PUBLICOS-PARA-PRIMEIRA-INFANCIA--CARTILHA-DE-PRATICAS-COLABORATIVAS. Acesso em: 15/05/2026

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