SUSTENTABILIDADE E TERRITÓRIO: BREVE ANÁLISE DE PUBLICAÇÕES SOBRE O ENTORNO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO NO BRASIL

Publicado em 23/12/2021

Título do Trabalho
SUSTENTABILIDADE E TERRITÓRIO: BREVE ANÁLISE DE PUBLICAÇÕES SOBRE O ENTORNO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO NO BRASIL
Autores
  • Francislene Michelle Dias
  • Renata Bernardes Faria Campos
Modalidade
Resumo Expandido e Trabalho Completo
Área temática
GT 01 - Conflitos Socioambientais
Data de Publicação
23/12/2021
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xc22021/437734-sustentabilidade-e-territorio--breve-analise-de-publicacoes-sobre-o-entorno-de-unidades-de-conservacao-no-brasil
ISSN
Palavras-Chave
sustentabilidade, Unidade de conservação, zona de amortecimento
Resumo
Introdução O modelo de gestão de áreas protegidas no Brasil, sustentado pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação é um avanço no que se refere à proteção das Unidades de Conservação, principalmente após a promulgação desta Lei 9.985 de 18 de julho de 2000. O presente estudo teve como objetivo fazer um breve mapeamento das produções sobre sustentabilidade no entorno de unidades de conservação no Brasil. Compuseram o referencial teórico autores como Henrique Leff, Marcelo Lopes de Souza e Carlos Walter Porto-Gonçalves em função de sua importante discussão acerca da crise ambiental, território, sustentabilidade e o desenvolvimento sustentável. Foi feita uma busca sistemática delimitando “Unidade de Conservação” como assunto e zona de amortecimento OR sustentabilidade. A busca inicial realizada no portal de periódicos da CAPES retornou 73 textos, dos quais 67 foram publicados nos últimos 10 anos, sendo três deles repetidos e um descartado por se tratar de trabalho sobre saneamento. Dentre estas, foram considerados somente os 29 artigos revisados por pares disponíveis para análise. Os artigos foram então lidos e agrupados em função do foco principal do texto. 1. Fundamentação teórica A crise ambiental emerge assim como a marca da falta de conhecimento e equilíbrio, constituindo no feixe em que convergem os sentidos da relação cultura-natureza e divergem os sentidos polêmicos e antagônicos dos discursos da sustentabilidade. Contudo, o assunto é mais amplo e pode ser melhor entendido se considerarmos que o sistema capitalista, de algum modo propõe e/ou impõe questões à lógica de desenvolvimento, que podem interromper o desenvolvimento sustentável. A crise ambiental é um questionamento sobre a natureza e o papel do ser no mundo, pois põe em discussão a linha do tempo que constrói a cultura e as tradições, ou seja, a formação da sociedade. Justamente por isso, a solução para a crise ambiental atual, não poderia basear-se no refinamento do projeto científico e epistemológico que fundou o desastre ecológico, a alienação do homem, o desconhecimento do mundo e impregnou a diversidade cultural (LEFF, 2003). Esse paradoxo do conflito e do desenvolvimento, perpassa por linhas tênues em que é necessário um aprofundamento em ambos os conceitos, a fim de gerar possibilidades e soluções para caminhos que sugiram menos os conflitos socioambientais e deem foco no desenvolvimento sustentável. Neste sentido, “O conceito de território, de toda sorte, é basicamente socioespacial: ou seja, ele nos remete, aquela dimensão do espaço geográfico que é o espaço social” (SOUZA, 2019, p.38). O autor traz uma ideia de natureza e do espaço, onde as relações se fazem, se transformam, guiadas, muitas vezes, pelo próprio território. Porto-Gonçalves (2004) conceitua o desenvolvimento com uma vertente longínqua quanto interligada ao ambiente. “Desenvolvimento é o nome-síntese da ideia de dominação da natureza. Afinal, ser desenvolvido é ser urbano, é ser industrializado, enfim, é ser tudo aquilo que nos afaste da natureza e que nos coloque diante de constructos humanos, como a cidade, como a indústria.” (Porto-Gonçalves, 2004, p. 24). Segundo Porto-Gonçalves (2004) a relação do homem com a natureza se baseia em conceituações. “Não existe relação com a natureza a não ser por meio de um conjunto de significações socialmente instituído e, portanto, possível de ser reinventado num processo aberto, complexo, contraditório e indefinido sempre em condições históricas e geograficamente determinadas”. (PORTO-GONÇALVES, 2004, p. 44). Para Leff (2009) o saber ambiental se inscreve no terreno do poder que atravessa todo saber, do ser que sustenta todo saber e do saber que configura toda identidade, e constrói estratégias de reapropriação do mundo e da natureza. Neste contexto, insere-se todo o conjunto de constituição das Unidades de Conservação, dos Parques Estaduais, e da sociedade em geral. A crise ambiental é, sobretudo, um problema de conhecimento, o que leva a repensar o ser do mundo complexo, a entender suas vias de complexização, para dali abrir novas vias do saber no sentido da reconstrução e da reapropriação do mundo (LEFF, 2003). 2. Resultados alcançados Dos 29 artigos analisados a maior parte (treze) trata das relações entre a conservação das comunidades, seja do entorno no caso de unidades de conservação de proteção integral, particularmente os parques, seja no seu interior, no caso de unidades de conservação de uso sustentável. Estes trabalhos destacam a importância da organização e participação social tanto no processo de criação quanto da gestão das unidades de conservação. Entre estes trabalhos a pesquisa também é apontada como importante para a integração do conhecimento local com o manejo de UCs. Neste grupo de trabalhos destacamos um conjunto de cinco trabalhos que analisa de diferentes perspectivas a relação entre a conservação e o turismo. Assim, dois trabalhos estudaram a percepção dos visitantes, outros dois analisam a participação da comunidade no desenvolvimento do turismo e a relação do turismo com a sustentabilidade, particularmente o turismo de base comunitária, que pode comparecer como uma forma de melhorar a qualidade de vida nas comunidades. Um dos trabalhos vai trazer uma discussão teórica sobre a relação entre a Reserva da Biosfera e o conceito de desenvolvimento sustentável, apontando como tais reservas poderiam ser mais bem implementadas. Cinco outros artigos versam principalmente sobre conflitos e destaca-se aí a não diluição de conflitos pela terra/território tradicional após a criação de reserva extrativista. São tratados também neste grupo de artigos, metodologias de compensação, a percepção de conflitos e o acesso a recursos naturais. Seis dos trabalhos versam sobre aspectos físicos e biológicos das unidades de conservação e seu entorno. Estes trabalhos analisam impactos do processo de antropização no entorno, registros e implicações de espécies exóticas em unidades de conservação. Alguns destes trabalhos mostram tentativas de conciliação entre conservação e a gestão socioambiental por meio da etnobotânica, dado o uso sustentável das plantas, com destaque para a importância das mulheres neste processo. Identificamos ainda dois trabalhos sobre a história da criação de unidades de conservação que denunciam a precariedade neste processo que em alguns já se constitui em obstáculo para a conservação. Sobretudo, a falta de políticas públicas integradas já desloca estas áreas para um segundo plano entre as estratégias de desenvolvimento e por vezes implica na percepção de unidades de conservação como obstáculo para o desenvolvimento. Conclusões Conclui-se que há abundante bibliografia sobre sustentabilidade e unidades de conservação no Brasil, fato que, para nós revela a importância e complexidade do assunto. Entendemos que, no atual cenário de crise ambiental e concessão das unidades de conservação públicas para a iniciativa privada deve ser motivo de acompanhamento pela sociedade e academia para que este processo seja de fato implementado de modo sustentável e contribua para a conservação da biodiversidade e melhoria da qualidade de vida das pessoas. Referências bibliográficas LEFF, Enrique. Discursos sustentáveis. Enrique Leff; tradução Silvana Cobucci Leite - São Paulo: Cortez, 2010. PORTO-GONÇALVES, Carlos W. O Desafio Ambiental. Rio de Janeiro, Editora Record, 2004. SOUZA, Marcelo Lopes de. Ambientes e territórios: uma introdução à ecologia política, 1 ed, Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2019.
Título do Evento
10º CONINTER - CONGRESSO INTERNACIONAL INTERDISCIPLINAR EM SOCIAIS E HUMANIDADES
Título dos Anais do Evento
Anais do 10º CONINTER - CONGRESSO INTERNACIONAL INTERDISCIPLINAR EM SOCIAIS E HUMANIDADES
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

DIAS, Francislene Michelle; CAMPOS, Renata Bernardes Faria. SUSTENTABILIDADE E TERRITÓRIO: BREVE ANÁLISE DE PUBLICAÇÕES SOBRE O ENTORNO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO NO BRASIL.. In: Anais do 10º CONINTER - CONGRESSO INTERNACIONAL INTERDISCIPLINAR EM SOCIAIS E HUMANIDADES. Anais...Niterói(RJ) Programa de Pós-Graduação em, 2021. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xc22021/437734-SUSTENTABILIDADE-E-TERRITORIO--BREVE-ANALISE-DE-PUBLICACOES-SOBRE-O-ENTORNO-DE-UNIDADES-DE-CONSERVACAO-NO-BRASIL. Acesso em: 31/05/2026

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