O COMER E O PRESERVAR: PROPOSTAS EXTENSIONISTAS DE APROXIMAÇÃO ENTRE LAZER E GASTRONOMIA AO PARQUE NATURAL MUNICIPAL DO MARAPENDI, RIO DE JANEIRO

Publicado em 23/12/2021

Título do Trabalho
O COMER E O PRESERVAR: PROPOSTAS EXTENSIONISTAS DE APROXIMAÇÃO ENTRE LAZER E GASTRONOMIA AO PARQUE NATURAL MUNICIPAL DO MARAPENDI, RIO DE JANEIRO
Autores
  • Felipe Moraes Jorge
  • Dan Gabriel D'Onofre Andrade Silva Cordeiro
Modalidade
Resumo Expandido e Trabalho Completo
Área temática
GT 37 - Turismo e Gastronomia
Data de Publicação
23/12/2021
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xc22021/437271-o-comer-e-o-preservar--propostas-extensionistas-de-aproximacao-entre-lazer-e-gastronomia-ao-parque-natural-munici
ISSN
Palavras-Chave
Lazer; Geografia Gastronômica; Parque Natural Municipal do Marapendi; Extensão
Resumo
Introdução O Parque Natural Municipal do Marapendi constitui um complexo de unidades de conservação contínuas que se localizam entre os bairros da Barra da Tijuca e do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste carioca. A importância desta unidade para com a preservação de ecossistemas lacustre e de mangue se orienta mediante à caracterização da biodiversidade local contrastando com o forte processo de antropização de um dos territórios mais valorizados pelo mercado imobiliário da capital fluminense. Com o ímpeto de apresentar o processo de aproximação extensionista em curso, sustentado na Política Nacional de Extensão Universitária, a presente comunicação preconiza desenvolver uma proposta de atividade recreativa que alinhe educação ambiental e gastronomia. Nesse sentido, apresenta-se por intermédio de uma pesquisa bibliográfica e observação participante junto ao PNMM uma interação dialógica tendo como base a biodiversidade desta unidade de conservação que poderá vir a ser convertida em produto geograstronômico. Para tanto, recorre-se a uma análise sobre o histórico do PNMM e sua importância, caracterizando elementos da biodiversidade passíveis de serem incorporados em atividades recreativas que envolvam o comer e o preservar. 1. Fundamentação teórica As unidades de conservação são expressões de processos de disputa. Ao se organizarem mediante a paradoxos, Fernandez (2016) discorre sobre como as unidades de conservação (UC) se consolidaram segundo representações que estruturam conflitos. Ou seja, ao contribuir com reflexões sobre as dimensões políticas que a natureza possui, a autora enfatiza que a romantização da integração do ser humano com o ambiente, segundo a contemplação da natureza, vincula-se às normas relacionadas aos sentidos iluministas que ressaltam o mundo selvagem como de interesse, ainda que seu uso público venha a passar por intervenções paisagísticas sob a norma da ludicidade. Com a instituição do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) por intermédio da Lei 9.985/2000, concepções sobre seus usos passam a ser mediados segundo os planos de manejo das UC, bem como de acordo com o modo como o Estado manifesta sua gestão para tais. Assim, concorda-se com Fernandez (2016) tanto no que diz respeito à primazia dada ao usufruto recreativo das UC, como também as diferenciações destas mediante sua natureza, sua história e os fatores que orientam maior ou menor inclusão às populações que vivem dentro ou nos arredores destas. Nos sentidos acionados pelo processo de fruição junto às UC, explicita-se as atividades recreativas que envolvem a visão, o tato, o olfato, a audição de elementos que compõem a paisagem circunscrita, refletindo a biodiversidade em conservação ou preservação. Porém, são restritas as iniciativas lúdicas que envolvem o paladar e o comer daquilo que há nos parques. O comer junto às UC gera uma série de tensões, pois, ao passo que demanda uma carga de itens que são levados por visitantes, impõe uma dinâmica de uso e descarte de itens, fora os impactos que isso gera junto à biodiversidade circunscrita tanto dentro, como longe de parques. Ainda assim, é relevante dizer que a proibição e aversão à caça, sobretudo de algumas espécies de animais mamíferos, gera tensões significantes aos planos de manejo das UC, tendo menor restrição às atividades de pesca e coleta de itens vegetais. Posto ser fundamental compreender o que tanto o Plano de Manejo (ARCADYS, 2016), como as práticas de gestão do PNMM versam sobre o comer, abre-se um processo de aproximação ao debate advindo da geografia gastronômica (RAMOS, 2021) e sua relação com a concepção de GEOfood ®. Campo em vias de consolidação junto à ciência geográfica, a geografia gastronômica tem dado passos rumo ao processo de compreensão da centralidade de análise de produtos geogastronômicos via instrumentais e metodologias desta disciplina (RAMOS, 2021). Cabe salienta que um dos marcos analíticos que suscita o campo é o conceito de GEOfood ®. Ramos e Moreira (2021) revelam que GEOfood ® enquanto projeto teve seu início no ano de 2014, sendo pioneiro o Magma Geoparque, localizado na Noruega. Para que se considere como GEOfood ®, os autores indicam que para além de o geoparque se vincular à Rede Global de Parques (GGN, sigla em inglês), o produto gastronômico deve possuir um vínculo com a UC, possibilitando via comensalidade e alimento elos com o patrimônio geológico em questão. De modo que o Plano de Manejo do PNMM prevê quais atividades são permitidas para o desenvolvimento da recreação e do turismo ecológico, cabe segundo o debate ainda inicial sobre os produtos geogastronômicos, compreender como as atividades de Educação Ambiental desta UC permitem dimensionar o paladar e o comer enquanto lazer mediado pela sua biodiversidade. 2. Resultados alcançados Embora o Plano de Manejo do Parque Natural Municipal do Marapendi envolva mais duas unidades de conservação, a saber, Área de Proteção Ambiental de Marapendi (APA Marapendi) e o Parque Natural Municipal da Barra da Tijuca Nelson Mandela, dedica-se atenção sobretudo àquela mediante a exequibilidade da pesquisa iniciada em meados de 2021. A pandemia da COVID 19 impôs questões restritivas que orientam novas iniciativas para não somente frear a circulação do novo coronavírus, como também repensar as atividades que são desempenhadas junto ao PNMM. Segundo seu Plano de Manejo (ARCADYS, 2016), o que hoje é o PNMM resulta de processos de patrimonialização que se originam na década de 1970. Sob a normatização do SNUC, o PNMM passa a ter a categorização de parque natural a partir do ano de 2003 via Decreto Municipal nº 22.662/2003. O mesmo plano indica que esta UC não possui sede própria, tendo apenas uma sala junto ao Centro de Educação Ambiental de Marapendi (CEA Marapendi). Segundo Monteiro et al. (2016), o CEA Marapendi se responsabiliza pela execução de atividades recreativas pautadas no conceito de Educação Ambiental que envolvem visitas guiadas junto à unidade e às 3 trilhas que o mesmo detém. Contando com estacionamento, bicicletário, sanitários, brinquetos infantis, tanto o CEA Marapendi, quanto sua administração manifestam interesse em promover uma agenda de atividades que atraia mais público junto à unidade. Tendo como princípios a preservação desta unidade que se estende por mais de 154 hectares, iniciativas que envolvem o Grupo de Pesquisa de Estudos Sociais em Hospitalidade e Lazer do Departamento de Economia Doméstica e Hotelaria da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro estão em curso, visando uma aproximação para repensar a pauta de atividades recreativas que promovam o patrimônio para moradores e visitantes que se submetam aos protocolos que vigoram em contexto pandêmico. Nesse sentido, apresentam-se iniciativas que permitam mediante o Plano de Manejo do PNMM compilar itens da biodiversidade que podem vir a constituir produtos geogastronômicos, sendo fundamental considerar os preceitos de como se operará a comensalidade, além de toda a estrutura que a experiência envolvendo o paladar permitirá caso seja possível. Por conta disso, aproximar os debates sobre a memória desta UC, bem como a atenção a um sentido relegado a segunda ordem nas experiências sensitivas do lazer junto ao PNMM poderá lança-lo como pioneiro junto à cidade do Rio de Janeiro na oferta de sabores, saberes e um produto geogastronômico próprio. Conclusões Ao passo que a aproximação da equipe do PNMM e da UFRRJ segue em curso, os processos de construção de iniciativas extensivas estão sendo estruturados tanto sob as precauções que a pandemia da COVID 19 demanda, como também sobre os pilares que orientam a Política Nacional de Extensão Universitária. Em respeito às suas cinco diretrizes (a saber, Interação Dialógica; Interdisciplinaridade e Interprofissionalidade; Indissociabilidade Ensino-Pesquisa-Extensão; Impacto na Formação do Estudante; e Impacto e Transformação Social), iniciam-se os processos de diálogo sobre o paladar enquanto experiência recreativa junto ao PNMM que poderá levar esta UC carioca ao pioneirismo na promoção de produtos geogastronômicos para moradores e visitantes. Referências bibliográficas ARCADYS. Apoio técnico ao processo de elaboração do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental de Marapendi, do Parque Natural Municipal de Marapendi e do Parque Natural Municipal da Barra da Tijuca Nelson Mandela. Rio de Janeiro: ARCADYS, Prefeitura do Rio de Janeiro, 2016. Disponível em: http://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/5529306/4153242/Modulo3_Final_RevisaoFinal_190116.pdf Acesso em 5 out. 2021. FERNANDEZ, A. C. F. O sertão virou parque: natureza, cultura e processos de patrimonialização. Estudos Históricos (Rio de Janeiro), v. 29, p. 127-146, 2016. MONTEIRO, G. M. ET AL. A importância da educação ambiental em unidades de conservação – caso Parque Natural Municipal de Marapendi. In: 5º SIMPÓSIO DE GESTÃO AMBIENTAL E BIODIVERSIDADE, 2016, Três Rios/RJ. Anais...Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Três Rios/RJ: 2016, p. 402-405. Disponível em: https://itr.ufrrj.br/sigabi/wp-content/uploads/5_sigabi/Sumarizado/59.pdf Acesso em 5 out. 2021. RAMOS, R.G.; MOREIRA, J.C. Características e exemplos da oferta gastronômica relacionada ao patrimônio geológico no âmbito da Rede Global de Geoparques (GGN). Revista Mangut: Conexões Gastronômicas. v.1, n.1, 2021. pp.56 – 73. RAMOS, R.G. A geografia gastronômica dos Campos Gerais do Paraná na perspectiva da regionalização do turismo. 2021. Tese (Doutorado em Geografia). Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa/PR, 2021.
Título do Evento
10º CONINTER - CONGRESSO INTERNACIONAL INTERDISCIPLINAR EM SOCIAIS E HUMANIDADES
Título dos Anais do Evento
Anais do 10º CONINTER - CONGRESSO INTERNACIONAL INTERDISCIPLINAR EM SOCIAIS E HUMANIDADES
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

JORGE, Felipe Moraes; CORDEIRO, Dan Gabriel D'Onofre Andrade Silva. O COMER E O PRESERVAR: PROPOSTAS EXTENSIONISTAS DE APROXIMAÇÃO ENTRE LAZER E GASTRONOMIA AO PARQUE NATURAL MUNICIPAL DO MARAPENDI, RIO DE JANEIRO.. In: Anais do 10º CONINTER - CONGRESSO INTERNACIONAL INTERDISCIPLINAR EM SOCIAIS E HUMANIDADES. Anais...Niterói(RJ) Programa de Pós-Graduação em, 2021. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xc22021/437271-O-COMER-E-O-PRESERVAR--PROPOSTAS-EXTENSIONISTAS-DE-APROXIMACAO-ENTRE-LAZER-E-GASTRONOMIA-AO-PARQUE-NATURAL-MUNICI. Acesso em: 06/06/2026

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