GESTÃO PARTICIPATIVA DE RECURSOS HÍDRICOS NA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL DO CAIRUÇU – APA CAIRUÇU.

Publicado em 14/03/2022 - ISSN: 2316-266X

DOI
10.29327/163912.7-6  
Título do Trabalho
GESTÃO PARTICIPATIVA DE RECURSOS HÍDRICOS NA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL DO CAIRUÇU – APA CAIRUÇU.
Autores
  • Paula Callegario
  • Paula Chamy
  • Sidney Lianza
Modalidade
Comunicação Oral - Resumo
Área temática
[GT 03] Conservação da natureza e inclusão social
Data de Publicação
14/03/2022
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/viiconinter2018/113477-gestao-participativa-de-recursos-hidricos-na-area-de-protecao-ambiental-do-cairucu--apa-cairucu
ISSN
2316-266X
Palavras-Chave
participação, água, conservação, recuperação ambiental, câmara temática
Resumo
Nas últimas décadas o Brasil tem apresentado diversas experiências de participação social na gestão pública, enfatizando a inclusão política de setores marginalizados e justiça social. Tais experiências destacam o país, segundo Avritzer (2008), como o que exibe o maior número de iniciativas participativas distribuídas em diversos formatos (e.g. consultas públicas, conselhos), enquanto Martelli, Luchmann e Almeida (2016) destacam a expansão de setores que passaram a participar da gestão pública em anos recentes. Na esfera ambiental existem inúmeros atores com interesses conflitantes pelo uso dos espaços e recursos naturais, mas no Brasil, o marco da inclusão da participação na gestão de políticas públicas, incluindo a ambiental, se deu com a promulgação da Constituição Federal de 1988. A gestão participativa de recursos naturais está prevista em diversos diplomas legais brasileiros como: i) Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA - Lei 6.938/81) que tem como um dos objetivos a educação e capacitação da sociedade para participação ativa na defesa do meio ambiente, tendo instituído o maior colegiado participativo sobre meio ambiente, o Conselho Nacional de Meio Ambiente, (CONAMA); ii) a já citada Constituição Federal de 1988, que no artigo 225 assegura a todos os cidadãos brasileiros um ambiente saudável e equilibrado, mas responsabiliza a coletividade e o Poder Público por sua proteção; iii) Sistema Nacional de Unidade de Conservação (SNUC, Lei 9.985/2000 regulamentada pelo Decreto 4.340/2002) que estabelece a necessidade de criação de fóruns como os conselhos gestores e a compatibilização de diversos segmentos sociais no âmbito das áreas protegidas. Especificamente sobre recursos hídricos, fundamental para esse estudo, inclui-se ainda a Política Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (PNGRH - Lei 9.433/1997). A PNGRH possui como fundamento a gestão descentralizada dos recursos hídricos com participação do governo, dos usuários e das comunidades atingidas pelo uso do recurso por meio de comitês de bacia hidrográfica, colegiados criados para discutir questões relacionadas ao uso das águas e composto por diversos setores da sociedade e do poder público. Este trabalho alicerçado em pesquisa qualitativa (FLICK, 2009), tem como objetivo verificar oportunidades e estratégias que contribuam para a sustentabilidade e distribuição equitativa dos recursos hídricos por meio de mecanismos de gestão participativa em conselhos gestores de áreas protegidas, utilizando como estudo de caso o Conselho Gestor da Área de Proteção Ambiental (APA) de Cairuçu – CONAPA Cairuçu. A Área de Proteção Ambiental (APA) de Cairuçu está localizada no município de Paraty, sul do Estado do Rio de Janeiro, abrange aproximadamente metade do município (890,72 hectares) e abriga diversidade de populações tradicionais (indígenas, caiçaras e quilombolas) e importante parcela do bioma Mata Atlântica. Criada em 1983 (Decreto 89.242), a APA "tem por objetivo assegurar a proteção do ambiente natural, que abriga espécies raras e ameaçadas de extinção, paisagens de grande beleza cênica, sistemas hidrológicos da região (grifo) e as comunidades caiçaras integradas nesse ecossistema” (BRASIL, 1983). A unidade de conservação (UC) teve também o intuito de minimizar as tensões socioambientais geradas por intensos conflitos fundiários na região e que envolveram diferentes tipos de comunidades tradicionais, em especial as comunidades caiçaras explicitamente citadas em seu texto de criação (FONSECA & SILVA, 2015). Seguindo os preceitos de participação dos principais diplomas legais mencionados, o conselho da APA Cairuçu (CONAPA) detectou quatro temas principais para o direcionamento das ações prioritárias da APA. Para tanto, foram criadas quatro câmaras temáticas (CT), fóruns de discussão de caráter permanente para direcionar planos de ação (as quatro CTs são: i) comunidades locais e povos tradicionais, ii) licenciamento ambiental, iii) recursos hídricos e v) comunicação e formação), além de grupos de trabalhos (GT) de caráter temporário para tratar de assuntos específicos, demandas e conflitos relacionados ao tema das CTs. Tanto as CTs como os GTs tiveram sua formação baseada na demanda dos setores representativos do CONAPA (órgãos públicos; setores da iniciativa privada, populações tradicionais; instituições de pesquisa, movimentos sociais, organizações não governamentais e usuários). Ainda que o conselho não esteja despido de conflitos entre os diferentes setores que o compõe, já que há setores com interesses claramente antagônicos (e.g. prefeitura que tem interesse em expandir a especulação imobiliária e caiçaras que defendem mecanismos de turismo de base comunitária e defesa de territórios), no caso da CT de recursos hídricos, o compromisso coletivo reverberou na promoção de ações de gestão participativa ativa, incluindo alocação de recursos para possibilitar a participação de setores vulneráveis como comunidades indígenas. As ações de gestão participativa da CT de recursos hídricos até o momento são: i) nivelamento de informação e formação dos participantes do conselho (com extensão a pessoas que demonstravam interesse na colaboração das atividades); ii) implantação de projeto piloto para a recuperação de nascente associado a meliponicultura; iii) seminários; iv) curso de formação em parceria como Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ); v) medições e mapeamento para determinação da qualidade hídrica; vi) elaboração de cartilha para desenvolvimento de projeto de evapotranspiração; vii) implementação de projeto bacia de evapotranspiração. A interlocução entre os diferentes setores da sociedade na CT de recursos hídricos da APA de Cairuçu revelou que interlocução entre diferentes setores da sociedade é possível quando há compromisso dos envolvidos. Essa CT foi a que teve maiores avanços em número de iniciativas até o momento se comparado às outras CTs do CONAPA. Como espaço legítimo e de atuação da comunidade e com o apoio da equipe gestora da UC, ações voltadas para a formação e informação dos conselheiros e comunidade interessada podem resultar em efetiva melhoria das condições hídricas e sociais da APA de Cairuçu e auxiliar a vencer os abismos nas relações de poder não raro existentes em espaços que se denominam participativos.
Título do Evento
VII Coninter
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais VII CONINTER
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital
DOI

Como citar

CALLEGARIO, Paula; CHAMY, Paula; LIANZA, Sidney. GESTÃO PARTICIPATIVA DE RECURSOS HÍDRICOS NA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL DO CAIRUÇU – APA CAIRUÇU... In: Anais VII CONINTER. Anais...Rio de Janeiro(RJ) UNIRIO, 2018. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/VIIConinter2018/113477-GESTAO-PARTICIPATIVA-DE-RECURSOS-HIDRICOS-NA-AREA-DE-PROTECAO-AMBIENTAL-DO-CAIRUCU--APA-CAIRUCU. Acesso em: 24/05/2026

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