INFLUÊNCIA DE MACRÓFITAS AQUÁTICAS NA QUALIDADE DA ÁGUA EM TANQUES DE PISCICULTURA

Publicado em 14/03/2022 - ISSN: 2316-266X

Título do Trabalho
INFLUÊNCIA DE MACRÓFITAS AQUÁTICAS NA QUALIDADE DA ÁGUA EM TANQUES DE PISCICULTURA
Autores
  • Maiara Bessa Ferreira
  • Sérgio Cardoso de Moraes
  • Noeli Furtado Rodrigues Ataíde
Modalidade
Comunicação Oral - Resumo
Área temática
[GT 06] Economia Popular e Solidária e Desenvolvimento Local
Data de Publicação
14/03/2022
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/viiconinter2018/113018-influencia-de-macrofitas-aquaticas-na-qualidade-da-agua-em-tanques-de-piscicultura
ISSN
2316-266X
Palavras-Chave
Macrófitas aquáticas, Tectonologia social, Sustentabilidade
Resumo
Entre as discussões ambientais mais relevantes está a qualidade da água, recurso natural vulnerável a impactos como a eutrofização. O impacto da piscicultura nesse processo, que integra também sistemas econômicos de comunidades ribeirinhas, tem ganhado atenção. A utilização de suplementação alimentar para a criação dos peixes eleva a concentração de nitrogênio, fósforo e matéria orgânica. A inserção de componentes orgânicos e inorgânicos nesses sistemas de criação aumenta, portanto, a concentração de nutrientes como fosforo e nitrogênio, o que contribui para impactos negativos nos mesmos, como a eutrofização, processo que induz a multiplicação de microrganismo liberando toxinas e impedindo a penetração da luminosidade (MACEDO e SIPAÚBA-TAVARES, 2010) Tal situação somada ao manejo inadequado desses sistemas, compromete a qualidade da água e consequentemente do pescado. Assim um dos problemas enfrentados nessa forma de cultivo é justamente a qualidade da água no viveiro, além disso, a necessidade de renovação da água, geralmente faz com que a água residual dos tanques de piscicultura seja liberada, sem nenhum tratamento, em ambientes aquáticos naturais, o que contribui para processo de eutrofização nos mesmos. A água é recurso natural crítico em diversos aspectos e é necessário viabilizar formas de recuperação e tratamento. Existem tecnologias caras e inacessíveis em determinados contextos, assim, pesquisas estão sendo desenvolvidas a fim de usar a natureza a seu próprio favor, de forma que a partir da interação do ser humano nas comunidades e com meio ambiente seja promovido o controle dos ecossistemas por meio de relações de sustentabilidade. Nessa perspectiva, este estudo tem como propósito realizar um levantamento bibliográfico sobre a utilização da fitorremediação como alternativa (tecnologia social) para o tratamento da água em sistemas de piscicultura. Trata-se de um estudo preliminar sobre a viabilidade de sua aplicação e está inserido na pesquisa de mestrado em andamento intitulada “Macrófitas aquáticas na fitorremediação em tanques de piscicultura na comunidade Genipauba, Abaetetuba, Pará: uma proposta de tecnologia social”, que tem o objetivo de entender em que medida o uso das plantas macrófitas em tanques de piscicultura pode ser considerado uma tecnologia social na comunidade em questão. A presente pesquisa utilizou-se de estudo bibliográfico de artigos científicos relacionados a utilização de macrófitas em sistemas de piscicultura e sobre tecnologia social. Essa revisão subsidiará a realização do projeto de pesquisa intitulado “Macrófitas aquáticas na fitorremediação em tanques de piscicultura na comunidade Genipauba, Abaetetuba, Pará: uma proposta de tecnologia social” o qual está em fase inicial. A piscicultura como atividade agropecuária exerce importante influência no processo de contaminação da água uma vez que acelera a eutrofização devido a descarga de seus efluentes, muitas vezes, não tratados (Macedo e Sipaúba-Tavares, 2010). Na medida em que cumpre seu papel como a alternativa para a produção de alimentos, a aquicultura promove efeitos de impactos ambientais, pois existe em suas efluentes cargas de nutrientes capaz de alterar a condições naturais de parâmetros químicos, físicos e biológicos (BOYD; SCHIMITTOU, 1999). Diante da necessidade de maior respeito às questões ambientais e diminuição de gastos, com a aplicação de estratégias de baixo impacto ambientais para a busca da melhoria da qualidade da água, pesquisas sobre os mecanismos naturais das plantas apontam a fitorremediação como uma alternativa viável para melhorar a qualidade de ambientes degradados, no entanto concluem ser impossível retomar a qualidade ambiental do ecossistema puro. Nesse sentido, se insere o conceito de Tecnologia Social (TS), um conjunto de novas alternativas para a gestão do trabalho dentro de uma comunidade, desenvolvidas ou praticados por atores sociais que buscam atuar paralelamente às políticas públicas, uma vez que essas mostram-se insuficientes na resolução de problemas sociais, ambientais e para o desenvolvimento econômico (Dagnino; Brandão; Novaes, 2004). A fitorremediação refere-se à capacidade que as plantas possuem para a remoção de contaminantes do solo e da água. Esse processo remove ou diminui a concentração de contaminantes pela absorção direta por folhas ou raízes ou volatização (LANDMEYER, 2012). Os mecanismos de fitorremediação podem atuar sobre parâmetros da água como pH, temperatura, turbidez, condutividade elétrica e componentes orgânicos e inorgânicos, os quais em concentração excessiva de nitrogênio e fosforo, por exemplo, influencia a demanda biológica e química de oxigênio (DBO e DBQ), medidas utilizadas para verificar a qualidade da água (DHIR, 2013). Nessa perspectiva, ao buscar minimizar a eutrofização em tanques de piscicultura, Martins et al (2007) cultivaram a espécie Typha dominguensis e observaram uma remoção na água de até 87% de N e 54% de P adicionados, o que evidenciou a apacidade extratora da planta para os parâmetros avaliados. Hussar & Bastos (2008) ao avaliarem o desempenho da macrófita aquática Eichornia crassipes, conhecida como aguapé, obtiveram resultados positivos na análise de remoção média de vários parâmetros como de 77,7% para DQO, 76,9% para N e 95,4% para P, além disso a remoção da turbidez e os valores de pH mostraram-se satisfatórios para sistemas de piscicultura. Sousa & Vasconcelos (2016) analisaram fatores como a temperatura, o ph e a concentração de nutrientes como nitrogênio e fosforo e observaram sua influência na qualidade da água nos viveiros concluindo que a macrófita Pistia stratiotes pode ser recomendada para tratamento mitigador de eutrofização de sistemas aquáticos uma vez que demonstraram eficiência na absorção e nutrientes. O estudo dos trabalhos levantados permite constatar que a utilização de macrófitas aquáticas é uma alternativa possível para contribuir com a qualidade da água em sistemas de piscicultura a partir da eficiência na remoção de fosforo e nitrogênio, diminuição na concentração de sólidos em suspensão e demanda química de oxigênio. A partir da revisão bibliográfica realizada é possível concluir que a fitorremediação com macrófitas aquáticas embora não seja a solução efetiva é alternativa viável para minimizar os efeitos negativos da piscicultura sobre a qualidade da água, tal como a eutrofização. Sua utilização configura-se como uma técnica de manejo para o desenvolvimento econômico pautado na sustentabilidade ambiental. Faz-se necessário desenvolver pesquisas em busca de maior eficiência para a aplicação da técnica e da compreensão de como se reflete também economicamente no âmbito de uma comunidade.
Título do Evento
VII Coninter
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais VII CONINTER
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

FERREIRA, Maiara Bessa; MORAES, Sérgio Cardoso de; ATAÍDE, Noeli Furtado Rodrigues. INFLUÊNCIA DE MACRÓFITAS AQUÁTICAS NA QUALIDADE DA ÁGUA EM TANQUES DE PISCICULTURA.. In: Anais VII CONINTER. Anais...Rio de Janeiro(RJ) UNIRIO, 2018. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/VIIConinter2018/113018-INFLUENCIA-DE-MACROFITAS-AQUATICAS-NA-QUALIDADE-DA-AGUA-EM-TANQUES-DE-PISCICULTURA. Acesso em: 26/05/2026

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