SABERES E FAZERES TRADICIONAIS DAS COMUNIDADES PESQUEIRAS DA REGIÃO DOS LAGOS NUMA PERSPECTIVA DE VALORIZAÇÃO DA CULTURA MATERIAL E IMATERIAL

Publicado em 14/03/2022 - ISSN: 2316-266X

DOI
10.29327/163912.7-9  
Título do Trabalho
SABERES E FAZERES TRADICIONAIS DAS COMUNIDADES PESQUEIRAS DA REGIÃO DOS LAGOS NUMA PERSPECTIVA DE VALORIZAÇÃO DA CULTURA MATERIAL E IMATERIAL
Autores
  • Clara Mara Gonçalves Chaves
  • Giovane do Nascimento
Modalidade
Comunicação Oral - Resumo
Área temática
[GT 21] Trabalho e Economias
Data de Publicação
14/03/2022
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/viiconinter2018/112794-saberes-e-fazeres-tradicionais-das-comunidades-pesqueiras-da-regiao-dos-lagos-numa-perspectiva-de-valorizacao-da-
ISSN
2316-266X
Palavras-Chave
Pesca, Cultura, Comunidade
Resumo
O presente trabalho tem como objetivo apresentar parte dos resultados da pesquisa de iniciação científica em andamento ligada, ao projeto de educação ambiental PESCARTE . A nossa pesquisa se encontra, mais especificamente, dentro da linha de pesquisa 2, Saberes e Fazeres tradicionais das comunidades pesqueiras da região dos lagos, cujo tema se relaciona à análise das manifestações culturais tradicionais da pesca. A pesquisa pretende, a partir de observação participante, analisar os processos de violência simbólica sofridos pela comunidade pesqueira tradicional da região dos lagos, no estado do Rio de Janeiro, mais especificamente de Arraial do Cabo, analisando três aspectos principais: o artesanato, a gastronomia e a sonoridade. Além disso, a pesquisa visa entender as manifestações tradicionais da pesca, sua delegação às outras gerações e a sua importância social. Se considerarmos o contexto social em que os pescadores estão inclusos, o seu espólio cultural parece não ter importância para a comunidade, uma vez que esta se encontra imersa em valores culturais impostos por uma sociedade de consumo capitalista, muito distante dos valores tradicionais ligados à cadeia da pesca. Ao se observar os processos de hierarquização cultural recorrentes na sociedade capitalista, podemos observar como a cultural tradicional se encontra diretamente atingida pela falta de compreensão dos que praticam o ato de repressão e pela descaracterização do valor cultural das manifestações dos que são oprimidos. Segundo Bourdieu (1996), a violência simbólica é uma violência que age em uma via de mão dupla na coibição de determinado simbolismo tradicional, pois, aqueles que a exercem e aqueles que a sofrem, muitas vezes, são inconscientes de estarem exercendo ou sofrendo. Se trata de discutir o sistema de engrandecimento de uma certa forma de expressão sobre outra, que considera uma forma legítima e outra ilegítima, que acaba por fomentar a concepção de que na sociedade temos um modelo a ser seguido e de que nada fora desta proporção seja validado. Destarte, no pensamento social, somente o que é aparente e ostensível, é que pode ser considerado verídico e substancial, todavia, aquilo que nos proporciona as comprovações destas manifestações, não é explícito, não é palpável, entretanto, desenvolve-se sobre tudo (FERREIRA SANTOS, 2004), isto é, não se pode materializar uma expressão simbólica, que condiz com a identidade social daquele que a expressa. Somente com o reconhecimento desses pescadores como detentores de conhecimento, de saberes e fazeres, como sujeitos da ação educativa e como producentes culturalmente, é que podemos participar do movimento de reconhecimento e, consequentemente, de desconstrução desta desvalorização cultural e violência simbólica. As imagens públicas do comportamento cultural, de acordo com Geertz (1978), são vistas como os mais eficazes elementos do controle social, portanto, se olharmos para os pescadores artesanais como sujeitos da ação, detentores de conhecimento e de expressões culturais necessárias, veremos que a sua arte, expressa cotidianamente e ligada à produção da cadeia pesqueira, constitui-se numa rede de significados essenciais para a compreensão do seu modo de vida apoiada na sua historicidade e tradicionalismo. Nas palavras de Ernest Fischer, o homem não quer Ser apenas. O “Eu” não é suficiente, não basta si mesmo, necessita relacionar-se com seu exterior, absorvendo o mundo que o cinge, integrando-o a si. Fischer (1983), entende a arte como uma forma de trabalho, e o trabalho é uma atividade característica do homem, categorizando a arte como algo produtivo e necessário assim como o trabalho, que formula a forma com que o mundo o vê e a forma com que este vê o mundo. Então, o trabalho faz com que o homem se assenhore do meio modificando-o. Deste modo, a arte como forma de trabalho se caracteriza como a forma do homem de converter o meio social em sua própria individualidade. As manifestações culturais pesqueiras, como o artesanato, a gastronomia e a sonoridade, muitas vezes, se mesclam com o trabalho diário pesqueiro, exercendo uma função de identidade social para os sujeitos que dela fazem parte, contudo, pela violência simbólica, não se consideram suficientemente importantes para uma significação total de uma sociedade. Em que pese a violência simbólica contra essa classe, existe uma resistência pela maior parte dos pescadores em abandonar a profissão e suas atividades cotidianas relacionadas à pesca. A maior parte dos pescadores e pescadoras artesanais, demonstraram haver uma aproximação entre cuidar do bem tradicional, como o resgate à culinária tradicional, por exemplo, buscando preservar suas identidades sociais. A produção simbólica de sentidos dada pelos pescadores (as) aos seus saberes e fazeres cotidianos e a luta contra a violência simbólica foi notoriamente sentida em seus depoimentos. Assim como os mestres artesãos sentem a necessidade de repassarem seu saber tradicional, as mulheres rendeiras vêm seu trabalho como indispensáveis na construção de suas identidades e os pescadores emocionados ao falar do fado, antes cantado em sua comunidade pesqueira, demonstram como é importante a valorização destes saberes e fazeres, não somente para valorizar a arte pela arte, mas como forma de reconhecimento destas identidades como significativas socialmente. É a partir da valorização desse sujeito como produtor de culturas, de valores materiais e imateriais que podemos pensar temas como respeito, autonomia, criação e autocriação. Desse modo, nos parece evidente que não há como intervir numa comunidade sem o devido reconhecimento do que é por ela produzido. Não se trata de atentar-se somente aos saberes e fazeres destas comunidades, se trata de olhar para os sujeitos da ação como produtores de algo expressivo, considerável e essencial para a estruturação de uma heterogeneidade cultural social efetiva.
Título do Evento
VII Coninter
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais VII CONINTER
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital
DOI

Como citar

CHAVES, Clara Mara Gonçalves; NASCIMENTO, Giovane do. SABERES E FAZERES TRADICIONAIS DAS COMUNIDADES PESQUEIRAS DA REGIÃO DOS LAGOS NUMA PERSPECTIVA DE VALORIZAÇÃO DA CULTURA MATERIAL E IMATERIAL.. In: Anais VII CONINTER. Anais...Rio de Janeiro(RJ) UNIRIO, 2018. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/VIIConinter2018/112794-SABERES-E-FAZERES-TRADICIONAIS-DAS-COMUNIDADES-PESQUEIRAS-DA-REGIAO-DOS-LAGOS-NUMA-PERSPECTIVA-DE-VALORIZACAO-DA-. Acesso em: 03/05/2026

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