A IMPORTÂNCIA DO DIVÓRCIO NA VIDA DOS FILHOS ATRAVÉS DA TEORIA DA MODELAÇÃO

Publicado em 14/03/2022 - ISSN: 2316-266X

Título do Trabalho
A IMPORTÂNCIA DO DIVÓRCIO NA VIDA DOS FILHOS ATRAVÉS DA TEORIA DA MODELAÇÃO
Autores
  • Lívia Vasconcelos De Andrade
  • Erika Costa Barreto Monteiro de Barros
  • Renato Faria da Gama
Modalidade
Comunicação Oral - Resumo
Área temática
[GT 05] Diversidade e políticas de afirmação
Data de Publicação
14/03/2022
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/viiconinter2018/112681-a-importancia-do-divorcio-na-vida-dos-filhos-atraves-da-teoria-da-modelacao
ISSN
2316-266X
Palavras-Chave
divórcio, filhos, modelação
Resumo
Muitas pessoas compreendem o fim dos sentimentos e/ou interesses que ligam duas pessoas, mas permanecem juntas para que os filhos não sofram a dor e a perda da ruptura do casal que acaba consequentemente afastando, mesmo que fisicamente os membros da família. O presente artigo busca embasar, através da teoria da modelação, a necessidade da tomada de decisão pelo divórcio demonstrando que a manutenção de um relacionamento conjugal fracassado acaba por se tornar mais prejudicial às relações com os filhos, e na vida destes, do que o divórcio em si, uma vez que pais infelizes são incapazes de ajudarem seus filhos a serem felizes ou a buscarem sua realização como indivíduos de forma plena e livre de amarras que os remeta ao modelo por eles presenciados. No Brasil, revistas de circulação nacional vêm estampando, com frequência, matérias que abordam a adequação ou o acerto daqueles que resolvem se separar, com base no argumento de que, quando os pais se sentem mais felizes após a separação, os filhos também o serão, pois não ficariam expostos a conflitos constantes entre os genitores e aprenderão a direcionar suas vidas na busca da felicidade e de relacionamentos saudáveis em vez de aterem-se àqueles baseados no apego e na insatisfação. Sendo os exemplos observados pelo indivíduo no ambiente fatores importantes na aprendizagem por meio da modelação, deduzir que a observação do sentimento de infelicidade e desrealização pessoal dos pais no âmbito familiar tenderá a tornar os filhos propensos à busca de relações e situações igualmente disfuncionais, tornando-os igualmente infelizes, como observado em sua família de origem. Nosso objetivo é demonstrar que manter um casamento onde não há mais afeto ou interesse para manter a família unida pelos laços da obrigação ensina aos filhos, através da aprendizagem social que não se deve buscar viver relacionamentos para a obtenção da felicidade e que, os relacionamentos afetivos devem ser mantidos a qualquer custo. Para Albert Bandura, desenvolvedor da teoria da aprendizagem social, ou modelação, o indivíduo é capaz de aprender através da observação do comportamento dos outros e das suas consequências. De forma resumida, podemos afirmar que esta abordagem concebe o ser humano como nascendo como uma ‘folha em branco’, aonde vão sendo impressas as aprendizagens a partir da relação com o meio ambiente, moldando os comportamentos que observamos. Sabe-se que a herança cultural é de fundamental importância para o homem, variando de níveis básicos de sobrevivência à níveis socioculturais. Dessa forma aprendemos, por exemplo, que não devemos colocar as mãos no fogo ou que devemos nos vestir para sair de casa, essa aprendizagem é feita por modelação.A Modelagem é, então, um “reforço diferencial de aproximações sucessivas do comportamento-alvo” (MOREIRA & MEDEIROS, 2007, p. 61). O estudo do contexto familiar e a sua influência sobre o desenvolvimento da criança ajuda a compreender que os papéis maternos e paternos são multidimensionais e complexos, e que podem ser observados em diferentes momentos da relação entre pais e filhos (Biasoli-Alves, 2005). Autores como Wagner, Falcke e Meza (1997) explicam que a influência exercida pelos pais na eduação e na formação dos filhos depende primordialmente das relações estabelecidas entre o genitor e o filho, e esta relação, por sua vez, independe da relação conjugal entre os genitores. Souza (2003), ao realizar pesquisa, na qual entrevistou 15 jovens na faixa etária de 14 a 18 anos, filhos de pais separados, a autora concluiu que "Apesar de relatar solidão, isolamento e ausência ou incapacidade de encontrar pontos de apoio, todos afirmaram que o divórcio foi uma boa solução para a família" (p.203). Rapizo et al (2001), ao realizarem grupos com adolescentes filhos de pais separados, destacaram que: "As mensagens deixadas para os pais, invariavelmente, ao final de cada grupo, são pedidos para que se entendam e não os coloquem no meio de sua guerra particular" (p.40). Desta forma, podemos salientar o peso que pode representar para os filhos ter de carregar o fardo da responsabilidade pela infelicidade de pais que não desejam ou não conseguem mais permanecerem unidos, uma vez que a existência destes filhos torna-se, em certo ponto, o impecílio à felicidade pessoal de cada cônjuge. Foi observado neste estudo que o rompimento da relação conjugal acarreta, comumente, um complexo processo de mudanças para os diversos componentes do núcleo familiar, sendo necessário estar atento para que os filhos não sejam fortemente atingidos por desdobramentos que possam trazer prejuízos ao seu bem-estar, principalmente no que tange à responsabilidade de se tornarem aquilo que une os pais e mantém a família, o que acarreta em sentimento de culpa e incapacidade de exercer sua liberdade na vida adulta, uma vez que crescem com o sentimento de dívida para com os pais pelo sacrifício de terem permanecido juntos para que os filhos não sofressem ou tivessem a família destituída. Pela impossibilidade de se generalizar as consequências do divórcio para os membros da família, conclui-se que é de grande importância a avaliação dos desdobramentos da separação conjugal de forma diferenciada no que diz respeito aos pais e aos filhos, sem no entanto deixarmos de salientar a importância da observação e da admissão, por parte dos cônjuges, a respeito do fim de um relacionamento que deve buscar se sustentar e se manter com base no sentimento recíproco de afeto e desejo mútuo da permanência da união marital e, não com base no interesse único de estabelecer uma relação parental, que consequentemente torna-se desarmoniosa, onde o exemplo para os filhos seja o sofrimento ou a insatisfação pessoal dos pais.
Título do Evento
VII Coninter
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais VII CONINTER
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ANDRADE, Lívia Vasconcelos De; BARROS, Erika Costa Barreto Monteiro de; GAMA, Renato Faria da. A IMPORTÂNCIA DO DIVÓRCIO NA VIDA DOS FILHOS ATRAVÉS DA TEORIA DA MODELAÇÃO.. In: Anais VII CONINTER. Anais...Rio de Janeiro(RJ) UNIRIO, 2018. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/VIIConinter2018/112681-A-IMPORTANCIA-DO-DIVORCIO-NA-VIDA-DOS-FILHOS-ATRAVES-DA-TEORIA-DA-MODELACAO. Acesso em: 04/04/2026

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