A ESCUTA COMO CAMINHO: VOZES, MÚSICA E ESPIRITUALIDADE EM PERSPECTIVA EPISTEMOLÓGICA

Publicado em 23/10/2026 - ISBN: 978-65-272-2870-7

Título do Trabalho
A ESCUTA COMO CAMINHO: VOZES, MÚSICA E ESPIRITUALIDADE EM PERSPECTIVA EPISTEMOLÓGICA
Autores
  • José Luiz Domingues Gularte
Modalidade
RESUMO - com comunicação online
Área temática
GT 04: Espiritualidades e Educação: Epistemologias Emergentes, Formação Humana e Horizontes Metodológicos
Data de Publicação
23/10/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/vii-congresso-747255/1875025-a-escuta-como-caminho--vozes-musica-e-espiritualidade-em-perspectiva-epistemologica
ISBN
978-65-272-2870-7
Palavras-Chave
Escuta; Música; Espiritualidade; Memória.
Resumo
Este trabalho reflete sobre a escuta como forma de conhecimento, compreendendo a música, o corpo e a espiritualidade como caminhos de construção e transmissão de memórias individuais e coletivas. A partir da trajetória de um professor de Música, músico baterista, o tambor constitui o fio condutor do artigo, sendo compreendido não apenas como instrumento musical, mas como expressão das relações entre som, cultura, ancestralidade e comunidade.Em diálogo com Teca Alencar de Brito, que compreende a educação musical como experiência de criação, escuta e exploração sonora, e com Lucas Ciavatta, por meio do método O Passo, que articula ritmo, corpo, movimento e consciência coletiva, busca-se reconhecer a música como experiência que ultrapassa a execução de sons, mobilizando sentimentos, produzindo vínculos e possibilitando outras formas de aprender e conhecer. Nesse sentido, aproxima-se também de R. Murray Schafer e de sua compreensão do “ouvido pensante”, reconhecendo que escutar não é uma atitude passiva. Ao escutarmos, não apenas percebemos sons: sentimos, interpretamos, recordamos e construímos sentidos. A escuta envolve o ouvido, mas também o corpo, a memória e as experiências que cada pessoa carrega consigo. A experiência vivenciada no Benim, na África Ocidental, ampliou essa reflexão ao evidenciar a importância dos ritmos, da oralidade e das práticas comunitárias na transmissão de memórias e saberes. Essa vivência provocou o reconhecimento de que escutar uma cultura exige mais do que observar suas manifestações: requer abertura para aprender com suas histórias, espiritualidades e formas de compreender o mundo. O tambor, nesse contexto, não é apenas algo que se ouve; sua pulsação é também sentida pelo corpo, compartilhada coletivamente e atravessada por memórias e experiências culturais. O artigo dialoga com Paulo Freire, pela compreensão da escuta como atitude de respeito e abertura ao outro; com Paul Gilroy, pelas reflexões sobre as experiências culturais africanas e afrodiaspóricas; e com Rubem Alves, pela valorização da sensibilidade. Aproxima-se também de Byung-Chul Han, em Sociedade do Cansaço, para refletir sobre o excesso de estímulos e a dificuldade contemporânea de desacelerar, prestar atenção e estabelecer relações mais profundas. Nesse cenário, a escuta musical pode constituir um exercício de presença, sensibilidade e encontro. O tambor é compreendido como possibilidade de aproximação entre culturas, respeitando suas particularidades históricas e espirituais. Seus ritmos podem preservar lembranças, fortalecer identidades e conectar gerações. Assim, a música não apenas acompanha a memória, mas participa de sua construção e transmissão. Conclui-se que escutar é uma prática pedagógica, ética e epistemológica. Ao reconhecer o corpo, a música e a espiritualidade como espaços de produção de conhecimento, o trabalho propõe ampliar as formas de compreender a educação e a experiência humana, valorizando saberes que nem sempre encontram lugar na palavra escrita. A memória também vive na voz, no movimento, na melodia, no silêncio e na pulsação compartilhada entre pessoas e culturas. Escutar, portanto, é também pensar e sentir: é permitir que aquilo que chega aos ouvidos atravesse o corpo, encontre a memória e produza novos sentidos sobre nós mesmos, sobre o outro e sobre o mundo.
Título do Evento
VII CONGRESSO INTERNACIONAL DA FACULDADES EST
Cidade do Evento
São Leopoldo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Internacional da Faculdades EST e do Salão de Pesquisas
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

GULARTE, José Luiz Domingues. A ESCUTA COMO CAMINHO: VOZES, MÚSICA E ESPIRITUALIDADE EM PERSPECTIVA EPISTEMOLÓGICA.. In: Anais do Congresso Internacional da Faculdades EST e do Salão de Pesquisas. Anais...São Leopoldo(RS) Faculdades EST, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/vii-congresso-747255/1875025-A-ESCUTA-COMO-CAMINHO--VOZES-MUSICA-E-ESPIRITUALIDADE-EM-PERSPECTIVA-EPISTEMOLOGICA. Acesso em: 27/10/2026

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