DISCURSO ANTIFEMINISTA: REPRESENTAÇÃO DE MULHERES NO CENÁRIO POLÍTICO

Publicado em 23/10/2026 - ISBN: 978-65-272-2870-7

Título do Trabalho
DISCURSO ANTIFEMINISTA: REPRESENTAÇÃO DE MULHERES NO CENÁRIO POLÍTICO
Autores
  • Claudete Beise Ulrich
Modalidade
RESUMO - com comunicação online
Área temática
GT 05: As Interlocuções entre Religião, Política e Democracia na Contemporaneidade
Data de Publicação
23/10/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/vii-congresso-747255/1868118-discurso-antifeminista--representacao-de-mulheres-no-cenario-politico
ISBN
978-65-272-2870-7
Palavras-Chave
Mulheres, Representação Substantiva, Backlash, Antifeminismo, Violências e Feminícidos
Resumo
A presente comunicação analisa a desconexão estrutural entre o aumento de mulheres no espaço político e a efetiva defesa dos direitos das mulheres. O debate eleitoral brasileiro de 2026 funcionou como um laboratório dessa contradição, evidenciando como a negação do feminismo e do feminicídio foi convertida em plataforma política. Um exemplo desse fenómeno materializou-se na eleição de Eduarda Campopiano (PL) em São Paulo. A deputada estadual mais votada da legislatura na ALESP com 1.956.238 votos. A parlamentar projetou-se declarando-se "a maior inimiga das feministas" e questionando a existência do feminicídio como categoria penal autônoma. A narrativa mobilizada por ela defende que o crime não deve possuir tipificação específica de género, sugerindo a sua substituição pelo agravante de "superioridade física masculina". Heleieth Saffioti define esta questão como o esvaziamento da violência de gênero: ao reduzir o crime feminicídio a uma diferença biológica (homens são mais fortes que as mulheres). A dimensão macroestrutural da violência patriarcal-capitalista é transformada de um crime de ódio contra as mulheres (feminicídio), em uma simples questão de diferença física entre homens e mulheres. O paradoxo acentua-se quando se observa que parlamentares usufruem diretamente das conquistas das lutas históricas do movimento feminista, como o direito de votar e ser votada, combatendo o movimento feminista que lhes garantiu a participação política. A presença destas vozes femininas serve como um escudo retórico, blindando as bancadas masculinas de acusações de machismo, misoginia e violência política de gênero. A autora Susan Faludi criou o conceito backlash (retaliação ou reação retroativa), apontando para a contraofensiva conservadora desencadeada sempre que as mulheres alcançam avanços sociais significativos. O questionamento dos papéis tradicionais de gênero gera ansiedade e medo em grupos que temem a perda da estabilidade familiar e dos valores tradicionais cristãos. Candidatas que adotam uma plataforma antifeminista oferecem uma resposta direta a esse medo, prometendo restaurar uma ordem mítica, apelando para a literalidade de textos bíblicos e a inerrância da Bíblia, onde as funções masculinas e femininas são rigidamente delimitadas. A representação descritiva (presença física), portanto, não garante a representação substantiva (defesa dos direitos), de acordo com Hanna Pitkin. O ambiente democrático permite que os próprios mecanismos de representação sejam utilizados para questionar e tentar reverter as estruturas de proteção legal e de direitos conquistados, historicamente, pelo movimento feminista. A presença de discursos conservadores tensiona o debate público e força a transição de uma visão puramente biológica da presença na política para a exigência de uma representação substantiva, pautada em compromissos programáticos com a justiça de gênero. Neste sentido, é fundamental a memória histórica das lutas e das conquistas dos direitos sociais das mulheres, objetivando a conscientização das novas gerações, afirmando que as conquistas são fruto de lutas coletivas. A articulação entre movimentos sociais, redes de solidariedade e vigilância jurídica atua como um poderoso contrapeso democrático, demonstrando que a luta histórica das mulheres permanece viva, vigilante para denunciar e barrar retrocessos, reafirmando que o espaço público pertence à defesa dos direitos humanos (representação substantiva).
Título do Evento
VII CONGRESSO INTERNACIONAL DA FACULDADES EST
Cidade do Evento
São Leopoldo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Internacional da Faculdades EST e do Salão de Pesquisas
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ULRICH, Claudete Beise. DISCURSO ANTIFEMINISTA: REPRESENTAÇÃO DE MULHERES NO CENÁRIO POLÍTICO.. In: Anais do Congresso Internacional da Faculdades EST e do Salão de Pesquisas. Anais...São Leopoldo(RS) Faculdades EST, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/vii-congresso-747255/1868118-DISCURSO-ANTIFEMINISTA--REPRESENTACAO-DE-MULHERES-NO-CENARIO-POLITICO. Acesso em: 27/10/2026

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