CURRÍCULO, ALTERIDADE E INTERCULTURALIDADE CRÍTICA COMO HORIZONTE FORMATIVO: RELATOS SOBRE O ENSINO DA HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA E INDÍGENA NO NOROESTE GAÚCHO

Publicado em 23/10/2026 - ISBN: 978-65-272-2870-7

Título do Trabalho
CURRÍCULO, ALTERIDADE E INTERCULTURALIDADE CRÍTICA COMO HORIZONTE FORMATIVO: RELATOS SOBRE O ENSINO DA HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA E INDÍGENA NO NOROESTE GAÚCHO
Autores
  • Alessandro bartz
Modalidade
RESUMO - com comunicação presencial
Área temática
GT 04: Espiritualidades e Educação: Epistemologias Emergentes, Formação Humana e Horizontes Metodológicos
Data de Publicação
23/10/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/vii-congresso-747255/1856131-curriculo-alteridade-e-interculturalidade-critica-como-horizonte-formativo--relatos-sobre-o-ensino-da-historia-
ISBN
978-65-272-2870-7
Palavras-Chave
interculturalidade crítica; ecologia de saberes; epistemologias do Sul; alteridade; formação docente.
Resumo
Este trabalho discute os limites da tolerância como princípio da educação escolar e analisa a interculturalidade crítica como horizonte epistemológico e formativo para o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena na Educação Básica. Ancora-se em Walsh, Quijano, Dussel e, especialmente, na ecologia de saberes e na crítica ao extrativismo cognitivo de Sousa Santos, articulando a ética da alteridade de Lévinas. Sustenta-se que reconhecer o outro como produtor legítimo de conhecimento, e não apenas tolerá-lo, implica descolonizar as estruturas que definem o que conta como saber, incluindo os saberes territoriais, orais e ancestrais, nos quais cosmovisões e sentidos de mundo são indissociáveis do ato de conhecer. Combinam-se, em abordagem qualitativa, revisão bibliográfica e análise temática reflexiva (Braun; Clarke, 2006), complementada por análise de conteúdo (Bardin, 1977) para organização das categorias e frequências. O corpus reúne 100 textos produzidos por estudantes de graduação como atividade avaliativa de um componente curricular e anonimizados: 37 reflexões individuais sobre a presença ou ausência de conteúdos da Lei nº 10.639/2003 em suas trajetórias escolares e 63 relatórios de entrevistas com docentes da Educação Básica do noroeste do Rio Grande do Sul sobre o ensino da cultura indígena, à luz da Lei nº 11.645/2008. No contexto estudado, concentrado no Rio Grande do Sul, os resultados indicam um padrão convergente: legalmente obrigatório, o tema permanece institucionalmente frágil, restrito a datas comemorativas, dependente da iniciativa docente individual e marcado por representações estereotipadas ou folclorizadas, sobretudo pela cristalização do indígena no passado. Nos relatos analisados, nem mesmo o Ensino Religioso, em tese um componente propício ao reconhecimento da pluralidade de matrizes culturais e religiosas, alterou esse cenário formativo na Educação Básica. Metodologias ativas e documentários aparecem em 57 dos 63 relatórios sobre a cultura indígena, e a regionalização em torno dos povos Kaingang e Guarani, em 21, como compensação individual à insuficiência dos materiais. Os dados sugerem que a colonialidade do saber opera por silenciamento diante de conflitos já manifestos, no caso das relações raciais, e por invisibilização curricular prévia, no caso indígena. Reconhecem-se os limites do desenho: relatos mediados pela escrita estudantil, eficácia das experiências conhecida apenas pela percepção de quem as relata e ausência da voz direta de sujeitos negros e indígenas. Esses limites são assumidos como parte da tensão decolonial que o estudo discute e como contribuição aos horizontes metodológicos de pesquisar a diferença. Os achados sugerem que formar para a diferença demanda formação docente continuada, materiais com autoria negra e indígena, institucionalização do contato direto e integração curricular contínua, e não a alocação do tema em um componente específico, o que redefine a formação humana e docente para além da inclusão pontual de novos temas.
Título do Evento
VII CONGRESSO INTERNACIONAL DA FACULDADES EST
Cidade do Evento
São Leopoldo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Internacional da Faculdades EST e do Salão de Pesquisas
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BARTZ, Alessandro. CURRÍCULO, ALTERIDADE E INTERCULTURALIDADE CRÍTICA COMO HORIZONTE FORMATIVO: RELATOS SOBRE O ENSINO DA HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA E INDÍGENA NO NOROESTE GAÚCHO.. In: Anais do Congresso Internacional da Faculdades EST e do Salão de Pesquisas. Anais...São Leopoldo(RS) Faculdades EST, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/vii-congresso-747255/1856131-CURRICULO-ALTERIDADE-E-INTERCULTURALIDADE-CRITICA-COMO-HORIZONTE-FORMATIVO--RELATOS-SOBRE-O-ENSINO-DA-HISTORIA-. Acesso em: 27/10/2026

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