ESPIRITUALIDADE COMO HORIZONTE EPISTEMOLÓGICO PARA A FORMAÇÃO HUMANA NA EDUCAÇÃO

Publicado em 23/10/2026 - ISBN: 978-65-272-2870-7

Título do Trabalho
ESPIRITUALIDADE COMO HORIZONTE EPISTEMOLÓGICO PARA A FORMAÇÃO HUMANA NA EDUCAÇÃO
Autores
  • Janaina Guedes da Silva
  • Charles Klemz
Modalidade
RESUMO - com comunicação online
Área temática
GT 04: Espiritualidades e Educação: Epistemologias Emergentes, Formação Humana e Horizontes Metodológicos
Data de Publicação
23/10/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/vii-congresso-747255/1852445-espiritualidade-como-horizonte-epistemologico-para-a-formacao-humana-na-educacao
ISBN
978-65-272-2870-7
Palavras-Chave
Espiritualidade, Formação humana, Epistemologias emergentes, Sociedade do desempenho, Método teológico.
Resumo
Este trabalho examina a espiritualidade como categoria epistemológica para a formação humana na educação contemporânea. O problema parte de um diagnóstico da colonização da escola pela razão instrumental: metas quantitativas, testes padronizados de larga escala e aceleração produtivista reduzem o ato educativo a treino e mensuração, apagando a singularidade dos sujeitos. Byung-Chul Han descreve essa mutação como a passagem da sociedade disciplinar para a sociedade do desempenho, na qual o sujeito se autoexplora sob a ilusão de liberdade. Zygmunt Bauman complementa o quadro ao mostrar que a modernidade líquida converte a escola em fornecedora de credenciais efêmeras e dissolve os laços de solidariedade que sustentam o compromisso formativo. Edgar Morin, por sua vez, evidencia que a fragmentação disciplinar do saber reproduz, no sujeito, a incapacidade de compreender a condição humana em sua complexidade multidimensional. Contra esse cenário, o trabalho sustenta que as epistemologias emergentes precisam reintegrar a dimensão espiritual do conhecer. Michel Foucault, em A hermenêutica do sujeito, oferece o fundamento conceitual central: a espiritualidade constitui o conjunto de buscas e práticas pelas quais o sujeito se transforma para habilitar-se ao acesso à verdade. Essa definição situa o tema no terreno da epistemologia e o afasta tanto do moralismo prolixo quanto da leitura devocional. Boaventura de Sousa Santos amplia esse horizonte com as epistemologias do sul, que pluralizam o que conta como saber e reabilitam narrativas, afetos e experiência situada como fontes legítimas de conhecimento. Michael Young contribui com a distinção entre conhecimento dos poderosos e conhecimento poderoso, impedindo que a crítica à padronização degenere em relativismo. Dermeval Saviani assegura que a formação integral não prescinde do saber sistematizado, que permanece direito das classes populares e exigência de justiça. No campo da formação humana, Paulo Freire articula educação e prática de liberdade: formar-se é assumir-se como sujeito histórico capaz de ler o mundo e intervir nele. Leonardo Boff fundamenta teologicamente a relação pedagógica ao postular o cuidado como matriz ética e ontológica de todas as relações com o outro, com a vida e com a comunidade. Hans Jonas converte essa ética em critério temporal, ao vincular as decisões do presente à responsabilidade pelos efeitos futuros sobre as novas gerações. A implicação formativa dessa articulação é concreta: a escola precisa instaurar tempos de desaceleração, silêncio, escuta e contemplação, entendidos como práticas espirituais de resistência à lógica do rendimento, conforme a proposta de Han em Vitae contemplativa. O percurso metodológico combina ensaio teórico-crítico, fundamentado em Meneghetti e Severino, dialogia bakhtiniana como princípio de análise e hermenêutica de Gadamer e Ricoeur como teoria da compreensão. Essa arquitetura assume que todo método expressa um compromisso ético-político e que o pesquisador se transforma no processo de investigação. A ponto central afirma que a formação humana integral exige reconhecer a espiritualidade como fundamento epistemológico, e não como ornamento curricular. Resta aberta a questão que orienta investigações futuras: que critérios legitimam a espiritualidade, simultaneamente, como objeto de pesquisa e como método do pesquisador em educação.
Título do Evento
VII CONGRESSO INTERNACIONAL DA FACULDADES EST
Cidade do Evento
São Leopoldo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Internacional da Faculdades EST e do Salão de Pesquisas
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Janaina Guedes da; KLEMZ, Charles. ESPIRITUALIDADE COMO HORIZONTE EPISTEMOLÓGICO PARA A FORMAÇÃO HUMANA NA EDUCAÇÃO.. In: Anais do Congresso Internacional da Faculdades EST e do Salão de Pesquisas. Anais...São Leopoldo(RS) Faculdades EST, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/vii-congresso-747255/1852445-ESPIRITUALIDADE-COMO-HORIZONTE-EPISTEMOLOGICO-PARA-A-FORMACAO-HUMANA-NA-EDUCACAO. Acesso em: 27/10/2026

Trabalho

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