EXEGESE PERFORMATIVA COMO INTERPRETAÇÃO NÃO SOBERANA

Publicado em 23/10/2026 - ISBN: 978-65-272-2870-7

Título do Trabalho
EXEGESE PERFORMATIVA COMO INTERPRETAÇÃO NÃO SOBERANA
Autores
  • Julio Paulo Tavares Mantovani Zabatiero
Modalidade
RESUMO - com comunicação online
Área temática
GT 01: Bíblia, Arqueologia e Religião
Data de Publicação
23/10/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/vii-congresso-747255/1803651-exegese-performativa-como-interpretacao-nao-soberana
ISBN
978-65-272-2870-7
Palavras-Chave
Exegese performativa, Hermenêutica bíblica, Não soberania, Teologia pública, Interpretação bíblica
Resumo
A exegese bíblica situa-se no espaço relacional entre igreja, sociedade e academia e, por isso, pode ser compreendida como uma prática pública. Partindo dessa perspectiva, esta comunicação propõe compreender a exegese como uma prática performativa e não soberana de interpretação. Seu caráter performativo não significa atribuir ao intérprete liberdade para produzir arbitrariamente significados, nem implica abandonar a investigação histórica, linguística, literária e social dos textos bíblicos. Ao contrário, refere-se ao próprio evento da compreensão: no encontro entre texto e intérprete, possibilidades de compreensão, julgamento, relação e vida são reveladas, contestadas e transformadas. A investigação histórico-crítica permanece, portanto, indispensável precisamente porque contribui para preservar a alteridade do texto e sua capacidade de resistir à apropriação pelo universo discursivo do intérprete. Em diálogo com a leitura popular da Bíblia, a hermenêutica contextual da missão integral e interlocutores como Michel Foucault, Emmanuel Levinas e Jean-Luc Nancy, argumenta-se que a interpretação bíblica deve renunciar à pretensão de soberania. Nem o método histórico, nem a tradição eclesial, nem os referenciais filosóficos e teológicos, nem a experiência do intérprete ou as demandas sociopolíticas contemporâneas podem reivindicar autoridade absoluta sobre o significado. A exegese performativa procura, em vez disso, sustentar um encontro no qual a diferença histórica entre texto e intérprete permaneça produtiva. A partir desse horizonte epistemológico, apresenta-se um dispositivo metodológico organizado em dois movimentos complementares. O primeiro, orientado para o texto, investiga suas configurações históricas, linguísticas, literárias, retóricas e sociais, permitindo que sua alteridade interrogue as categorias do intérprete. O segundo, orientado para o problema, parte de questões emergentes das formas contemporâneas de vida e compreende quatro operações inter-relacionadas: problematização, configuração textual, configuração narrativa e relacional e experimentação conceitual. O processo culmina não na fixação de um significado definitivo, mas no retorno performativo à vida compartilhada, perguntando pelas possibilidades de existência que se tornam pensáveis, criticáveis e praticáveis mediante o encontro com os textos bíblicos. Propõe-se, assim, uma exegese crítica, prática e pública, cuja não soberania mantém textos, métodos, intérpretes e contextos permanentemente abertos à interpelação e à transformação.
Título do Evento
VII CONGRESSO INTERNACIONAL DA FACULDADES EST
Cidade do Evento
São Leopoldo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Internacional da Faculdades EST e do Salão de Pesquisas
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ZABATIERO, Julio Paulo Tavares Mantovani. EXEGESE PERFORMATIVA COMO INTERPRETAÇÃO NÃO SOBERANA.. In: Anais do Congresso Internacional da Faculdades EST e do Salão de Pesquisas. Anais...São Leopoldo(RS) Faculdades EST, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/vii-congresso-747255/1803651-EXEGESE-PERFORMATIVA-COMO-INTERPRETACAO-NAO-SOBERANA. Acesso em: 27/10/2026

Trabalho

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