O GRUPO REFLEXIVO DE MEDIAÇÃO BIOGRÁFICA E A FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL: LIMITES E POTENCIALIDADES

Publicado em 28/12/2021 - ISSN: 2358-1190

Título do Trabalho
O GRUPO REFLEXIVO DE MEDIAÇÃO BIOGRÁFICA E A FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL: LIMITES E POTENCIALIDADES
Autores
  • PRISCILA TIZIANA SEABRA MARQUES DA SILVA ALIANÇA
  • Andrezza Maria Batista do Nascimento Tavares
  • Maria da Conceição Passeggi
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Eixo Temático 2 - Formação Docente e Práticas Pedagógicas em Educação Profissional
Data de Publicação
28/12/2021
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/vicoloquionacionaleiiicoloquiointernacional/447809-o-grupo-reflexivo-de-mediacao-biografica-e-a-formacao-continuada-na-educacao-profissional--limites-e-potencialida
ISSN
2358-1190
Palavras-Chave
formação continuada, pesquisa (auto)biográfica, Educação Profissional, professor bacharel
Resumo
O objetivo deste estudo é discutir potencialidades e limitações da formação continuada de professores na Educação Profissional baseado nos grupos reflexivos de mediação biográfica (PASSEGGI, 2011), com foco nos docentes bacharéis e tecnólogos. Tal iniciativa se justifica face aos inúmeros desafios postos a esse trabalho formativo, que passam desde sua própria concepção como formação realmente continuada (pois são professores em exercício) ou fundamentalmente inicial (afinal são professores que não tiveram sua formação inicial para a docência em seu Ensino Superior) até as dificuldades de mobilização da subjetividade desse profissional em meio às condições objetivas do trabalho docente no capitalismo. Para Passeggi (2011), o grupo reflexivo de mediação biográfica se distingue do grupo focal e do grupo de discussão por três fatores: (1) não se trata de um método de pesquisa, mas um processo de formação; (2) todos os participantes reconhecem seu pertencimento ao grupo e seu engajamento num projeto comum; (3) há um contexto institucional e a condução de um formador atento às questões éticas envolvidas. Assume ainda o princípio epistemopolítico de respeitar os desejos de falar de si ou calar. Seu quadro teórico é multirreferencial, passando pelas histórias de vida propriamente ditas, pela sociologia, pela psicologia social, pela psicologia sociointeracionista (mediação social e semiótica), linguística, entre outros. O processo de planejamento e execução de um grupo reflexivo de mediação biográfica inclui três unidades, correspondentes às etapas da tríplice mimese de Ricoeur (1994) : (1) uma unidade de implicação (de dimensão iniciática – mimese 1/prefiguração), em que o foco é a rememoração de experiências formadoras a partir do questionamento “quais experiências marcaram minha vida intelectual e profissional?”; (2) uma unidade de exercício da reflexividade (com uma dimensão maiêutica, correspondente à mimese 2/configuração), com base na seguinte pergunta: “o que essas experiências fizeram comigo?”; (3) uma última unidade em que o narrador é o primeiro crítico de sua própria produção (dimensão hermenêutica, referente à mimese 3/refiguração (PASSEGGI, 2011, p. 152). A dimensão iniciática, como o próprio nome indica, está relacionada à “iniciação” dos participantes na dinâmica reflexiva do grupo. Ela tem a ver com a busca, na memória, dos eventos na história de vida do sujeito que lhe afetaram e deixaram marcas em sua subjetividade, sejam elas boas ou ruins. A dimensão maiêutica, como a etimologia do nome já indica (do grego maieutike, a “arte de partejar”) convida o participante a “parir” sua história de vida e construir os sentidos que lhe dá a partir do processo narrativo. É também, portanto, um partejamento de subjetividades. Já a dimensão hermenêutica é aquela em que o sujeito olha para si mesmo como uma alteridade, sendo esse olhar mediatizado pela narrativa construída, seja qual for o suporte semiótico escolhido. Trata-se aqui de um exercício de interpretação do narrado que se converte em terreno fértil para “plantar o trigo e refazer o pão de cada dia”, no sentido de reconstruir-se, ressignificar a si e sua prática como professor. Aprendizagens formais, não-formais e informais são complementares. Se em termos das ciências da educação o professor não-licenciado na Educação Profissional não passou por uma aprendizagem formal do que é ser professor e mesmo assim vai, pouco a pouco assumindo essa nova identidade profissional, seduzido pelos (dis)sabores da docência, essa (trans)formação se dá pelas vias informais e não-formais. O ganho, para esses colegas, ao aderirem ao grupo reflexivo de mediação biográfica é ainda desconhecido, mas potencialmente transformador. O professor que se propuser a levar para um grupo reflexivo a sua própria experiência terá a possibilidade de refletir com ela junto a seus colegas num contexto em que é essa mesma experiência o currículo dos encontros, podendo sentir-se valorizado pela instituição e assumindo uma postura de disponibilidade diante do desafio de interpretar e ressignificar sua própria prática. Entendo e defendo que esse método formativo traz uma gama de possibilidades que carece ainda de investigação. Entretanto, ele traz também limitações no que concerne à própria execução, tais como o quantitativo de formadores especialistas nos processos formativos (auto)biográficos disponíveis, as condições objetivas que a instituição poderá (ou desejará) fornecer para garantir as condições de trabalho tanto do mediador quanto dos participantes e a (im)possibilidade de uma reinterpretação genuína de si caso tal formação tenha caráter compulsório.
Título do Evento
VI Colóquio Nacional e III Colóquio Internacional A Produção do Conhecimento em Educação Profissional: em defesa do projeto de formação humana integral
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio nacional e colóquio internacional - a produção do conhecimento em educação profissional: em defesa do projeto de formação humana integral
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ALIANÇA, PRISCILA TIZIANA SEABRA MARQUES DA SILVA; TAVARES, Andrezza Maria Batista do Nascimento; PASSEGGI, Maria da Conceição. O GRUPO REFLEXIVO DE MEDIAÇÃO BIOGRÁFICA E A FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL: LIMITES E POTENCIALIDADES.. In: Anais do Colóquio nacional e colóquio internacional - a produção do conhecimento em educação profissional: em defesa do projeto de formação humana integral. Anais...Natal(RN) IFRN, 2021. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/VIColoquioNacionaleIIIColoquioInternacional/447809-O-GRUPO-REFLEXIVO-DE-MEDIACAO-BIOGRAFICA-E-A-FORMACAO-CONTINUADA-NA-EDUCACAO-PROFISSIONAL--LIMITES-E-POTENCIALIDA. Acesso em: 09/06/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes