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Apresentação
A VI edição do Seminário do Grupo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinar em Formação Humana, Representações e Identidades - GEPIFHRI/UFPE, ocorrida nos dias 04 e 05 de dezembro de 2025, no Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco, teve como temática “Infâncias, tecnologias e formação de professores”. O encontro tomou como ponto de partida questões que têm atravessado de maneira cada vez mais intensa o cotidiano das instituições educativas, das famílias e os debates acadêmicos, sobretudo no campo da Educação.
Pensar as infâncias e sua relação com as tecnologias implica reconhecer que crianças e adultos produzem suas experiências em contextos sociais, culturais, econômicos e políticos distintos. Nesse sentido, as tecnologias não aparecem como elementos externos às práticas sociais e educativas, mas participam dos modos de comunicação, interação, aprendizagem, produção de conhecimentos e constituição de subjetividades. Ao mesmo tempo, seu acesso e seus usos são marcados pelas desigualdades que caracterizam a sociedade contemporânea. Tal compreensão esteve presente em diferentes momentos do Seminário e orientou parte significativa das discussões realizadas.
Nesse movimento, a formação de professoras e professores ocupou o lugar central. Interessou-nos pensar a formação docente não se restringindo ao domínio instrumental das tecnologias, mas que possibilite compreender criticamente as relações que crianças, jovens e adultos estabelecem com os artefatos, plataformas e culturas digitais, posto que, trata-se de uma questão que envolve conhecimentos, práticas, sensibilidades e posicionamentos éticos diante das transformações que atravessam as infâncias, os lares, a escola e o próprio trabalho docente. A Carta Aberta, produzida a partir dos debates ocorridos no VI Seminário GEPIFHRI, também expressa essa preocupação ao defender que a formação inicial e continuada deve favorecer a construção de um saber-fazer articulado ao pensamento crítico e ao uso consciente das tecnologias.
A VI edição do Seminário marcou um novo movimento na trajetória do encontro anual do GEPIFHRI. Pela primeira vez, o evento abriu espaço para a submissão e apresentação de pesquisas concluídas ou em andamento na modalidade pôster. Foram acolhidas reflexões teóricas, relatos de experiências, estudos de caso, análises de práticas educativas e pesquisas em desenvolvimento, ampliando as possibilidades de interlocução entre estudantes, docentes, pesquisadoras, pesquisadores, profissionais e ativistas da Educação. Em sua primeira vez nesta modalidade foram aprovados trinta e dois trabalhos que foram apresentados durante o evento e estão aqui reunidos.
Os trabalhos foram submetidos em três eixos: Infâncias, culturas e direitos humanos; Tecnologias, culturas digitais e direitos na contemporaneidade; e Formação de professores, diversidade e práticas emancipatórias. A organização dos eixos buscou acolher investigações que, a partir de diferentes referenciais teóricos, metodológicos e contextos de pesquisa, colocassem em debate questões relacionadas às culturas infantis, aos direitos humanos, às relações étnico-raciais e de gênero, às tecnologias e culturas digitais, às desigualdades, à formação docente e às práticas educativas comprometidas com perspectivas democráticas e emancipatórias.
Os textos que compõem estes Anais expressam, assim, diferentes modos de interrogar a realidade educacional. São produções construídas a partir de pesquisas, experiências formativas e práticas educativas que evidenciam a pluralidade de objetos, sujeitos, territórios e perspectivas que constituem o campo da Educação. Não buscamos, com esta publicação, oferecer respostas acabadas às questões discutidas no Seminário, muito pelo contrário, entendemos que a produção do conhecimento se faz também pela possibilidade de formular novas questões, confrontar interpretações e produzir leituras outras, inclusive diversas, acerca dos fenômenos educativos e culturais que cercam a pluralidade das infâncias.
Publicar estes trabalhos significa, portanto, circular parte das reflexões construídas coletivamente durante o VI Seminário GEPIFHRI - 2025 e registrar um momento particular da trajetória do Grupo Grupo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinar em Formação Humana, Representações e Identidades do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco. Significa também, reafirmar a universidade e os grupos de pesquisa como espaços de produção, debate e socialização de conhecimentos comprometidos com a compreensão crítica da realidade da educação e sobretudo das crianças.
Esperamos que os trabalhos aqui reunidos encontrem outros leitores e leitoras, produzam interlocuções, significados e sentidos, contribuindo para a continuidade das investigações e dos debates sobre as infâncias, as tecnologias e a formação docente.
Grupo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinar em Formação Humana, Representações e Identidades – GEPIFHRI
Centro de Educação – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Carta Aberta à Comunidade Acadêmica do Centro de Educação da UFPE
Nós, pesquisadoras/es, professoras/as, estudantes e ativistas da Educação participantes do VI Seminário Anual do GEPIFHRI - CE/UFPE (Grupo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinar em Formação Humana, Representações e Identidades do Centro de Educação da UFPE), depois das ricas discussões estabelecidas no âmbito do evento, sentimos a necessidade de vir à público para compartilhar parte de nossas propostas e preocupações no que se refere ao tema das TECNOLOGIAS e INFÂNCIAS na formação de professoras e professores:
Entendemos que as tecnologias fazem parte do nosso cotidiano e do dia a dia das crianças, de TODAS as crianças, mesmo que de diferentes formas, moldando as formas de viver, sentir e elaborar as suas infâncias e suas identidades, independentemente do uso mais ou menos constante que elas fazem dos equipamentos contemporâneos de comunicação e tecnologias digitais;
Sabemos, também, que o acesso, o uso e presença dos equipamentos de comunicação, plataformas, aplicativos e softwares são condicionados pelas condições sociais, culturais, econômicas, políticas e educacionais em que as crianças vivem e os territórios em que habitam;
Há que se considerar, pois, a presença desigual e diferenciada que os equipamentos e suas tecnologias ocupam na vida e, logo na formação das crianças e nas formas como eles moldam as suas infâncias e suas identidades;
As ciências que se ocupam das crianças e suas infâncias têm chamado a nossa atenção para o grande impacto que as tecnologias atuais têm e virão a ter na vida das crianças que estão e/ou que chegarão às nossas instituições educativas e na forma como vivem e elaboram as suas infâncias e suas identidades;
É preciso, pois, que as professoras e os professores tenham, em sua formação inicial e continuada, acesso a conhecimentos e práticas que permitam o aprendizado de um saber-fazer, a construção de uma sensibilidade e a elaboração de um pensamento crítico e o usufruto saudável das tecnologias em seus próprios cotidianos, compreendendo como as tecnologias estão constituindo formas de ser criança e, ainda, como é possível educar crianças em contextos atravessados pelas tecnologias;
O aprendizado de um saber-fazer, a construção de uma sensibilidade e a elaboração de um pensamento crítico e o usufruto saudável das tecnologias são condições fundamentais para que as/os profissionais da educação logrem organizar ambientes educativos ricos em experiências e reflexões, com as crianças, sobre a importância das tecnologias e do seu uso consciente e saudável desde a mais tenra idade. Nesse sentido, como forma de contribuir para a ampliação do debate sobre a relação "Tecnologias e Infâncias, a comunidade acadêmica do VI Seminário GEPIFHRI apoia a proposição de que o tema "Educação e Cultura Digital nas Infâncias" permeie todas as disciplinas obrigatórias do currículo do Curso de Pedagogia da UFPE;
O uso das tecnologias pelas crianças e com as crianças em todos os ambientes em que estas vivem e circulam devem fazer parte do esforço de formação e reflexão das/os profissionais da educação,notadamente no que se refere ao ambiente escolar para o qual há regulações legais específicas, as quais devem ser de conhecimento de todas as pessoas adultas que aí atuam;
Em que pese a importância e centralidade dos equipamentos e das tecnologias na vida das crianças, estas não devem inibir, no entanto, a elaboração de ações e estratégias educativas que, prescindindo do uso dos equipamentos e serviços digitais contemporâneos, as mobilizem para a construção, bem como uso de brinquedos e as brincadeiras que fazem parte de nossas culturas e de nossas ancestralidades;
A abordagem das relações das pessoas, em todas as fases de suas vidas, mas especialmente durante as suas infâncias, com as tecnologias não podem prescindir do concurso dos conhecimentos críticos produzidos por todas as áreas do saber, assim como daqueles produzidos nas experiências refletidas e compartilhadas pelas pessoas de diferentes níveis de formação, participantes de diversas culturas e habitadores dos vários territórios;
Finalmente, lembramos que para que tenham uma educação e uma vida saudáveis, é preciso que as crianças sejam PROTEGIDAS em relação às violências que podem ser perpetradas pelas tecnologias e por meio das tecnologias, mas que não devem jamais serem alijadas do uso consciente e controlado delas, já que elas fazem parte do nosso mundo, do nosso tempo e podem nos ajudar a viver de maneira mais rica e saudavelmente todas as fases de nossas vidas.
Recife, 05 de dezembro de 2025
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Responsável
viviane.bona@ufpe.br
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