O CORPO COMO TERRITÓRIO E A POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA DIANTE DA COP30

Publicado em 28/09/2026 - ISBN: 978-65-272-2778-6

Título do Trabalho
O CORPO COMO TERRITÓRIO E A POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA DIANTE DA COP30
Autores
  • Sophia Pantoja De Melo Neiva
  • Ana Paula Galvão Freitas
  • Maíse Farias Ribeiro
  • Lorena Schalken
Modalidade
RESUMO EXPANDIDO
Área temática
Políticas públicas e direitos humanos
Data de Publicação
28/09/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/vi-seminario-de-piscologia-social-da-amazonia-entre-o-rio-e-a-cidade-insurgenciasnbsp-contemporaneas-659526/1462820-o-corpo-como-territorio-e-a-populacao-em-situacao-de-rua-diante-da-cop30
ISBN
978-65-272-2778-6
Palavras-Chave
COP30; pessoas em situação de rua; mapa corporal narrado; vulnerabilidade social; transformações urbanas.
Resumo
Ana Paula Galvão Freitas UNIFAMAZ Maíse Farias Ribeiro UNAMA Sophia Pantoja de Melo Neiva UNAMA Lorena Schalken de Andrade UNAMA e UNIFAMAZ   Introdução: A realização da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, COP30, em Belém (PA) projeta o território amazônico ao cenário global, mobilizando inúmeras transformações urbanas e políticas.  Tais mudanças, contudo, não impactam de maneira igual sobre os diferentes grupos sociais, afetando mais intensamente populações historicamente marginalizadas, como as pessoas em situação de rua, cuja permanência nos espaços urbanos é atravessada por processos de invisibilização e controle. Diante desse cenário, torna-se relevante compreender como esses sujeitos percebem e interpretam as transformações associadas ao evento. Objetivo: O presente trabalho busca apresentar e refletir a experiência de uma atividade participativa com pessoas em situação de rua, mediada pelo uso do mapa corporal. Metodologia: Trata-se de um relato de experiência, de abordagem qualitativa, fundamentado na aplicação da técnica do Mapa Corporal Narrado junto a usuários atendidos pelo Centro POP Belém-PA. A proposta metodológica foi inspirada na literatura que compreende o mapa corporal como um dispositivo participativo que articula expressão artística, narrativa e reflexão crítica sobre os atravessamentos corporais das experiências, especialmente em contextos de vulnerabilização social (Moreira & Conceição, 2020). A atividade foi desenvolvida em espaço coletivo da instituição, previamente organizado para garantir acolhimento, privacidade relativa e liberdade de expressão. Participaram pessoas em situação de rua que aderiram voluntariamente à proposta após explicação clara sobre os objetivos da atividade. Foram assegurados o caráter não obrigatório da participação, o direito de não compartilhar conteúdos sensíveis e o respeito à confidencialidade das narrativas. Resultados: Quanto aos relatos dos usuários, foram produzidos três mapas corporais, os quais evidenciaram múltiplas dimensões da experiência de viver nas ruas. Nos registros, destacou-se a necessidade constante de assistência, especialmente no que se refere ao acesso à alimentação, higiene, abrigo e serviços de saúde. Também foram expressos sofrimentos relacionados às condições climáticas, como o calor intenso, o frio e a exposição às chuvas, que impactam diretamente o corpo e a saúde. Além das demandas materiais, emergiram conteúdos emocionais significativos, como sentimentos de ansiedade, medo, tristeza e ausência de perspectivas de felicidade. Os participantes relataram sensações de insegurança permanente, dificuldades para dormir e preocupações constantes com a própria sobrevivência. Os mapas também trouxeram à tona experiências de violência simbólica e física, incluindo humilhações, preconceito social e abordagens policiais marcadas por coerção e ameaças de remoção forçada dos espaços públicos. Ao mesmo tempo, ainda que de forma mais sutil, apareceram elementos de resistência e desejo por reconhecimento, como a esperança por melhores condições de vida e por maior visibilidade social. Dessa maneira, os resultados revelaram não apenas as vulnerabilidades enfrentadas, mas também a complexidade das experiências corporais e territoriais dessas pessoas, evidenciando como o corpo se torna espaço de inscrição das violências, das privações e também das expectativas relacionadas às transformações urbanas. Discussão: A literatura evidencia o mapa corporal como um mediador de alto potencial para refletir aquilo que é/foi vivenciado, constituindo-se como um dispositivo metodológico que integra dimensão simbólica, afetiva e territorial da experiência (Moreira & Conceição, 2020). Segundo as autoras, o mapa corporal possibilita que o corpo seja compreendido não apenas como suporte biológico, mas como espaço de inscrição de memórias, marcas sociais e relações de poder, permitindo que sujeitos historicamente silenciados produzam narrativas sobre si e sobre o território que habitam. Nesse sentido, a atividade permitiu que as pessoas compartilhassem, por meio de imagens e histórias, sentimentos e experiências que muitas vezes permanecem ocultos nos ambientes institucionais. Ao relacionar o corpo com o espaço ao redor, foi possível compreender como as mudanças na cidade afetam de forma concreta e sensível a vida dessas pessoas — seja na maneira como circulam pelo território, permanecem em determinados locais ou constroem (ou perdem) o sentimento de pertencimento. A partir disso, observou-se que as transformações relacionadas à COP30 foram percebidas de forma subjetiva e ambivalente pelas pessoas em situação de rua. Por um lado, surgiram expectativas de melhorias urbanas, ampliação de serviços e novas oportunidades. Por outro, manifestaram-se sentimentos de medo, insegurança e receio de intensificação de práticas de controle e retirada dos espaços públicos, revelando a percepção de que grandes eventos podem reforçar processos de higienização social e de invisibilidade.  Dessa forma, essa atividade ajudou a questionar discursos oficiais sobre crescimento e progresso, mostrando que esses processos não acontecem de forma neutra e que afetam diferentes grupos sociais de maneiras distintas. Assim, ficou evidente como as transformações no território influenciam diretamente o corpo e o dia a dia dessas pessoas. Considerações finais: A realização da COP30, além de colocar Belém em destaque no cenário internacional, também traz impactos importantes na vida de grupos socialmente invisibilizados. A atividade mostrou como é fundamental criar espaços onde as pessoas possam participar e compartilhar suas histórias, especialmente aquelas que vivem em situação de rua. Ao possibilitar a escuta dessas narrativas, evidencia-se que os processos de transformação urbana não são neutros e produzem efeitos concretos sobre os corpos e os territórios vividos. É importante reconhecer essas pessoas como sujeitos de direitos e como produtoras de saberes sobre o lugar onde vivem, uma vez que suas experiências revelam dimensões do território que frequentemente não aparecem nos planejamentos oficiais. Por isso, torna-se essencial que as políticas públicas e o planejamento urbano considerem efetivamente as vozes dessas populações, evitando a reprodução de práticas excludentes, como remoções forçadas e estratégias de invisibilização social. Essa experiência reforça o compromisso ético e social da psicologia na promoção de espaços de escuta qualificada, participação e defesa da dignidade humana. Além disso, aponta para a necessidade de fortalecer abordagens participativas e intersetoriais, especialmente em contextos de grandes eventos e mudanças estruturais, garantindo que o desenvolvimento urbano esteja alinhado aos princípios de justiça social e direitos humanos. REFERÊNCIAS MOREIRA, A. L. C.; CONCEIÇÃO, M. I. G. Corpos em Evidência: Contribuição do Mapa Corporal Narrado em Pesquisas com Populações Vulnerabilizadas. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 36, n. spe, 2020. ?INÊS, M.; CONCEIÇÃO, G.; GALLETTI DE MELO, L. CORPO, ARTE E RUA: CONSIDERAÇÕES SOBRE UMA POLÍTICA DE EXISTÊNCIA AOS INVISIBILIZADOS BODY, ART AND STREET: CONSIDERATIONS ON A POLICY OF EXISTENCE FOR THE INVISIBILIZED. [s.l: s.n.]. Disponível em: <https://pdfs.semanticscholar.org/e850/cc6bf8f5a4f74ac5cc873694aa05c0ce1c25.pdf>. Acesso em: 19 fev. 2026.
Título do Evento
VI Seminário de Psicologia Social da Amazônia - Entre o rio e a cidade: insurgências contemporâneas
Cidade do Evento
Belém
Título dos Anais do Evento
Anais do Seminário de Psicologia Social da Amazônia: Entre o rio e a cidade: Insurgências contemporâneas.
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

NEIVA, Sophia Pantoja De Melo et al.. O CORPO COMO TERRITÓRIO E A POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA DIANTE DA COP30.. In: Anais do Seminário de Psicologia Social da Amazônia: Entre o rio e a cidade: Insurgências contemporâneas.. Anais...Belém(PA) UNIFAMAZ, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/vi-seminario-de-piscologia-social-da-amazonia-entre-o-rio-e-a-cidade-insurgenciasnbsp-contemporaneas-659526/1462820-O-CORPO-COMO-TERRITORIO-E-A-POPULACAO-EM-SITUACAO-DE-RUA-DIANTE-DA-COP30. Acesso em: 15/10/2026

Trabalho

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