PROJETO TOXICIDADE AFETIVA: RELATO DE INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL COM MULHERES LÉSBICAS EM BELÉM

Publicado em 28/09/2026 - ISBN: 978-65-272-2778-6

Título do Trabalho
PROJETO TOXICIDADE AFETIVA: RELATO DE INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL COM MULHERES LÉSBICAS EM BELÉM
Autores
  • Beatriz Abreu de Freitas
  • Heloisa da Silva Cabral Gomes
  • Isabelle Carvalho de Souza
  • Sophia Lopes da Conceição
  • João Victor Furtado Lisboa
  • Lorena Schalken de Andrade
  • Yasmim Ferreira Soares
Modalidade
RESUMO EXPANDIDO
Área temática
Promoção de saúde a partir de uma perspectiva interseccional
Data de Publicação
28/09/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/vi-seminario-de-piscologia-social-da-amazonia-entre-o-rio-e-a-cidade-insurgenciasnbsp-contemporaneas-659526/1462799-projeto-toxicidade-afetiva--relato-de-intervencao-psicossocial-com-mulheres-lesbicas-em-belem
ISBN
978-65-272-2778-6
Palavras-Chave
Relacionamento Lésbico, Relacionamentos Abusivos, Violência entre Mulheres, Intervenção Psicossocial, Saúde Mental
Resumo
Introdução: O presente projeto nasceu como requisito avaliativo do curso de psicologia do Centro Universitário Metropolitano da Amazônia (UNIFAMAZ), na avaliação interdisciplinar entre as matérias de Projeto Integrador III, Teorias e Técnicas de Intervenção em Grupo, e Psicologia social e Comunitária. A intervenção psicossocial teve como alvo a comunidade lésbica – mulheres que se relacionam afetivamente ou sexualmente com pessoas do mesmo sexo feminino – de Belém do Pará, com o intuito de produzir ciência sobre os desafios enfrentados dentro ou após vivenciar relacionamentos abusivos lésbicos. Devido as expectativas sociais do gênero feminino, a qual condiz com um ser frágil e incapaz de causar danos, é invisibilizado a existência de relações não-saudáveis entre duas mulheres. Essa ideologia é considerada um empecilho para a identificação dos traços danosos por quem encontra-se nessa relação, potencializando-se no estado do Pará e outras regiões do Brasil por serem regidos culturalmente pela heteronormatividade. Termo este – do indivíduo masculino com dominância perante sua parceira feminina – que rege as condutas sobre casais lésbicos em todos os âmbitos, tanto na área da saúde quanto sobre uma mulher perante a outra. Com isso, mesmo com todos os debates sociais e avanços políticos, esse grupo ainda enfrenta dificuldades no acesso à serviços de saúde mental de qualidade. Além disso, para maior detrimento da temática, há uma defasagem de referências sáficas na arte brasileira que abordam cenários para além da descoberta e aceitação da sua orientação sexual. Por isso, para proporcionar o bem-estar psicossocial das participantes da intervenção do projeto, segundo Lane (2007), é necessário olharmos para o grupo social como um todo e não como entidade isolada, sendo esse o pontapé para a manutenção das relações sociais. A intervenção grupal foi elaborada para fomentar o contato com pessoas e relatos pessoais, gerando certa identificação e sentimento de pertencimento, ou até mesmo de libertação. Objetivo: O projeto possuiu como objetivo geral promover o fortalecimento psicossocial, conscientização e cuidado em saúde mental entre mulheres lésbicas de Belém do Pará, utilizando de espaços de diálogo seguros e trocas de vivências. Ademais, como objetivos específicos, o projeto de extensão visou investigar os desafios enfrentados pela comunidade lésbica em Belém do Pará, visibilizar vivências sáficas e fortalecer redes de apoio entre mulheres lésbicas. Metodologia: O projeto tratou-se de uma abordagem qualitativa, de caráter descritivo, feito por meio de intervenção psicossocial. A intervenção foi realizada com 20 mulheres do coletivo LesboNorte no parque urbano Porto Futuro, localizado em Belém do Pará. A intervenção consistiu na reflexão através da confecção de zines – revista de bolso com 6 páginas elaboradas com colagens ou desenhos – após uma roda de conversa sobre saúde mental em relacionamentos lésbicos. A coleta de dados foi feita por anotações e fotografias com o registro das falas das participantes e das zines produzidas. Os dados foram analisados com base na análise de conteúdo, respeitando os critérios éticos de proteção e sigilo sobre as participantes. Discussão: O projeto de intervenção teve como tema proposto “Toxicidade Afetiva e Abuso nas Relações Lésbicas”, o qual discute a conscientização de relacionamentos abusivos que existem dentro da comunidade lésbica, que possuem pouca visibilidade e debate acerca da realidade vivenciada por essas mulheres. A intervenção revelou não apenas experiências individuais de sofrimento, mas processos psicossociais atravessados por normas de gênero e pela lógica heteronormativa. A invisibilidade do abuso em relações entre mulheres, reiterada nas falas das participantes, evidencia como a construção social da feminilidade – associada à fragilidade e ao cuidado – dificulta o reconhecimento da mulher como possível agente de violência. A invisibilidade do abuso em relações entre mulheres, reiterada nas falas das participantes, evidencia como a construção social da feminilidade funciona como ideologia (Lane, 2007). A roda de conversa funcionou como um ambiente de escuta ativa e segura, a qual teve como tópicos abordados: invisibilidade do abuso físico e psicológico, ausência de redes de apoio, falha institucional no acolhimento e auxílio para mulheres lésbica, internalização de Padrões Tóxicos e Mecanismos de Manipulação. Foi observado a internalização de padrões relacionais marcados por desigualdade de poder pelo indivíduo ser produto das representações de relações sociais. Mesmo em relações que fogem ao modelo heterossexual tradicional, emergem reproduções da norma cis-heteronormativa, demonstrando que a heteronormatividade opera não apenas como prática externa, mas como dispositivo subjetivado. Essa internalização pode produzir culpa, silenciamento e dificuldade de ruptura das relações. Sob a ótica da Psicologia Social Crítica, compreende-se que o indivíduo é fruto de suas relações sociais e das representações históricas elaboradas socialmente (Lane, 2007). A violência psicológica identificada se conecta à discussão da identidade social e de como as expectativas de gênero e sexualidade, construídas socialmente, podem ser utilizadas como ferramentas de opressão. A quebra do silêncio e a conscientização do abuso representam um movimento de desnaturalização das relações lésbicas abusivas, combatendo o estigma imposto por narrativas heteronormativa. Como posto por Lane (2007), a conscientização torna possível o processo de superação da opressão. Assim, a intervenção evidenciou que o enfrentamento da violência em relações lésbicas exige não apenas suporte individual, mas ações coletivas que questionem as estruturas normativas que sustentam tais dinâmicas. Conclusão: A intervenção psicossocial realizada com o Coletivo LesboNorte demarcou a relevância de espaços seguros de escuta, diálogo e expressão para a promoção da saúde mental de mulheres lésbicas. A roda de conversa e a oficina de zines possibilitaram a identificação e a problematização de dinâmicas afetivas abusivas frequentemente invisibilizadas no contexto sáfico, além de favorecerem a validação das vivências e o fortalecimento das redes de apoio entre as participantes. Os relatos compartilhados confirmaram que a violência psicológica e emocional emerge como forma predominante de abuso nas relações lésbicas, muitas vezes naturalizada por estereótipos de gênero e pela romantização das relações entre mulheres. Nesse sentido, a intervenção contribuiu para a desnaturalização dessas práticas, promovendo processos de conscientização coletiva e ressignificação das experiências afetivas. A utilização da arte como recurso expressivo mostrou-se uma estratégia potente, ao permitir que as participantes elaborassem subjetivamente suas vivências, transformando experiências de dor em produções simbólicas de reconhecimento, alívio e autonomia. A prática de rodas de conversa e produção de zines demonstrou que estratégias grupais e expressivas constituem dispositivos de fortalecimento identitário, sobretudo quando articuladas a coletivos comunitários já existentes. A experiência aponta que intervenções de baixo custo, fundamentadas na Psicologia Social, podem produzir impactos significativos ao promover reconhecimento, pertencimento e apoio mútuo. O projeto reafirma a importância da Psicologia Social e Comunitária na construção de práticas comprometidas com a visibilidade, o cuidado e a garantia de direitos da população lésbica, indicando a necessidade de continuidade e ampliação de iniciativas semelhantes em contextos acadêmicos e sociais. Palavras-chave: Relacionamento Lésbico; Relacionamentos Abusivos; Violência entre mulheres; Intervenção Psicossocial; Saúde Mental. Referências bibliográficas Lane, Silvia T. Maurer. O que é psicologia social. 6. ed. São Paulo: Brasiliense, 2007. (Coleção Primeiros Passos, 39)
Título do Evento
VI Seminário de Psicologia Social da Amazônia - Entre o rio e a cidade: insurgências contemporâneas
Cidade do Evento
Belém
Título dos Anais do Evento
Anais do Seminário de Psicologia Social da Amazônia: Entre o rio e a cidade: Insurgências contemporâneas.
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

FREITAS, Beatriz Abreu de et al.. PROJETO TOXICIDADE AFETIVA: RELATO DE INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL COM MULHERES LÉSBICAS EM BELÉM.. In: Anais do Seminário de Psicologia Social da Amazônia: Entre o rio e a cidade: Insurgências contemporâneas.. Anais...Belém(PA) UNIFAMAZ, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/vi-seminario-de-piscologia-social-da-amazonia-entre-o-rio-e-a-cidade-insurgenciasnbsp-contemporaneas-659526/1462799-PROJETO-TOXICIDADE-AFETIVA--RELATO-DE-INTERVENCAO-PSICOSSOCIAL-COM-MULHERES-LESBICAS-EM-BELEM. Acesso em: 15/10/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes