EXPRESSÕES E MÁSCARAS: PRÁTICAS DE CUIDADO GRUPAL COM PESSOAS VIVENDO COM HIV/AIDS

Publicado em 28/09/2026 - ISBN: 978-65-272-2778-6

Título do Trabalho
EXPRESSÕES E MÁSCARAS: PRÁTICAS DE CUIDADO GRUPAL COM PESSOAS VIVENDO COM HIV/AIDS
Autores
  • Anna Flávia Ayres de Lima
  • Ana Laura Fonseca Aguiar
  • Gislen Luandra Rodrigues Guevara
  • Kamili Rodrigues De Mendonça
  • Marcela Mercedes Garcia Fortes
  • Caroline Cavalcante da Silva
Modalidade
RESUMO EXPANDIDO
Área temática
Políticas públicas e direitos humanos
Data de Publicação
28/09/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/vi-seminario-de-piscologia-social-da-amazonia-entre-o-rio-e-a-cidade-insurgenciasnbsp-contemporaneas-659526/1462720-expressoes-e-mascaras--praticas-de-cuidado-grupal-com-pessoas-vivendo-com-hivaids
ISBN
978-65-272-2778-6
Palavras-Chave
Psicologia Social; HIV/Aids; Vulnerabilidades; Políticas Públicas
Resumo
Introdução: O trabalho configura-se como um relato de experiência, fruto de um projeto de intervenção psicossocial de extensão universitária que buscou unificar a prática psicológica com a pesquisa por meio de ações grupais, utilizando como referenciais de configuração de grupos proposto por Caldeira e Ávila (2021) em conjunto com a psicologia social de Silvia Lane (1985). O projeto ocorreu em conjunto com a ONG Arte Pela Vida, uma organização que presta apoio às pessoas que vivem com HIV/Aids (PVHIV’s) realizando doações e eventos que se preocupam com o acesso aos direitos de tratamentos e medicações das PVHIV’s - que frequentemente sofrem de preconceitos e estigmas atrelando-os a grupos sociais marginalizados como as populações LGBTQIAPN+, usuários de drogas injetáveis e profissionais do sexo (CFP, 2020) - nos serviços públicos disponíveis. Optamos por atuar, junto com a ONG, no Centro de Atenção à Saúde em Doenças Infecciosas Adquiridas (CASA DIA), serviço público que oferta à população tratamentos, exames e métodos de prevenção de doenças infecciosas adquirida. O serviço conta com diversos profissionais da saúde para atender as demandas desta população, entretanto há apenas um psicólogo para atender a alta demanda que o local possui, refletindo em uma falta de suporte para a saúde psicológica daqueles que frequentam o local. Metodologia: As ações deste projeto ocorreram como fruto da extensão curricularizada durante o período avaliativo entre agosto a outubro de 2025. Utilizamos da abordagem qualitativa para investigarmos a relação do sujeito com o mundo o qual está inserido (Prodanov; Freitas, 2013). Com o objetivo de conhecer a realidade do local e identificar os meios de intervenções possíveis e necessárias, foi elaborado um diagnóstico institucional por meio de reuniões com representantes da ONG para apurar informações sobre quem acessa o serviço e, assim, possibilitar a construção da dinâmica. Partindo de uma pesquisa-intervenção que articula teoria e prática e propõe intervenções estruturais e problematizadoras de micropolíticas (Neiva, 2010; Rocha, 2003), utilizamos da arte como instrumento de promoção de saúde através da expressão e do processo criativo (Lima, 2004). A dinâmica teve como objetivo criar um espaço seguro para a expressão criativa dos participantes, sendo aplicada a atividade “Convivendo com Máscaras” (Gente Mais Consultoria e Treinamento, s.d.) com a proposta de confeccionar uma máscara que expresse a identidade do “eu “quando não está atrelado ao diagnóstico e ao medo do julgamento social, e finalizando com um círculo de diálogo (Boyes-Watson; Pranis, 2014). Discussão: No decorrer do trabalho muitas demandas emergiram em relação à infraestrutura do CASA DIA, como o atendimento demorado e pouco espaço na recepção, possuindo uma estrutura considerável boa para a proposta do serviço, mas que se torna insuficiente para comportar a grande quantidade de usuários. Foi observado que o espaço não comporta psicólogos o suficiente para atender as demandas emocionais dos frequentadores do CASA DIA, tornando-se um serviço, que deveria ser efetivo, em escasso e falho. A demanda mais prevalente identificada com as participantes consistiu no anseio em ser escutado de forma livre e empática, sem o medo de sofrer preconceito por conta da infecção. Essa demanda foi vista durante a dinâmica que, inicialmente, muitos usuários expressavam curiosidade e interesse, porém demonstravam-se envergonhados e inseguros, sendo preciso a ajuda da coordenadora da ONG para trazer maior segurança e integrá-los na atividade. Durante a realização da dinâmica, os participantes foram se permitindo vivenciar o momento e, no decorrer da confecção das máscaras, aparentavam estar mais à vontade, compartilhando suas experiências no pós-diagnóstico. Alguns dos relatos que mais nos atravessaram foram os que falavam sobre o desespero inicial da revelação do diagnóstico, voltados ao o que fazer, quais pessoas poderiam contar e o medo sobre o que iriam achar delas após a revelação, sendo possível sentir nas falas o desamparo e receio. A percepção social sobre o HIV/Aids foi historicamente marcada por estigmas e discursos discriminatórios, causando receios nas pessoas que vivem com essas infecções (Fonseca et al., 2020). Durante a dinâmica, foi observado o resultado de como a estigmatização afeta a vida destas pessoas, gerando consequentemente impactos em suas relações com os ambientes que ocupam, com as pessoas próximas e em sua saúde mental. A literatura aponta que diversas discussões voltadas para o sentimento de rejeição social das pessoas que vivem com HIV/Aids decorrem do processo de marginalização de grupos sociais considerados “desviantes” do que deveria ser o “correto” (Acuna et al. (2022), este tipo de preconceito se torna tão enraizado dentro do senso comum que violências contra as PVHIV’s acabam surgindo de suas relações mais próximas, quando o esperado era de lhe prestarem suporte. O Estado, por si só, é entendido como uma instituição que formula e aplica normas e condutas padronizadas para garantir a reprodução da cultura e dominar os grupos subalternizados, todavia, os próprios grupos sociais também se caracterizam como estruturas capazes de exigir determinados modos de ação, caracterizando-se como uma junção de relações de poder e de práticas pensadas conjuntamente (Martins, 2007). As intervenções grupais possuem, em sua essência, a capacidade de viabilizar espaços de segurança, de refúgio e de se (re)fazer. Nesse sentido, o trabalho grupal realizado no CASA DIA pode ser compreendido como uma micropolítica de cuidado e resistência, na medida em que possibilitou aos participantes elaborarem coletivamente suas experiências. Considerações finais: A intervenção permitiu a exteriorização dos sentimentos dos participantes por meio do processo artístico adotado nas máscaras, como a recordação da infância, a ânsia por se permitir ser e reflexões sobre superação, liberdade, sonhos, objetivos e empoderamento. A arte possui o poder transformador em buscar na objetividade o que é subjetivo ao indivíduo através da expressão de experiências durante o processo criativo (Maia, 2021), sendo assim, podemos dizer que a intervenção psicossocial proposta alcançou o objetivo pré-estabelecido de criar um ambiente seguro e acolhedor, buscando valorizar o que é significativo para cada participante e possibilitar a expressão deste “eu” sem estar subordinado ao diagnóstico e aos julgamentos. Portando, o trabalho permitiu a reflexão sobre o direcionamento de políticas públicas que acontecem de forma insuficiente e em como a falta de um ambiente seguro e de escuta dentro de uma instituição pública de saúde pode vir a impactar no processo de aceitação e construção da identidade, além do diagnóstico de HIV/Aids. Ressalta-se, entretanto, a relevância da comunidade acadêmica para, além de denunciar tais negligências, contribuir com ações baseadas na demanda específica de uma comunidade, além do diálogo com práticas artísticas visando promover um espaço seguro. Referências Bibliográficas ACUNA, J. T.; SANTÁNA, F. M.; ROCHA, I. M.; LANFRANCHI, A. C. Psicologia social e HIV/AIDS: um estudo de revisão: BRAZILIAN SCIENTIFIC PRODUCTION. Revista Brasileira Multidisciplinar, [S. l.], v. 25, n. 2, p. 175-188, 2022. BOYES-WATSON, C; PRANIS, K. Guia de práticas circulares: no coração da esperança. 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Título do Evento
VI Seminário de Psicologia Social da Amazônia - Entre o rio e a cidade: insurgências contemporâneas
Cidade do Evento
Belém
Título dos Anais do Evento
Anais do Seminário de Psicologia Social da Amazônia: Entre o rio e a cidade: Insurgências contemporâneas.
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

LIMA, Anna Flávia Ayres de et al.. EXPRESSÕES E MÁSCARAS: PRÁTICAS DE CUIDADO GRUPAL COM PESSOAS VIVENDO COM HIV/AIDS.. In: Anais do Seminário de Psicologia Social da Amazônia: Entre o rio e a cidade: Insurgências contemporâneas.. Anais...Belém(PA) UNIFAMAZ, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/vi-seminario-de-piscologia-social-da-amazonia-entre-o-rio-e-a-cidade-insurgenciasnbsp-contemporaneas-659526/1462720-EXPRESSOES-E-MASCARAS--PRATICAS-DE-CUIDADO-GRUPAL-COM-PESSOAS-VIVENDO-COM-HIVAIDS. Acesso em: 15/10/2026

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