MULHERES EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE E VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA

Publicado em 28/09/2026 - ISBN: 978-65-272-2778-6

Título do Trabalho
MULHERES EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE E VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA
Autores
  • Antônia Letícia da Silva De Souza
  • Raylla Farias Costa
  • Jamille Magno
  • Carla Suellen Silva E SOUSA
Modalidade
RESUMO EXPANDIDO
Área temática
Políticas públicas e direitos humanos
Data de Publicação
28/09/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/vi-seminario-de-piscologia-social-da-amazonia-entre-o-rio-e-a-cidade-insurgenciasnbsp-contemporaneas-659526/1462647-mulheres-em-situacao-de-vulnerabilidade-e-vitimas-de-violencia
ISBN
978-65-272-2778-6
Palavras-Chave
Violência Contra A Mulher; Vulnerabilidade Social; Políticas Públicas; Direitos Humanos; Psicologia Social.
Resumo
A violência contra mulheres em situação de vulnerabilidade social continua sendo um desafio para a efetivação dos direitos humanos e das políticas públicas no Brasil. Essa problemática se intensifica em contextos marcados pela precariedade dos serviços públicos, pelo isolamento territorial e pela invisibilidade social, ampliando as situações de violação de direitos e exclusão social [1]. Neste cenário, a atuação das políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência de gênero mostra-se, muitas vezes, insuficiente para garantir proteção integral, acesso à informação e apoio psicossocial contínuo às mulheres em situação de violência. A articulação entre assistência social, saúde, justiça e segurança pública ainda apresenta lacunas que impactam diretamente a efetivação da cidadania plena dessas mulheres [1]. A experiência relatada neste trabalho foi desenvolvida em um projeto de extensão universitária voltado para mulheres adultas que acessam serviços públicos de assistência social e proteção. As atividades ocorreram Ocupação de Mulheres Rayana Alves, realizadas entre os meses de setembro e outubro, totalizando cinco encontros e buscaram promover acolhimento, escuta e reflexão crítica sobre direitos, violência de gênero e estratégias de enfrentamento para as mulheres acolhidas na instituição. Por meio de uma entrevista inicial foi estabelecido um diagnostico institucional e posteriormente foi realizada dinâmicas de grupo com palestra informativa e roda de diálogos [3]. As atividades realizadas tiveram como objetivo analisar de forma crítica e ética sobre a vivência das mulheres, destacando os desafios institucionais e sociais que dificultam a efetivação da cidadania plena e refletindo sobre a necessidade de fortalecimento das políticas públicas e da garantia de direitos às mulheres em situação de violência [3]. Objetivos: Relatar e analisar criticamente a experiência acadêmica de uma intervenção psicossocial realizada com mulheres em situação de violência na Ocupação de Mulheres Rayana Alves, problematizando a interface entre políticas públicas e direitos humanos, enfatizando as principais necessidades relacionadas ao bem-estar psicológico, social e comunitário para as residentes. Método: o presente trabalho caracteriza-se como um relato de experiência, de natureza qualitativa, desenvolvido a partir das vivências acadêmicas no âmbito de um projeto de extensão realizado com mulheres em situação de vulnerabilidade social e vítimas de violência residentes na Ocupação de Mulheres Rayana Alves [8]. A experiência teve como base e orientação os pressupostos da psicologia social crítica, das políticas públicas e da perspectiva dos direitos humanos, compreendendo a violência contra a mulher como um fenômeno social, histórico e estrutural [3]. O registro da experiência foi realizado a partir de um relatório produzido pelos discentes ao longo do segundo semestre de 2025, em um espaço comunitário localizado na cidade de Belém-Pará, envolvendo mulheres adultas, majoritariamente negras, heterossexuais em situação de vulnerabilidade social e vítimas de violência. A análise ocorreu de forma descritiva e reflexiva, articulando com referenciais teóricos das áreas de psicologia, políticas públicas, gênero e direitos humanos, permitindo problematizar os desafios institucionais e sociais que precariza a efetivação da cidadania dessas mulheres [7]. Discussão: A intervenção psicossocial evidenciou a importância do acolhimento e da escuta qualificada. Ao longo dos encontros, foi possível perceber que a criação de um espaço seguro de fala possibilitou a expressão de sentimentos frequentemente silenciados, e sensação de reconhecimento por parte das participantes. Os relatos compartilhados revelaram que as situações de violência vivenciadas estão relacionadas a desigualdades estruturais, atravessadas por gênero, classe social e acesso limitado às políticas públicas [6]. No que se refere às políticas públicas, identificou-se que a Ocupação de Mulheres Rayana Alves exerce um papel importante como espaço de apoio comunitário e proteção informal; entretanto, não consegue suprir, de forma integral, as demandas relacionadas ao apoio psicológico, jurídico e social, evidenciando a necessidade de maior presença e efetividade das políticas públicas no território [4]. As mulheres relataram dificuldades de acesso aos serviços, ausência de acompanhamento continuado e fragilidade na articulação da rede de proteção, fatores que contribuem para a manutenção da vulnerabilidade social e do ciclo da violência. Além disso, foi observado, a partir da intervenção psicossocial e da dinâmica de grupo, comportamento recorrente da naturalização da violência e a culpabilização das mulheres pelas agressões sofridas, expressas em falas que minimizavam as situações vivenciadas ou atribuíram responsabilidade às próprias vítimas, fatores que está apoiado em diversas construções históricas como patriarcado, cultura, misoginia, situações de desigualdade ou papéis sociais de gênero. Esse processo contribui para a manutenção do ciclo da violência, pois dificulta a busca por ajuda, enfraquece o reconhecimento das violações como crimes e compromete o acesso às políticas públicas de proteção, evidenciando fragilidades na efetivação dos direitos humanos e da cidadania. A vivência grupal revelou-se um importante dispositivo de apoio psicossocial, favorecendo a troca de experiências, a escuta mútua e a construção coletiva de estratégias de enfrentamento [4]. O grupo funcionou como espaço de acolhimento e fortalecimento, possibilitando que as mulheres compartilhassem suas vivências sem julgamento e se reconhecessem enquanto sujeitas de direitos. Mediante a dinâmica de grupo realizada com as mulheres, notou-se maior compreensão e caracterização da violência física e psicológica em detrimento de outras formas de violência descritas pela Lei Maria da Penha, como a violência moral, patrimonial e sexual. Além disso, as participantes relataram não saber identificar fatores e situações de violência. Algumas acolhidas tinham conhecimentos sobre instituições de assistência social e políticas públicas voltadas ao amparo ou à prevenção das violências [2]. Após a dinâmica, foi perceptível um maior nível de compreensão e conhecimento acerca das violências, bem como de suas etapas e das estratégias de identificação e proteção. A experiência também impactou significativamente as discentes envolvidas, permitindo a ampliação da compreensão crítica acerca do papel da psicologia nas políticas públicas e na defesa dos direitos humanos. Foi possível identificar que as políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher necessitam de mais visibilidade e investimentos, especialmente no que diz respeito ao apoio psicossocial. Ademais, os limites institucionais observados e mencionados relacionam-se à falta de recursos, à descontinuidade das ações e à fragilidade da articulação intersetorial, reforçando a importância da extensão universitária como espaço de intervenção ética, crítica e socialmente comprometida [5]. Considerações Finais: Observou- se que a infraestrutura precária, a fragilidade da rede de proteção e a descontinuidade dos serviços limitam a efetivação da cidadania e dos direitos para essas mulheres. Destaca-se a necessidade de ampliação do acesso ao apoio psicológico, bem como do fortalecimento e da articulação das políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência de gênero. Assim como, torna-se fundamental a ampliação de ações educativas que promovam informações claras sobre os diferentes tipos de violência previstos na Lei Maria da Penha e sobre os direitos e mecanismos de proteção disponíveis, considerando que foram identificadas dificuldades no reconhecimento das situações de violência e no conhecimento dos serviços de apoio. A vivência extensionistas reforça que a efetivação da Lei Maria da Penha e das políticas de proteção às mulheres não depende apenas de sua existência formal, mas de investimentos, compromisso institucional e práticas que reconheçam as mulheres como sujeitas de direitos [2]. Nesse sentido, a extensão universitária se apresenta como um espaço estratégico para a produção de conhecimento crítico e para a construção de ações comprometidas com a dignidade, a equidade e a justiça social [5]. 1 - BIF, Suzana Mioranza et al. Impactos psicológicos da violência contra a mulher no Brasil: uma análise de 2013 a 2023. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 8, p. 659–666, 2024. 2 - BRASIL. Lei Maria da Penha: LEI Nº 11.340, DE 7 DE AGOSTO DE 2006. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm. Acesso em 06 fev. 2026. 3 - BRASIL. Secretaria Especial de Política para as mulheres. Política Nacional de enfrentamento à violência contra as mulheres. Gov.br, 2008. Disponível em: https://www.gov.br/mdh/pt-br/navegue-por-temas/politicas-para-mulheres/arquivo/arquivos- diversos/sev/pacto/documentos/politica-nacional-enfrentamento-a-violencia-versao-final.pdf Acesso em: 31 jan. 2026. 4 – CHAMMA, R. de A.; Araujo, L. C. da S.; Mendonça Esteves, T.; Gomes De Souza, L. C. Violência Conjugal: Por Que As Mulheres Permanecem Neste Contexto? Revista Feminismos, [S.l.], v.11, n.2, 2023. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/44025. Acesso em: 08 fev. 2026. 5 - FREIRE, Paulo. Extensão ou comunicação? 8. Ed. Rio de Janeiro: Paz e terra, 1983. 44- 51 p. v. 24. 6 - FERREIRA T. M.; Castro, R. D. gênero, poder e sofrimento ético-político: considerações sobre os efeitos da colonialidade do gênero no bem-viver das mulheres. Scielo Preprints, 2024. Disponível em: https://preprints.scielo.org/index.php/scielo/preprint/view/9716. Acesso em: 08 fev. 2026. 7 - MUSSI, Ricardo Fraklin de Freitas; FLORES, Fabio Fernandes; ALMEIDA, Cláudio Bispo de. Pressupostos para a elaboração de relato de experiência como conhecimento científico. Práxis Educacional, Vitória da Conquista, v. 17, n. 48, p. 60–77, 2021. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/praxis/article/view/9010. Acesso em: 31 jan. 2026. 8 - QUEIROZ, M. de S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. Cadernos de Saúde Pública, v. 8, n. 3, p. 342–344, jul. 1992
Título do Evento
VI Seminário de Psicologia Social da Amazônia - Entre o rio e a cidade: insurgências contemporâneas
Cidade do Evento
Belém
Título dos Anais do Evento
Anais do Seminário de Psicologia Social da Amazônia: Entre o rio e a cidade: Insurgências contemporâneas.
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SOUZA, Antônia Letícia da Silva De et al.. MULHERES EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE E VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA.. In: Anais do Seminário de Psicologia Social da Amazônia: Entre o rio e a cidade: Insurgências contemporâneas.. Anais...Belém(PA) UNIFAMAZ, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/vi-seminario-de-piscologia-social-da-amazonia-entre-o-rio-e-a-cidade-insurgenciasnbsp-contemporaneas-659526/1462647-MULHERES-EM-SITUACAO-DE-VULNERABILIDADE-E-VITIMAS-DE-VIOLENCIA. Acesso em: 15/10/2026

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