A VIVÊNCIA FEMININA DO AMOR SOB A INFLUÊNCIA DA MÚSICA BREGA PARAENSE DIFUNDIDA NAS MÍDIAS SOCIAIS

Publicado em 28/09/2026 - ISBN: 978-65-272-2778-6

Título do Trabalho
A VIVÊNCIA FEMININA DO AMOR SOB A INFLUÊNCIA DA MÚSICA BREGA PARAENSE DIFUNDIDA NAS MÍDIAS SOCIAIS
Autores
  • Luana Da Silva Farias
  • Kellly Cristina Reis Fernandes
Modalidade
RESUMO EXPANDIDO
Área temática
Promoção de saúde a partir de uma perspectiva interseccional
Data de Publicação
28/09/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/vi-seminario-de-piscologia-social-da-amazonia-entre-o-rio-e-a-cidade-insurgenciasnbsp-contemporaneas-659526/1457004-a-vivencia-feminina-do-amor-sob-a-influencia-da-musica-brega-paraense-difundida-nas-midias-sociais
ISBN
978-65-272-2778-6
Palavras-Chave
Amor; música brega; gênero, mídias sociais e relações amorosas.
Resumo
A VIVÊNCIA FEMININA DO AMOR SOB A INFLUÊNCIA DA MÚSICA BREGA PARAENSE DIFUNDIDA NAS MÍDIAS SOCIAIS Luana da Silva Farias Universidade da Amazônia - UNAMA Kelly Cristina Reis Fernandes Universidade da Amazônia - UNAMA Co-Autora: Michele Torres dos Santos de Melo Universidade da Amazônia - UNAMA Introdução: Falar de amor em uma sociedade marcada pelo desamor e pelo afastamento entre as pessoas pode soar estranho ou até mesmo incômodo. No entanto, entendemos que refletir sobre o amor é abordar a essência das relações humanas, a ponto de podermos afirmar que esse tema, na contemporaneidade, assume um caráter não apenas afetivo, mas também revolucionário e político. Ainda assim, é necessário evidenciar de que amor estamos tratando, já que culturalmente encontramos dificuldades em defini-lo de maneira genuína. Para alguns, amar significa cuidar, para outros, é demonstrar afeto, carinho e segurança. Essa diversidade de sentidos evidencia o quanto o amor é um fenômeno subjetivo, moldado pelos contextos sociais e culturais em que vivemos. Diante dessa ausência de uma definição universal, recorremos aos estudos de Bell Hooks, que, em Tudo sobre o amor: novas perspectivas (2021), aponta que nomear o amor é condição para que ele exista. A autora retoma a formulação de M. Scott Peck (1978), que o define como “a vontade de se empenhar ao máximo para promover o próprio crescimento espiritual ou o de outra pessoa”. O autor segue dizendo que “O amor é o que o amor faz. Amar é um ato da vontade, isto é, tanto uma intenção quanto uma ação. A vontade também implica escolha. Nós não temos que amar. Escolhemos amar”. Essa perspectiva destaca o amor como prática e decisão, mas é importante reconhecer que nossas escolhas não são totalmente livres, pois sofrem influência de estruturas sociais, familiares e midiáticas. Esse recorte é especialmente relevante quando falamos da experiência feminina com o amor, uma vez que historicamente as mulheres foram condicionadas a adotar perspectivas específicas sobre relacionamentos e a aceitar padrões socialmente legitimados como ideais. Assim, questionar o que se entende por amor, quais escolhas estão disponíveis e de que forma são aceitas ou rejeitadas socialmente torna-se fundamental para refletir sobre a vivência das mulheres. As mídias sociais assumem papel central nesse cenário. Se, por um lado, elas possibilitam novas formas de aproximação, conexão e vínculos amorosos, por outro, podem reforçar idealizações, comparações e frustrações. Bauman (2001) já alertava que “os tempos são líquidos porque, assim como a água, tudo muda muito rapidamente. Na sociedade contemporânea, nada é feito para durar”. A partir dessa perspectiva, o autor cunha o termo Relacionamentos Líquidos, referindo-se a vínculos afetivos marcados pela instabilidade, superficialidade e curta duração. A socióloga Eva Illouz (2011) destaca que os sites e aplicativos de relacionamento por exemplo, alteraram significativamente a dinâmica dos encontros, invertendo a ordem tradicional das interações, intensificando a lógica da escolha liberal e colocando os indivíduos em competição num verdadeiro “mercado afetivo”. Esse cenário de transformações sociais, tecnológicas e culturais também se expressa fortemente na música, um campo que, além de entreter, reproduz e dissemina visões sobre amor, gênero e relacionamentos. Como reflexo da cultura, as músicas difundidas nas mídias sociais não apenas expressam sentimentos, mas também moldam expectativas e influenciam a forma como mulheres vivenciam o amor. Surge, então, a necessidade de investigar como essas canções retratam a mulher e quais mensagens transmitem sobre papéis femininos, relacionamentos e afetividade. A motivação para o estudo surgiu também de nossas próprias vivências afetivas, nas quais percebemos o impacto das mídias sociais na forma de viver o amor e construir vínculos. Essa experiência subjetiva despertou a necessidade de compreender de forma mais aprofundada como os conteúdos difundidos nesses espaços impactam os vínculos, as expectativas e a forma como as mulheres experienciam o amor. Metodologia: A análise das letras proposta neste trabalho tem como objetivo compreender, de forma qualitativa, como o conteúdo das músicas influencia a percepção das mulheres sobre as relações amorosas, considerando suas dimensões simbólicas, subjetivas e culturais. As categorias analíticas centrais são o “dispositivo amoroso” (Zanello, 2018), a “tecnologia de gênero” (Lauretis, 1994) e as reflexões de Bell Hooks (2021), em Tudo sobre o amor: novas perspectivas, que contribuem para compreender transformações e expectativas sobre a vivência feminina do amor nas relações contemporâneas. Foi realizado o levantamento das músicas que retratam relações amorosas, com base em plataformas de streaming e de classificação musical disponíveis no Brasil, como YouTube Music e sites de rankings musicais obtidos por meio do Google. A pesquisa priorizou músicas regionais, delimitando-se ao cenário paraense, mas sem desconsiderar estudos de alcance nacional sobre o tema. Ao pesquisar sobre rankings de bregas do Pará, identificou-se a plataforma PALCOMP3.com.br, que classifica as músicas e os artistas mais ouvidos por gênero musical, além dessa plataforma, surgiram músicas com alcance significativo no YouTube Music. Os critérios de seleção das músicas foram três; (1) Músicas que retratam relacionamentos amorosos e mencionam o papel da mulher na relação; (2) Músicas de cantores e/ou compositores regionais; (3) Bregas Paraenses. Como critério de exclusão, foram desconsideradas músicas que abordavam sobre aparelhagens, localidades e eventos específicos da região paraense. Os dados foram analisados com base na análise de conteúdo de Bardin (1977), divididos em três etapas: pré análise, exploração do material e interpretação dos dados. Foram selecionadas 8 músicas do gênero brega paraense. Resultados: Durante a leitura das músicas, observou-se que a maioria das canções é interpretada por mulheres, mas composta majoritariamente por homens. Essa característica reforça a hipótese de que há uma produção discursiva masculina sobre a experiência feminina do amor. As letras evidenciam sentimentos como sofrimento, culpa, perdão e idealização do parceiro, temas recorrentes na tradição da música romântica brasileira. De forma geral, foi possível observar que o discurso amoroso nas canções analisadas se estrutura em torno de três grandes eixos: (1) Dependência emocional; (2) O amor como espaço de sacrifício e sofrimento feminino e (3) A naturalização da desigualdade de gênero nas relações amorosas. As análises realizadas evidenciaram que, além das três categorias discutidas, emergiu um dado relevante relacionado à autoria das músicas. Observou-se que, embora a maioria das canções sejam interpretadas por mulheres, elas foram compostas majoritariamente por homens e direcionadas ao público feminino. Essa constatação revela uma contradição importante: a mulher empresta sua voz para discursos amorosos produzidos sob uma ótica masculina, reproduzindo narrativas que limitam sua autonomia emocional e reforçam papéis tradicionais. Essas letras, ainda que interpretadas por mulheres, mantêm um olhar masculino sobre o amor, sustentando representações de feminilidade baseadas na dependência, no sofrimento e no sacrifício afetivo. Tal fenômeno contribui para a perpetuação de um discurso hegemônico sobre o amor, no qual a mulher é subjetivada como cuidadora, paciente e emocionalmente devotada ao outro. Em contrapartida, algumas músicas apresentam nuances de resistência, especialmente quando a mulher expressa o desejo, o ciúme ou a dor com intensidade, rompendo parcialmente com a ideia de passividade feminina. Contudo, mesmo nesses casos, o amor ainda aparece como lugar central e determinante da identidade da mulher. Portanto, os resultados indicam que, no contexto analisado, a música brega paraense atua como um importante instrumento de construção e reprodução simbólica das representações de gênero. A partir dessas letras, é possível compreender como o amor continua sendo um dispositivo social que regula o comportamento e a subjetividade das mulheres, articulando afetividade, poder e cultura. Conclusão: Esses achados dialogam diretamente com as reflexões teóricas de autoras como Bell Hooks (2021), Zanello (2018) e Navarro-Swain (2012), que compreendem o amor como um campo de disputa simbólica e política, atravessado por relações de poder e de gênero. A partir dessa perspectiva, observa-se que as músicas analisadas não apenas expressam sentimentos individuais, mas também reproduzem um discurso social que define o lugar da mulher nas relações afetivas, sustentando ideais de amor como dependência, sacrifício e subordinação. Entretanto, ao mesmo tempo em que reafirmam tais padrões, essas produções culturais também revelam fissuras, momentos em que a voz feminina emerge com força e desejo, apontando para novas formas de sentir e significar o amor. Assim, os resultados desta pesquisa reforçam a importância de problematizar o amor como dispositivo social, compreendendo-o não apenas como emoção, mas como prática cultural que influencia profundamente a constituição da identidade e da subjetividade das mulheres. Palavras-chave: amor; música brega; gênero, mídias sociais e relações amorosas. REFERÊNCIAS BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977. BAUMAN, Z. Amor Líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2004. BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. 6. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012. DA SILVA, J M. Música brega, sociabilidade e identidade na região Norte. ECO-PÓS, v. 6, p. 123-135, 2003. Disponível em: https://ecopos.emnuvens.com.br/eco_pos/article/view/1147/1088. Acesso em: 14 dez. 2025. DE LAURETIS, T. A Tecnologia do Gênero. In HOLLANDA, Heloisa Buarque (Org.). Tendências e impasses: o feminismo como crítica da cultura. Rio de Janeiro: Rocco,1994. p. 206–242. HOOKS, B. Tudo sobre o amor: novas perspectivas. São Paulo: Editora Elefante. 2021 ZANELLO, V. Saúde Mental, gênero e dispositivos. Cultura e processos de subjetivação. Curitiba: Appris, 2018.
Título do Evento
VI Seminário de Psicologia Social da Amazônia - Entre o rio e a cidade: insurgências contemporâneas
Cidade do Evento
Belém
Título dos Anais do Evento
Anais do Seminário de Psicologia Social da Amazônia: Entre o rio e a cidade: Insurgências contemporâneas.
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

FARIAS, Luana Da Silva; FERNANDES, Kellly Cristina Reis. A VIVÊNCIA FEMININA DO AMOR SOB A INFLUÊNCIA DA MÚSICA BREGA PARAENSE DIFUNDIDA NAS MÍDIAS SOCIAIS.. In: Anais do Seminário de Psicologia Social da Amazônia: Entre o rio e a cidade: Insurgências contemporâneas.. Anais...Belém(PA) UNIFAMAZ, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/vi-seminario-de-piscologia-social-da-amazonia-entre-o-rio-e-a-cidade-insurgenciasnbsp-contemporaneas-659526/1457004-A-VIVENCIA-FEMININA-DO-AMOR-SOB-A-INFLUENCIA-DA-MUSICA-BREGA-PARAENSE-DIFUNDIDA-NAS-MIDIAS-SOCIAIS. Acesso em: 15/10/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes