BIODIVERSIDADE, USOS E POSSIBILIDADES DA UCUÚBA DA VÁRZEA (VIROLA SURINAMENSIS (ROL. EX ROTTB.) WARB.) NO ESTADO DO PARÁ, AMAZÔNIA, BRASIL

Publicado em 20/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2599-7

Título do Trabalho
BIODIVERSIDADE, USOS E POSSIBILIDADES DA UCUÚBA DA VÁRZEA (VIROLA SURINAMENSIS (ROL. EX ROTTB.) WARB.) NO ESTADO DO PARÁ, AMAZÔNIA, BRASIL
Autores
  • Mônica Levynsk dos Santos Damasceno
  • Paula Camila De Sousa Magalhães
  • Sebastião Ribeiro Xavier Junior
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
1. Biodiversidade, Saúde e Sustentabilidade na Amazônia e no Brasil
Data de Publicação
20/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/vcbbits-634008/1449621-biodiversidade-usos-e-possibilidades-da-ucuuba-da-varzea-(virola-surinamensis-(rol-ex-rottb)-warb)-no-estado
ISBN
978-65-272-2599-7
Palavras-Chave
Antioxidantes, bioeconomia amazônica, conservação da biodiversidade, etnobotânica, Virola surinamensis.
Resumo
RESUMO A Amazônia constitui o maior bioma tropical do planeta, caracterizando-se por elevada diversidade biológica e por desempenhar funções essenciais na regulação climática e na manutenção de processos ecológicos globais. Nesse contexto, o gênero Virola Aubl., pertencente à família Myristicaceae, destaca-se por sua ampla distribuição e relevância ecológica nas florestas neotropicais, especialmente na região amazônica. Dentre suas espécies, Virola surinamensis (Rol. ex Rottb.) Warb., popularmente conhecida como ucuúba, apresenta notável plasticidade ecológica, ocorrendo em ambientes de várzea alta, várzea baixa e igapós, o que lhe confere elevado potencial para manejo florestal sustentável. O presente estudo teve como objetivo reunir e analisar informações científicas e etnobotânicas acerca de V. surinamensis, abordando sua distribuição geográfica, importância ecológica, usos tradicionais, potencial farmacológico e inserção na bioeconomia amazônica. Para tanto, realizou-se uma revisão bibliográfica sistemática, de caráter qualitativo e descritivo, com base em publicações científicas nacionais e internacionais indexadas em bases de dados reconhecidas, selecionadas segundo critérios metodológicos rigorosos e orientadas pelo protocolo PRISMA. Os resultados evidenciam ampla distribuição da espécie no estado do Pará, com elevada representatividade em ecossistemas de várzea, além de expressiva presença em herbários nacionais e internacionais. No âmbito etnobotânico e farmacológico, os estudos analisados confirmam atividades anti-inflamatórias, antioxidantes, antimicrobianas e antitumorais associadas a compostos bioativos como grandisina, virolina e surinamensina, corroborando usos tradicionais historicamente registrados. Ademais, destaca-se o valor econômico do óleo extraído das sementes, amplamente utilizado na indústria cosmética, inserindo a espécie em cadeias produtivas sustentáveis da bioeconomia amazônica. Conclui-se que Virola surinamensis reúne atributos ecológicos, culturais e econômicos que a qualificam como espécie estratégica para a conservação da biodiversidade e para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Entretanto, a exploração intensiva de seus recursos naturais impõe desafios à conservação, reforçando a necessidade de políticas públicas, práticas de manejo sustentável e ampliação de pesquisas científicas que assegurem sua preservação e uso responsável. INTRODUÇÃO A Amazônia, maior floresta tropical do planeta e detentora da mais extensa rede de drenagem do mundo, concentra expressiva diversidade biológica e fornece serviços ecossistêmicos essenciais à estabilidade ambiental global. Além de sua importância global, esse bioma abriga milhares de espécies vegetais e animais, distribuídas em uma área relativamente reduzida da superfície terrestre, evidenciando sua singularidade ecológica e seu papel estratégico na regulação climática e na manutenção de processos ecológicos fundamentais (Albert et al., 2023; Rodrigues, 2025). Por conseguinte, sua complexidade ambiental favorece a ocorrência de grupos vegetais altamente especializados, que desempenham funções essenciais na manutenção da biodiversidade e na sustentação das interações ecológicas na região. Entre esses grupos, destaca-se o gênero Virola Aubl., pertencente à família Myristicaceae. Com aproximadamente 35 espécies aceitas, incluindo nove endêmicas, Virola está amplamente distribuído em diferentes formações florestais neotropicais e, ao mesmo tempo, apresenta oito sinônimos reconhecidos, o que reflete a complexidade taxonômica do gênero. Adicionalmente, as espécies desse grupo desempenham funções ecológicas significativas, como a ciclagem de nutrientes, a manutenção da biodiversidade e o fornecimento de recursos alimentares para a fauna, contribuindo para a estabilidade e dinâmica das florestas amazônicas (Flora do Brasil, 2026). No contexto amazônico, Virola surinamensis (Rol. Ex Rottb.) Warb. Destaca-se por sua ampla distribuição em ambientes de várzea e igapó, refletindo elevada plasticidade ecológica além de adaptações morfofisiológicas que permitem à espécie tolerar variações no regime de inundação e nas características do solo. Além de sua relevância ecológica, V. surinamensis possui reconhecida importância etnobotânica e farmacológica, sendo tradicionalmente utilizada por comunidades indígenas e ribeirinhas para fins terapêuticos, incluindo tratamentos de inflamações, distúrbios digestivos e doenças cutâneas. Paralelamente, pesquisas recentes evidenciam que compostos bioativos presentes na espécie, como grandisina, virolina e surinamensina, apresentam atividades antitumorais, antimicrobianas e antioxidantes, corroborando parte do conhecimento tradicional e, ao mesmo tempo, ampliando o potencial da espécie para aplicações farmacêuticas e fitoterápicas (Machado et al., 2021). Todavia, a exploração histórica da madeira e a ausência de estratégias adequadas de manejo têm impactado as populações naturais de V. surinamensis, resultando em vulnerabilidade o que, portanto, reforça a necessidade de medidas de conservação. Sob essa perspectiva, a preservação da espécie depende não apenas do manejo sustentável, mas também do aprofundamento do conhecimento científico e da integração com saberes tradicionais, oferecendo subsídios para políticas públicas e estratégias de conservação que considerem tanto a proteção ambiental quanto o uso sustentável da biodiversidade amazônica. O presente trabalho propõe-se a reunir e analisar informações científicas e culturais disponíveis sobre V. surinamensis, abordando sua distribuição geográfica, características morfológicas, usos tradicionais, propriedades farmacológicas bem como aspectos de conservação, contribuindo para o fortalecimento do conhecimento e a proteção da biodiversidade regional. METODOLOGIA A pesquisa consistiu em uma revisão integrativa realizada a partir de buscas em bases de dados científicas e plataformas especializadas, com prioridade para Reflora, a Lista de Espécies de Flora e Funga do Brasil, SpeciesLink e The International Plant Name Index (IPNI), complementadas por PubMed, SciELO, ScienceDirect e Google Acadêmico. Para ampliar o alcance das publicações analisadas, foram utilizados descritores em português e inglês, combinados por operadores booleanos, como Virola surinamensis, ucuúba, ethnobotany, medicinal uses, cosmetic applications, ecological importance e bioeconomy, contemplando produções nacionais e internacionais. Os critérios de inclusão consideraram artigos originais, revisões sistemáticas, dissertações, teses e relatórios técnicos publicados entre 1990 e 2024, desde que apresentassem identificação taxonômica precisa da espécie e metodologia claramente descrita. Foram excluídos estudos com dados incompletos, ausência de rigor metodológico ou inconsistências na caracterização botânica. Os trabalhos selecionados foram organizados e submetidos à análise qualitativa e interpretativa, com o objetivo de identificar convergências, divergências e lacunas no conhecimento científico disponível. Cada registro foi avaliado considerando-se a confiabilidade da fonte, o tipo de evidência apresentada experimental, etnobotânica ou empírica e sua pertinência para o contexto amazônico. A abordagem metodológica incorporou referenciais da etnobotânica e da bioeconomia amazônica, reconhecendo o conhecimento tradicional como elemento essencial para a compreensão do uso sustentável da biodiversidade. Essa integração entre saberes científicos e tradicionais seguiu os princípios estabelecidos pela Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), especialmente no que se refere à conservação dos recursos naturais e à repartição justa e equitativa dos benefícios oriundos da utilização do patrimônio genético. O estudo configura-se como uma revisão integrativa destinada a sintetizar e aprofundar o conhecimento disponível sobre Virola surinamensis (Rol. Ex Rottb.) Warb., evidenciando seu valor ecológico e socioeconômico, além de apontar lacunas de pesquisa e oportunidades de manejo sustentável que contribuam para a conservação das florestas amazônicas e para o fortalecimento das cadeias produtivas baseadas na biodiversidade regional. RESULTADOS E DISCUSSÕES O levantamento de Virola surinamensis no estado do Pará evidenciou um total de 1.197 registros, dos quais 1.101 ocorrências foram confirmadas, abrangendo 124 dos 144 municípios paraenses, o que demonstra a ampla representatividade espacial da espécie no território amazônico. Destacam-se municípios como Belém, com 156 registros, Santarém, com 121, e Oriximiná, com 79 ocorrências, indicando áreas prioritárias tanto para estudos botânicos quanto para ações de manejo e conservação. Essa ampla distribuição corrobora estudos recentes que apontam V. surinamensis como uma espécie estruturalmente relevante em ecossistemas de várzea e áreas estuarinas, apresentando elevada plasticidade ecológica e capacidade de regeneração natural (SpeciesLink, 2025; Rodrigues et al., 2022). Além disso, as coletas da espécie encontram-se depositadas em 53 herbários nacionais e internacionais, com destaque para o IAN, que concentra 331 registros, seguido pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), com 218 amostras, e pelo Herbário do New York Botanical Garden (NY), com 161 registros. A expressiva presença nesses acervos reforça a importância taxonômica, ecológica e científica da espécie, permitindo análises comparativas sobre variabilidade morfológica, distribuição biogeográfica e potenciais usos biotecnológicos, conforme destacado por estudos recentes sobre a flora amazônica (BFG, 2022; Flora do Brasil, 2020). No que se refere à importância medicinal, pesquisas recentes continuam a validar o uso tradicional de V. surinamensis, especialmente no tratamento de inflamações e distúrbios gastrointestinais. Estudos farmacológicos conduzidos a partir de 2021 demonstraram que extratos da resina e das folhas apresentam atividade anti-inflamatória, antioxidante, antimicrobiana e gastroprotetora, associada à presença de compostos fenólicos, flavonoides e neolignanas bioativas (Machado et al., 2021; Almeida et al., 2022). A presença de substâncias como grandisina, surinamensina e virolina tem sido relacionada a efeitos antinociceptivos e antitumorais, ampliando o interesse da espécie para aplicações farmacêuticas e fitoterápicas contemporâneas (Carvalho et al., 2010; Anunciação et al., 2020). Adicionalmente, estudos mais recentes indicam que extratos metanólicos e óleos essenciais de V. surinamensis apresentam atividade citotóxica seletiva contra linhagens tumorais, como HCT116, reforçando seu potencial para pesquisas antineoplásicas e para o desenvolvimento de novos fármacos de origem natural (Anunciação et al., 2020). Tais resultados evidenciam a convergência entre o conhecimento tradicional e a ciência moderna, fortalecendo a valorização da biodiversidade amazônica como fonte estratégica de inovação terapêutica. Sob a perspectiva econômica, o sebo de ucuúba extraído das sementes da espécie tem se consolidado como um insumo de alto valor agregado na bioeconomia amazônica, sobretudo em cadeias produtivas sustentáveis. Estudos recentes apontam que o óleo apresenta elevado teor de trimiristina, conferindo propriedades emolientes, estabilidade oxidativa e ampla aplicabilidade na indústria cosmética natural, especialmente em cremes, sabonetes, bálsamos e produtos dermatológicos (The Lipid Cosmetic Ingredient Database, 2022; Silva et al., 2024). A coleta não predatória das sementes, realizada após a queda natural dos frutos, favorece a conservação da espécie e fortalece a economia de comunidades ribeirinhas e extrativistas, conforme observado em pesquisas socioambientais recentes (Rodrigues et al., 2022). No contexto ambiental, V. surinamensis desempenha papel ecológico relevante em ecossistemas de várzea alta, várzea baixa e igapós, contribuindo para a estabilidade das margens fluviais e para a manutenção da biodiversidade local. Pesquisas recentes demonstram que a espécie apresenta tolerância a solos contaminados por metais pesados, como o cádmio, indicando potencial para uso em programas de fitorremediação e recuperação de áreas degradadas (Júnior et al., 2021; Souza et al., 2024). Além disso, estudos indicam que o manejo sustentável da espécie, aliado ao monitoramento da regeneração natural, pode minimizar impactos ambientais decorrentes da exploração madeireira e extrativista (Flora do Brasil, 2023). Por fim, os resultados demonstram que Virola surinamensis reúne atributos ecológicos, medicinais, econômicos e culturais que a qualificam como uma espécie estratégica para a bioeconomia verde amazônica. A integração entre dados científicos recentes e o conhecimento tradicional reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à conservação, ao manejo sustentável e à repartição justa de benefícios, conforme os princípios da Convenção sobre Diversidade Biológica. Entretanto, destaca-se a importância da ampliação de estudos farmacológicos, toxicológicos e ecológicos para garantir a aplicação segura e sustentável da espécie em diferentes setores produtivos. CONCLUSÃO A análise da literatura, dos registros etnobotânicos e das evidências ecológicas indica que Virola surinamensis possui elevada relevância ecológica, sociocultural e econômica na Amazônia. Sua ampla distribuição e adaptabilidade a diferentes regimes hidrológicos reforçam seu papel estrutural em ecossistemas de várzea e igapó, demonstrando seu potencial para manejo florestal sustentável e recuperação ambiental. No campo etnobotânico e farmacológico, os usos tradicionais da ucuúba encontram respaldo em estudos que comprovam atividades bioativas, como anti-inflamatória, antioxidante, antimicrobiana e antitumoral. Dessa forma, evidencia-se a convergência entre saberes tradicionais e evidências científicas. Sob a perspectiva econômica, o aproveitamento sustentável do óleo de suas sementes, especialmente na indústria cosmética natural, mostra que é possível conciliar geração de renda, valorização das cadeias produtivas locais e conservação dos ecossistemas, sugerindo alternativas viáveis de desenvolvimento territorial sustentável. Apesar do potencial demonstrado, a espécie permanece vulnerável devido à exploração madeireira histórica e à ausência de estratégias de manejo adequadas. Portanto, são necessárias ações integradas de conservação, políticas públicas fundamentadas em dados científicos e monitoramento contínuo das populações naturais. O aprofundamento de estudos ecológicos, farmacológicos e socioambientais, aliado à integração entre ciência, conhecimento tradicional e gestão pública, é essencial para assegurar o uso sustentável da espécie e consolidar modelos de desenvolvimento que promovam conservação ambiental, inclusão social e inovação científica. 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Ucuúba butter (Virola surinamensis) cosmetic profile. 2022.
Título do Evento
V CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE
Título dos Anais do Evento
ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

DAMASCENO, Mônica Levynsk dos Santos; MAGALHÃES, Paula Camila De Sousa; JUNIOR, Sebastião Ribeiro Xavier. BIODIVERSIDADE, USOS E POSSIBILIDADES DA UCUÚBA DA VÁRZEA (VIROLA SURINAMENSIS (ROL. EX ROTTB.) WARB.) NO ESTADO DO PARÁ, AMAZÔNIA, BRASIL.. In: ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE. Anais...Santarém(PA) UEPA, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/VCBBITS-634008/1449621-BIODIVERSIDADE-USOS-E-POSSIBILIDADES-DA-UCUUBA-DA-VARZEA-(VIROLA-SURINAMENSIS-(ROL-EX-ROTTB)-WARB)-NO-ESTADO. Acesso em: 25/09/2026

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