PROMOÇÃO DA SAÚDE EM TERRITÓRIOS QUILOMBOLAS E INDÍGENAS: VIVÊNCIAS DE ESTUDANTES DE ENFERMAGEM EM AÇÕES DE SAÚDE BUCAL E SAÚDE DA MULHER

Publicado em 20/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2599-7

Título do Trabalho
PROMOÇÃO DA SAÚDE EM TERRITÓRIOS QUILOMBOLAS E INDÍGENAS: VIVÊNCIAS DE ESTUDANTES DE ENFERMAGEM EM AÇÕES DE SAÚDE BUCAL E SAÚDE DA MULHER
Autores
  • Vanessa Dos Santos Borges
  • Ana Clara Corrêa Da Silva
  • Ana Clara Cohen Braga
  • Ayandra Laura Oliveira da Silva
  • Ana Camille Viana Falcão Brito
  • Analice França Lima
  • Karen Vitória De Souza Caldas
  • Jorge Carlos Menezes Nascimento Junior
  • Acylena Coelho Costa
  • Silvia Maria Farias da Silva
  • Franciane de Paula Fernandes
  • Sheyla Mara Silva de Oliveira
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
3. Determinantes Sociais, Culturais e Ambientais da Saúde
Data de Publicação
20/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/vcbbits-634008/1449501-promocao-da-saude-em-territorios-quilombolas-e-indigenas--vivencias-de-estudantes-de-enfermagem-em-acoes-de-saud
ISBN
978-65-272-2599-7
Palavras-Chave
Promoção da Saúde, Populações Tradicionais, Saúde Bucal, Saúde da Mulher
Resumo
RESUMO O estudo teve como objetivo relatar as vivências de estudantes de enfermagem em ações de promoção da saúde bucal e da saúde da mulher em territórios quilombolas e indígenas. Trata-se de um relato de experiência, desenvolvido por acadêmicas do 8º semestre durante estágio da disciplina Populações Tradicionais da Amazônia, realizado em setembro de 2025 em comunidades quilombolas e indígenas do município de Santarém. As ações educativas envolveram crianças, mulheres e adolescentes, com foco em higiene bucal e prevenção do câncer de mama e do colo do útero, utilizando metodologias lúdicas, visuais e rodas de conversa, adaptadas às realidades locais. Os resultados evidenciaram boa participação do público, fortalecimento do autocuidado e ampliação do acesso à informação em saúde. Conclui-se que a promoção da saúde em territórios tradicionais requer sensibilidade cultural, flexibilidade metodológica e contribui para a formação crítica e humanizada em enfermagem. Palavras-chave: Promoção da Saúde. Populações Tradicionais. Saúde Bucal. Saúde da Mulher. INTRODUÇÃO: As comunidades quilombolas e os povos indígenas constituem grupos historicamente marcados por processos de resistência à colonização, à escravidão e às diversas formas de opressão social, racial e cultural. No Brasil, essas populações mantêm modos de vida e saberes tradicionais próprios, porém ainda enfrentam desafios no acesso aos serviços de saúde, relacionados a fatores geográficos, socioeconômicos e culturais. Tais condições contribuem para piores indicadores de saúde quando comparadas à população em geral, configurando uma violação do direito fundamental à saúde (Gallatti; Perez-Filho, 2025; Sousa et al., 2023; Moura, 2021). Diante desses desafios, a promoção da saúde em territórios quilombolas e indígenas configura-se como uma estratégia essencial e um direito assegurado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS), por ser o nível de atenção mais próximo dessas comunidades. Conforme a Organização Mundial da Saúde, a promoção da saúde envolve o fortalecimento da autonomia dos indivíduos e coletividades, considerando os determinantes sociais da saúde, enquanto a prevenção refere-se à adoção de medidas voltadas à redução de fatores de risco e da incidência de doenças (WHO, 1986; Brasil, 2021). Nesse contexto, a saúde bucal configura-se como componente essencial da saúde geral, uma vez que alterações bucais podem gerar dor e limitações funcionais. No que se refere à saúde da mulher, as desigualdades tornam-se mais evidentes em territórios quilombolas e indígenas, agravadas pela interseccionalidade entre raça, gênero, etnia e classe social, dificultando o acesso aos serviços de saúde (WHO, 2025; Fernandes; Galindo; Valença, 2020). Nesse cenário, a enfermagem assume papel estratégico no desenvolvimento de ações de promoção da saúde e prevenção de agravos em territórios quilombolas e indígenas, por meio de práticas educativas, cuidado integral e sensibilidade cultural. Assim, as experiências vivenciadas por estudantes de enfermagem nesses contextos tornam-se relevantes para a compreensão das dinâmicas de cuidado e para o fortalecimento de práticas de promoção da saúde em territórios tradicionais. OBJETIVOS: Relatar as vivências de estudantes de enfermagem em ações de promoção da saúde bucal e da saúde da mulher em territórios quilombolas e indígenas. DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA E METODOLOGIA: Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, acerca das vivências de acadêmicas de enfermagem do 8º semestre, desenvolvidas no âmbito de ações de promoção da saúde em territórios tradicionais. As atividades ocorreram no mês de setembro de 2025, como parte do estágio na disciplina Populações Tradicionais da Amazônia, envolvendo comunidades quilombolas e indígenas do município de Santarém. As ações foram realizadas em três territórios distintos, a saber: Comunidade Quilombola Tiningu, no dia 09; Aldeia Indígena Ipaupixuna, no dia 11; e Comunidade Quilombola Saracura, no dia 13. As intervenções tiveram como público-alvo mulheres, crianças e demais moradores das comunidades. O conjunto das ações contemplou diversos temas de educação em saúde, como doenças infecciosas, álcool e outras drogas, entre outros. No entanto, o presente relato tem como foco as experiências relacionadas à promoção da saúde bucal e à saúde da mulher. RESULTADOS E/OU REFLEXÕES: As ações focaram em saúde bucal, direcionadas principalmente ao público infantil, e saúde da mulher. No eixo de saúde bucal, participaram crianças com idades entre 5 e 12 anos, as quais demonstraram, em sua maioria, já conhecer os cuidados básicos com a higiene oral, além da participação e interação durante as atividades. As intervenções educativas foram desenvolvidas por meio de estratégias lúdicas e visuais, com demonstração do uso correto da escova, do fio dental e da pasta de dente, utilizando recursos ilustrativos e exemplos do cotidiano. Foram abordadas práticas adequadas e inadequadas de higiene oral, relacionando a saúde bucal à saúde geral e às possíveis repercussões, como dor e dificuldade de alimentação. As dinâmicas participativas, aliadas à entrega de kits de higiene bucal ao final das ações, contribuíram para o estímulo ao autocuidado e para a continuidade das práticas aprendidas no cotidiano das crianças. No que se refere às ações educativas voltadas à saúde da mulher, estas foram desenvolvidas por meio do uso de folhetos educativos contendo informações claras e objetivas sobre o câncer de mama e o câncer do colo do útero. Foram abordados conceitos, fatores de risco, sinais e sintomas, formas de prevenção, bem como a importância da mamografia, do exame citopatológico do colo do útero e do autoexame das mamas. As atividades ocorreram em formato de conversa informal, possibilitando a troca de vivências e o esclarecimento de dúvidas. O formato dialógico adotado favoreceu a construção de um espaço de escuta e troca, no qual as mulheres puderam compartilhar experiências, práticas de cuidado e saberes, contribuindo para a ampliação da compreensão sobre o cuidado preventivo. Ao final, foram entregues materiais educativos de reforço, acompanhados de uma lembrancinha simbólica, como forma de incentivo à realização dos exames preventivos e ao reconhecimento precoce dos sinais e sintomas. Inicialmente, as ações foram planejadas para abordar mulheres pertencentes às faixas etárias preconizadas para a prevenção do câncer do colo do útero e do câncer de mama. Contudo, durante a execução das atividades, foi necessária a adaptação das estratégias educativas às realidades encontradas em cada território. Na Aldeia Indígena Ipaupixuna, diante da ausência do público feminino previamente esperado, a abordagem foi direcionada para adolescentes com idades entre 14 e 17 anos, possibilitando uma conversa educativa sobre o tema. Nesse contexto, os participantes compartilharam vivências familiares relacionadas ao câncer de mama e levantaram questionamentos acerca da predisposição hereditária, das formas de prevenção, da alimentação saudável e dos cuidados com o estilo de vida. Já na Comunidade Quilombola Saracura, as orientações foram direcionadas às mulheres adultas e realizadas de forma individualizada, em virtude da inexistência de um momento coletivo estruturado, garantindo que todas recebessem as informações de maneira clara e acessível. A experiência evidenciou a importância da flexibilidade metodológica, da escuta sensível e da adaptação das estratégias educativas às especificidades culturais e organizacionais de cada território tradicional. CONCLUSÃO: As atividades desenvolvidas por estudantes de enfermagem em territórios quilombolas e indígenas evidenciaram que a promoção da saúde vai além da transmissão de informações, exigindo escuta sensível, respeito às especificidades culturais e flexibilidade na condução das ações. As estratégias lúdicas e dialógicas favoreceram a participação das crianças e possibilitaram momentos de troca e esclarecimento de dúvidas entre adolescentes e mulheres, respeitando os contextos socioculturais de cada comunidade. A partir dessas vivências, foi possível ampliar a compreensão do cuidado integral na Atenção Primária à Saúde, fortalecendo competências relacionadas à educação em saúde, à adaptação das práticas e à atuação em contextos socialmente vulnerabilizados. Por fim, a inserção de estudantes nesses contextos mostra-se fundamental para a formação em enfermagem, ao estimular práticas humanizadas, culturalmente sensíveis e comprometidas com a equidade em saúde. REFERÊNCIAS: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise em Saúde e Doenças não Transmissíveis. Promoção da Saúde: aproximações ao tema: caderno 1. Brasília: Ministério da Saúde, p. 60, 2021. ISBN 978-65-5993-008-1. FERNANDES, S. L.; GALINDO, D. C. G.; VALENCIA, L. P. (2020). Quilombola identity: actuations in daily of women quilombolas in the agreste of Alagoas. Psicologia em Estudo, v. 25, p. e45031, 2020. GALLATTI, M. A. S. S.; FILHO PEREZ, A. M. Povos indígenas e os desafios de acesso ao direito à saúde como forma de prevenção de conflitos no poder judiciário e a concretização da cidadania. Revista Brasileira Multidisciplinar, [S. l.], v. 28, n. 3, p. 245-258, 2025. DOI: 10.25061/2527-2675/ReBraM/2025.v28i3.2379. MOURA, C. Quilombos: resistência ao escravismo. –5ª ed. -Teresina: EdUESPI, 2021. ISBN: 978-65-88108-22-2. SOUSA, R. F. et al. Condições de saúde e relação com os serviços de saúde na perspectiva de pessoas de quilombo. Escola Anna Nery.V. 27, p. e20220164, 2023. WHO. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Carta de Ottawa: primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde. Ottawa, Canadá, nov. 1986. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/carta_ottawa.pdf. WHO. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Oral health. Genebra: WHO, 2025. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/oral-health. Acesso em: 12 jan. 2026.
Título do Evento
V CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE
Título dos Anais do Evento
ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BORGES, Vanessa Dos Santos et al.. PROMOÇÃO DA SAÚDE EM TERRITÓRIOS QUILOMBOLAS E INDÍGENAS: VIVÊNCIAS DE ESTUDANTES DE ENFERMAGEM EM AÇÕES DE SAÚDE BUCAL E SAÚDE DA MULHER.. In: ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE. Anais...Santarém(PA) UEPA, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/VCBBITS-634008/1449501-PROMOCAO-DA-SAUDE-EM-TERRITORIOS-QUILOMBOLAS-E-INDIGENAS--VIVENCIAS-DE-ESTUDANTES-DE-ENFERMAGEM-EM-ACOES-DE-SAUD. Acesso em: 25/09/2026

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