ESTILO DE VIDA E COMPORTAMENTOS RELACIONADOS À SAÚDE EM UMA COMUNIDADE QUILOMBOLA DA AMAZÔNIA

Publicado em 20/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2599-7

Título do Trabalho
ESTILO DE VIDA E COMPORTAMENTOS RELACIONADOS À SAÚDE EM UMA COMUNIDADE QUILOMBOLA DA AMAZÔNIA
Autores
  • Ana Camille Viana Falcão Brito
  • Raquel Castro Carvalho
  • Rayane Pires Da Silva
  • Vanessa Dos Santos Borges
  • Laís Aguiar Barrozo
  • Débora Carolina Martins Corrêa
  • Leanna Silva Aquino
  • Ellen Mara Fernandes Da Silva
  • Sheyla Mara Silva de Oliveira
  • Franciane de Paula Fernandes
  • Tatiane Costa Quaresma
  • Lívia de Aguiar Valentim
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
3. Determinantes Sociais, Culturais e Ambientais da Saúde
Data de Publicação
20/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/vcbbits-634008/1449440-estilo-de-vida-e-comportamentos-relacionados-a-saude-em-uma-comunidade-quilombola-da-amazonia
ISBN
978-65-272-2599-7
Palavras-Chave
Comunidades Quilombolas, Estilo de Vida, Comportamentos Relacionados com a Saúde.
Resumo
RESUMO Este estudo teve como objetivo analisar os hábitos e estilos de vida relacionados à saúde de moradores da comunidade quilombola de Saracura, Santarém (PA). Realizou-se pesquisa descritiva, quantitativa, com 26 participantes, utilizando dados do Bloco VII – Hábitos e Estilo de Vida de questionário estruturado e validado, coletados em setembro de 2025 por acadêmicas de Enfermagem da UEPA, seguindo normas éticas. Os resultados indicaram coexistência de práticas protetivas, como atividade física (61,5%) e abstinência de álcool (80,8%), e fatores de risco, como tabagismo presente em todos os participantes e predominância de atividades de lazer de caráter sociocultural e de baixa exigência física. Verificou-se que hábitos de saúde são fortemente influenciados por determinantes culturais, sociais e ambientais, refletindo desigualdades históricas no acesso a políticas públicas e infraestrutura. Conclui-se que estratégias intersetoriais e culturalmente adequadas são essenciais para valorizar saberes locais, promover cuidado integral e melhorar a qualidade de vida da população quilombola. Palavras-chave: Comunidades Quilombolas. Estilo de Vida. Comportamentos Relacionados com a Saúde. INTRODUÇÃO As comunidades quilombolas são representadas por grupos étnicos-raciais constituídos por descendentes de africanos, cuja organização social, cultural e territorial é marcada por processos históricos de resistência e preservação da memória ancestral (Amador et al., 2024). No Brasil, essas comunidades estão majoritariamente localizadas em áreas rurais e de difícil acesso, sendo possível observar que as condições socioeconômicas e ambientais acabam influenciando diretamente no processo de saúde-doença (Nascimento et al., 2023). O estilo de vida e os comportamentos relacionados à saúde desempenham papel central na determinação das condições de saúde das populações, envolvendo práticas alimentares, realização de atividade física, padrões de sono, consumo de álcool e outras substâncias, além dos métodos de autocuidado (Machado et al., 2023). Em comunidades quilombolas esses comportamentos estão principalmente vinculados aos modos de vida tradicionais, à relação com território e as atividades produtivas desenvolvidas no cotidiano, como a agricultura, a pesca e o extrativismo (Lima, 2024). Esses elementos atuam como fatores de proteção, favorecendo o bem-estar físico e mental, além de contribuir para o fortalecimento dos vínculos comunitários e a manutenção da identidade cultural dessa população. Contudo, diante das mudanças sociais, ambientais e econômicas que vêm ocorrendo, torna-se evidente a influência desses fenômenos no modo de vida das comunidades quilombolas. Estudos mostram que o consumo de alimentos ultraprocessados está associado a maior prevalência de agravos de saúde, como hipertensão arterial, em quilombolas, refletindo transições alimentares e estilos de vida influenciados por insegurança alimentar e condições socioeconômicas vulneráveis (Barbosa et al., 2023). Dessa forma, torna-se fundamental analisar os hábitos e as rotinas dessas comunidades para compreender como esses fatores influenciam no bem-estar da população. Tal compreensão possibilita a elaboração de estratégias de cuidado e promoção da saúde, contribuindo para a redução das iniquidades em saúde, o fortalecimento do cuidado integral e a melhoria da qualidade de vida da população quilombola. OBJETIVOS Analisar os hábitos e estilos de vida relacionados à saúde de moradores de uma comunidade quilombola do município de Santarém, Pará. MATERIAL E MÉTODO: Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem quantitativa, realizado no ano de 2025, vinculado a um projeto do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), o qual está articulado a uma pesquisa de mestrado previamente aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Estado do Pará (UEPA), sob o parecer consubstanciado nº 7.438.047. A pesquisa foi desenvolvida na comunidade quilombola de Saracura do município de Santarém, Pará, com a participação de 26 moradores. Para este estudo, foram utilizados exclusivamente os dados referentes ao Bloco VII – Hábitos e Estilo de Vida de um questionário estruturado e validado, aplicado nas comunidades. A coleta de dados ocorreu no dia 13 de setembro de 2025, na comunidade de Saracura, sendo realizada por acadêmicas do curso de Enfermagem da UEPA, integrantes do PIBIC, após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido pelos participantes, em conformidade com a Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. Os dados foram organizados e tabulados em planilha eletrônica no Microsoft Excel para posterior análise descritiva. RESULTADOS E DISCUSSÃO: A análise dos hábitos e estilos de vida dos moradores da comunidade quilombola de Saracura (n = 26) evidenciou a coexistência de práticas protetivas e fatores de risco à saúde, influenciados pelo contexto sociocultural e territorial. Observou-se que 61,5% (n = 16) dos participantes relataram praticar atividade física, enquanto 38,5% (n = 10) não realizavam práticas regulares. Quanto ao tipo de atividade física, foram registrados 17 relatos, uma vez que um participante informou a prática de duas modalidades. A caminhada foi a atividade mais frequente, correspondendo a 58,8% (n = 10) dos registros, seguida do futebol, com 29,4% (n = 5). A corrida foi mencionada em 5,9% (n = 1) dos relatos, assim como os alongamentos, igualmente com 5,9% (n = 1). Esses achados indicam que, embora a atividade física esteja incorporada ao modo de vida de parte da comunidade, persistem limitações para a adoção de práticas mais sistematizadas, relacionadas à ausência de infraestrutura e de políticas públicas de lazer em contextos rurais e de baixa renda (Kegler et al., 2022). Além disso, em populações indígenas e rurais, as práticas corporais costumam estar integradas às atividades cotidianas e ao bem-estar físico, mental e espiritual, não sendo necessariamente reconhecidas como exercício formal (Ahmed; Zuk; Tsuji, 2021). No que se refere ao consumo de bebidas alcoólicas, a maioria dos participantes relatou não consumir álcool (80,8%; n = 21), configurando um importante fator protetivo à saúde. Contudo, entre os 19,2% (n = 5) que referiram consumo, destacaram-se padrões de uso semanal e esporádico, sendo que 15,4% (n = 4) relataram consumo episódico excessivo nos últimos 30 dias. Ainda que presente em parcela reduzida da amostra, esse padrão associa-se a maior risco de agravos físicos e mentais, como acidentes, violências e intoxicações agudas, mesmo quando ocorre de forma pontual (Kuntsche et al., 2017), indicando a necessidade de ações educativas e preventivas culturalmente sensíveis. Em contrapartida, o tabagismo apresentou elevada prevalência na comunidade, uma vez que 100% (n = 26) dos participantes relataram fumar atualmente, com predominância do consumo não diário (88,5%; n = 23. Embora frequentemente percebido como menos prejudicial, o fumo ocasional constitui importante fator de risco à saúde, estando associado a doenças respiratórias, cardiovasculares e neoplásicas. Evidências apontam que fumantes não diários tendem a não se reconhecer como fumantes e, por isso, não recebem aconselhamento para cessação, o que dificulta intervenções em saúde (Savoy et al., 2014). Estudos recentes demonstram que esse padrão de consumo eleva em 41% o risco de primeiro infarto do miocárdio em comparação a nunca fumantes, com impacto ainda mais expressivo entre mulheres (Tiwari et al., 2025), reforçando a relevância clínica dos achados. Quanto às atividades de lazer, observou-se predominância de práticas de baixa exigência física e de caráter sociocultural, como assistir televisão (30,8%; n = 8) e atividades artesanais, incluindo crochê, costura e malhadeira (23,1%; n = 6), além de práticas religiosas e convivência comunitária. Esses resultados evidenciam a centralidade da cultura, da religiosidade e das relações sociais no cotidiano da comunidade, ao mesmo tempo em que revelam restrições no acesso a opções diversificadas de lazer ativo. Em áreas rurais e remotas, a prática de atividade física tende a ocorrer de forma espontânea e associada ao ambiente natural e à participação comunitária, em detrimento do uso de infraestrutura esportiva formal (Pelletier et al., 2020). Revisões recentes apontam a escassez de infraestrutura, transporte e programas estruturados como barreiras centrais à adoção de atividades físicas no tempo livre nesses territórios (Till et al., 2025). CONCLUSÃO Os resultados demonstram que os hábitos e comportamentos relacionados à saúde da comunidade quilombola estudada refletem a interação entre fatores culturais, sociais e ambientais. Embora práticas tradicionais associadas ao território atuem como elementos protetivos, persistem comportamentos de risco, como o tabagismo e o predomínio de lazer sedentário. Esses achados evidenciam desigualdades históricas no acesso a políticas públicas e serviços de promoção da saúde. Assim, destaca-se a importância de estratégias intersetoriais e culturalmente adequadas, que valorizem os saberes locais e contribuam para a melhoria da qualidade de vida e do cuidado integral à população quilombola. REFERÊNCIAS AHMED, F.; ZUK, A. M.; TSUJI, L. J. S. The Impact of Land-Based Physical Activity Interventions on Self-Reported Health and Well-Being of Indigenous Adults: A Systematic Review. International Journal of Environmental Research and Public Health, v. 18, n. 13, p. 7099, 2 jul. 2021. AMADOR, E. O. et al. Determinantes sociais em saúde como fator de impacto na assistência em saúde para populações quilombolas: uma revisão sistemática. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 24, n. 4, p. e14922–e14922, 18 abr. 2024. BARBOSA, L. B. et al. Ultra-processed food consumption and metabolic syndrome: a cross-sectional study in Quilombola communities of Alagoas, Brazil. International Journal for Equity in Health, v. 22, n. 1, 17 jan. 2023. KEGLER, M. C. et al. Inequities in Physical Activity Environments and Leisure-Time Physical Activity in Rural Communities. Preventing Chronic Disease, v. 19, 7 jul. 2022. KUNTSCHE, E. et al. Binge drinking: Health impact, prevalence, correlates and interventions. Psychology & Health, v. 32, n. 8, p. 976–1017, 17 maio 2017. LIMA, F. W. S. Práticas de Cura e Vivências de jovens quilombolas: uma análise sob a perspectiva da Antropologia da Saúde. 2024, 34f. TCC - Curso de Antropologia, Instituto de Humanidades, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção-Ceará, 2024. MACHADO, H. M. B. et al. DETERMINANTES SOCIAIS EM SAÚDE E SUAS IMPLICAÇÕES NO PROCESSO SAÚDE DOENÇA DA POPULAÇÃO. Revista Contemporânea, [S. l.], v. 3, n. 6, p. 6086–6102, 2023. DOI: 10.56083/RCV3N6-073. NASCIMENTO, M.T.A. et al. VIDA QUILOMBOLA NA COMUNIDADE DE ITACURUÇÁ, PARÁ. Novos Cadernos NAEA, v. 26, n. 2, p. 89-110, maio-ago. 2023. PELLETIER, C. A. et al. 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Título do Evento
V CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE
Título dos Anais do Evento
ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BRITO, Ana Camille Viana Falcão et al.. ESTILO DE VIDA E COMPORTAMENTOS RELACIONADOS À SAÚDE EM UMA COMUNIDADE QUILOMBOLA DA AMAZÔNIA.. In: ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE. Anais...Santarém(PA) UEPA, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/VCBBITS-634008/1449440-ESTILO-DE-VIDA-E-COMPORTAMENTOS-RELACIONADOS-A-SAUDE-EM-UMA-COMUNIDADE-QUILOMBOLA-DA-AMAZONIA. Acesso em: 07/09/2026

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