DESIGUALDADES RACIAIS EM SAÚDE NO BRASIL: EVIDÊNCIAS DEMOGRÁFICAS E DA VIOLÊNCIA LETAL A PARTIR DE RELATÓRIOS OFICIAIS

Publicado em 20/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2599-7

Título do Trabalho
DESIGUALDADES RACIAIS EM SAÚDE NO BRASIL: EVIDÊNCIAS DEMOGRÁFICAS E DA VIOLÊNCIA LETAL A PARTIR DE RELATÓRIOS OFICIAIS
Autores
  • Karol Costa de Carvalho
  • LAÍS SAVICZKI PINHO
  • Ana Emilia Gomes Macedo
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
3. Determinantes Sociais, Culturais e Ambientais da Saúde
Data de Publicação
20/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/vcbbits-634008/1449424-desigualdades-raciais-em-saude-no-brasil--evidencias-demograficas-e-da-violencia-letal-a-partir-de-relatorios-of
ISBN
978-65-272-2599-7
Palavras-Chave
Desigualdades raciais. Saúde da população negra. Violência letal. Determinantes sociais da saúde. Equidade em saúde
Resumo
RESUMO As desigualdades raciais em saúde no Brasil refletem processos históricos de exclusão social e o racismo estrutural e institucional presentes nas políticas públicas. A população negra apresenta piores indicadores de saúde e maior exposição à violência letal, reconhecida como determinante social da saúde. Este estudo objetiva sistematizar evidências sobre desigualdades raciais em saúde no Brasil, articulando o perfil demográfico da população negra com indicadores de saúde e violência letal. Trata-se de um estudo descritivo e documental, com dados secundários do Censo Demográfico (2022), da Pesquisa Nacional de Saúde (2019) e do Atlas da Violência (2025). Os resultados indicam maior concentração da população negra nas regiões Norte e Nordeste, maior prevalência de hipertensão arterial entre pessoas pretas, razão de mortalidade materna mais que duas vezes superior entre mulheres pretas e risco 2,7 vezes maior de homicídio. Conclui-se que tais desigualdades demandam políticas públicas intersetoriais orientadas pela equidade racial. Palavras-chave: Desigualdades raciais. Saúde da população negra. Violência letal. Determinantes sociais da saúde. Equidade em saúde. INTRODUÇÃO As desigualdades raciais em saúde no Brasil constituem um fenômeno histórico e estrutural, resultante de processos de exclusão social e do racismo institucional que atravessam as políticas públicas e o acesso aos direitos fundamentais (Batista; Werneck; Lopes, 2012; Werneck, 2016). A população negra composta por pessoas autodeclaradas pretas e pardas, apresenta piores condições de vida, maior exposição a agravos evitáveis e maior mortalidade precoce quando comparada à população branca, conforme evidenciado por inquéritos nacionais e relatórios oficiais (IBGE, 2023; Brasil, 2023). No contexto urbano e periférico, a violência letal intensifica essas desigualdades, impactando diretamente a saúde individual e coletiva e configurando-se como importante determinante social da saúde (IPEA; FBSP, 2025). A análise integrada de indicadores demográficos, de saúde e de violência torna-se, portanto, indispensável para compreender como essas iniquidades se expressam no Brasil contemporâneo. OBJETIVO Sistematizar evidências sobre desigualdades raciais em saúde no Brasil, articulando o perfil demográfico da população negra com indicadores de saúde e violência letal, a partir de relatórios oficiais. MATERIAL E MÉTODO Trata-se de um estudo descritivo e documental, baseado em dados secundários de acesso público. Foram utilizados dados do Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para caracterização demográfica da população negra; dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019 para indicadores de condições crônicas; e informações do Atlas da Violência 2025, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com dados referentes ao ano de 2023, para análise da violência letal segundo raça/cor. Considerou-se população negra a soma de indivíduos pretos e pardos, conforme classificação oficial. Os dados foram organizados em uma tabela descritiva de síntese, sem aplicação de análises estatísticas inferenciais. Por se tratar de dados secundários, públicos e provenientes de relatórios oficiais, não houve necessidade de aprovação por Comitê de Ética, sendo todas as autorias devidamente citadas. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados estão sintetizados na Tabela 1, que apresenta, de forma integrada, o perfil demográfico da população negra, indicadores selecionados de saúde e dados de violência letal no Brasil. Observa-se que a população negra corresponde a 55,5% da população brasileira, com maior concentração nas regiões Norte e Nordeste, evidenciando a dimensão territorial das desigualdades raciais (IBGE, 2023). No campo da saúde, identificam-se maiores prevalências de hipertensão arterial entre pessoas pretas e razão de mortalidade materna mais que duas vezes superior entre mulheres pretas em comparação às brancas, indicando iniquidades persistentes no cuidado em saúde (Brasil, 2023). No que se refere à violência letal, os dados revelam que, em 2023, 76,97% das vítimas de homicídio eram pessoas negras, com taxa de homicídios de 28,9 por 100 mil habitantes, configurando risco 2,7 vezes maior em relação à população não negra (IPEA; FBSP, 2025). Esses achados reforçam a compreensão da violência como determinante social da saúde e expressão da necropolítica que incide de forma desproporcional sobre a população negra. Tabela 1 :Perfil demográfico, indicadores de saúde e violência letal segundo raça/cor no Brasil Dimensão Indicador População negra (pretos + pardos) População branca / não negra Demografia Proporção da população brasileira (%) 55,5 43,5 Maior concentração regional Norte (~75%); Nordeste (~69%) Sul (~28%) Saúde – condição crônica Hipertensão autorreferida (%) Pretos: 25,8 Pardos: 24,0 Brancos: 24,4 Saúde – materna Razão de mortalidade materna (por 100 mil NV) Pretas: 100,4 Pardas: 50,4 Brancas: 46,6 Violência letal Proporção das vítimas de homicídio (%) 76,97 23,03 Taxa de homicídios (por 100 mil hab.) 28,9 10,6 Risco relativo de homicídio 2,7 vezes maior - Fontes: IBGE, 2023; IBGE, 2022; Brasil, 2023; IPEA; 2025. CONCLUSÃO As evidências analisadas demonstram que a população negra, embora majoritária no Brasil, permanece em situação de vulnerabilidade estrutural expressa por piores indicadores de saúde e maior exposição à violência letal. A articulação entre perfil demográfico, condições de saúde e vitimização por homicídios evidencia a persistência de desigualdades raciais profundas, que demandam políticas públicas intersetoriais orientadas pela equidade racial, integrando ações de saúde, segurança pública e proteção social. REFERÊNCIAS BATISTA, L. E.; WERNECK, J.; LOPES, F. Saúde da população negra. Petrópolis: DP et Alii, 2012. BRASIL. Ministério da Saúde. Mortalidade materna no Brasil: dados preliminares de 2022. Brasília, 2023. IBGE. Censo Demográfico 2022: Resultados por cor ou raça. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. IPEA; FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Atlas da Violência 2025. Brasília: IPEA, 2025. MALTA, D. C. et al. Prevalência de hipertensão arterial autorreferida no Brasil: Pesquisa Nacional de Saúde 2019. Epidemiologia e Serviços de Saúde, 2022. WERNECK, J. Racismo institucional e saúde da população negra. Saúde e Sociedade, v. 25, n. 3, p. 535–549, 2016.
Título do Evento
V CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE
Título dos Anais do Evento
ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CARVALHO, Karol Costa de; PINHO, LAÍS SAVICZKI; MACEDO, Ana Emilia Gomes. DESIGUALDADES RACIAIS EM SAÚDE NO BRASIL: EVIDÊNCIAS DEMOGRÁFICAS E DA VIOLÊNCIA LETAL A PARTIR DE RELATÓRIOS OFICIAIS.. In: ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE. Anais...Santarém(PA) UEPA, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/VCBBITS-634008/1449424-DESIGUALDADES-RACIAIS-EM-SAUDE-NO-BRASIL--EVIDENCIAS-DEMOGRAFICAS-E-DA-VIOLENCIA-LETAL-A-PARTIR-DE-RELATORIOS-OF. Acesso em: 25/09/2026

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