OS DESAFIOS DA SAÚDE PÚBLICA EM COMUNIDADES RIBEIRINHAS NO RIO ARAPIUNS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Publicado em 20/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2599-7

Título do Trabalho
OS DESAFIOS DA SAÚDE PÚBLICA EM COMUNIDADES RIBEIRINHAS NO RIO ARAPIUNS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Autores
  • Emilly Victória Tavares Nogueira
  • Nonato Jobert Viana Dos Santos
  • Ana Victória da Costa Silva
  • Acylena Coelho Costa
  • Franciane de Paula Fernandes
  • Jorge Carlos Menezes Nascimento Júnior
  • Sheyla Mara Silva de Oliveira
  • Silvia Maria Farias da Silva
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
3. Determinantes Sociais, Culturais e Ambientais da Saúde
Data de Publicação
20/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/vcbbits-634008/1449215-os-desafios-da-saude-publica-em-comunidades-ribeirinhas-no-rio-arapiuns--um-relato-de-experiencia
ISBN
978-65-272-2599-7
Palavras-Chave
Atenção primária à saúde, População ribeirinha, Territórios amazônicos.
Resumo
RESUMO Este trabalho descreve a experiência vivenciada por acadêmicos da área da saúde em duas comunidades ribeirinhas, Piauí e Cuipiranga, localizadas às margens do Rio Arapiuns, no município de Santarém-PA, evidenciando desafios relacionados ao acesso à saúde pública nesses territórios. O objetivo foi relatar a realidade observada durante visitas acadêmicas, com ênfase nas condições de acesso aos serviços de saúde. Trata-se de um relato de experiência baseado na observação do território, no acompanhamento das dinâmicas locais e na vivência dos autores junto às comunidades, no período de dezembro de 2025 a janeiro de 2026. A experiência evidenciou a inexistência de Unidades Básicas de Saúde (UBS), o que obriga os moradores a longos deslocamentos para atendimentos simples, além da dependência de ações pontuais de saúde fluvial. Conclui-se que a assistência nessas comunidades apresenta fragilidades que divergem dos princípios do Sistema Único de Saúde, reforçando a necessidade de políticas públicas sensíveis às especificidades amazônicas. INTRODUÇÃO As populações ribeirinhas da Amazônia brasileira vivem em territórios marcados por especificidades geográficas, culturais e ambientais que influenciam diretamente o processo saúde-doença. O acesso aos serviços de saúde nessas regiões é historicamente limitado, principalmente em razão da distância dos centros urbanos, da dependência do transporte fluvial, da escassez de Unidades Básicas de Saúde e da insuficiência de profissionais da área. Essas condições evidenciam desigualdades estruturais que dificultam a efetivação dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente a universalidade, a equidade e a integralidade do cuidado. As comunidades Piauí e Cuipiranga, situadas à margem direita do Rio Arapiuns, são formadas por pequenos grupos familiares que subsistem majoritariamente da pesca, caça e agricultura. Estudos apontam que, em territórios rurais e remotos, a ausência de serviços contínuos de saúde compromete o acesso equitativo e a qualidade da atenção prestada (Paula, 2022; Santos, 2025), cenário que motivou a realização da presente experiência acadêmica. OBJETIVOS Relatar a experiência vivenciada por acadêmicos da área da saúde em duas comunidades ribeirinhas do Rio Arapiuns, descrevendo as condições observadas de acesso aos serviços de saúde e os principais desafios enfrentados pelos moradores desses territórios. DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA Trata-se de um relato de experiência decorrente de visitas acadêmicas realizadas entre os dias 23 de dezembro de 2025 e 05 de janeiro de 2026 às comunidades ribeirinhas de Piauí e Cuipiranga. A experiência baseou-se na observação direta do território, no contato com os moradores durante as atividades cotidianas e no acompanhamento das dinâmicas locais relacionadas à saúde e ao acesso aos serviços públicos. Durante as visitas, os autores puderam vivenciar a rotina das comunidades, conhecer os meios utilizados para busca de atendimento em saúde e observar o funcionamento das ações assistenciais eventualmente disponíveis. A experiência foi complementada por levantamento teórico em livros e artigos científicos, com o objetivo de contextualizar as observações com a literatura sobre saúde em territórios ribeirinhos e rurais remotos. Por se tratar de um relato de experiência, sem coleta sistematizada de dados ou identificação de participantes, o estudo não se caracteriza como pesquisa com seres humanos. RESULTADOS E DISCUSSÃO A vivência nas comunidades permitiu observar a inexistência de UBS locais, o que impõe aos moradores longos deslocamentos para acesso a atendimentos básicos, como vacinação e consultas. Em determinadas situações, o deslocamento ocorre por meio de caminhadas extensas ou transporte fluvial, dependendo das condições do rio e da disponibilidade de embarcações. Observou-se ainda que atendimentos de urgência dependem de recursos como ambulanchas ou transporte aéreo, cuja disponibilidade é limitada e irregular. A presença de ações pontuais de saúde, como projetos itinerantes e unidades fluviais, mostrou-se fundamental para suprir parcialmente as necessidades locais, embora essas iniciativas não ocorram de forma contínua. A experiência também evidenciou o papel central do Agente Comunitário de Saúde, que realiza visitas periódicas às residências e atua como principal elo entre a população e o sistema de saúde. Além disso, foi possível perceber o uso frequente de remédios caseiros e práticas tradicionais de cuidado, evidenciando a importância dos saberes ancestrais no cotidiano das comunidades ribeirinhas, especialmente diante da limitada oferta de serviços formais. CONCLUSÃO A experiência vivenciada nas comunidades ribeirinhas do Rio Arapiuns evidenciou que a distância geográfica e as dificuldades logísticas constituem os principais entraves para a efetivação do acesso à saúde conforme preconizado pelo SUS. A ausência de estruturas fixas de atendimento e a dependência de ações pontuais reforçam a vulnerabilidade dessas populações. Assim, torna-se imprescindível a implementação de políticas públicas que considerem as especificidades territoriais da Amazônia, com fortalecimento da atenção primária à saúde e garantia de assistência contínua às comunidades ribeirinhas. REFERÊNCIAS FAUSTO, M. C. R.; GIOVANELLA, L.; LIMA, J. G.; CABRAL, L. M. da S.; SEIDL, H. Sustentabilidade da Atenção Primária à Saúde em territórios rurais remotos na Amazônia fluvial: organização, estratégias e desafios. Ciência & Saúde Coletiva, v. 27, n. 4, p. 1605– 1618, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1413-81232022274.01112021. LIRA, T. de M.; CHAVES, M. do P. S. R. Comunidades ribeirinhas na Amazônia: organização sociocultural e política. Interações (Campo Grande), v. 17, n. 1, p. 66–76, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.20435/1518-70122016107. MATTA, G. C. Princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde. In: MATTA, G. C.; PONTES, A. L. de M. (org.). Políticas de saúde: organização e operacionalização do Sistema Único de Saúde. Rio de Janeiro: EPSJV/FIOCRUZ, 2007. p. 61-80. (Coleção Educação Profissional e Docência em Saúde: a formação e o trabalho do agente comunitário de saúde, 3).
Título do Evento
V CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE
Título dos Anais do Evento
ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

NOGUEIRA, Emilly Victória Tavares et al.. OS DESAFIOS DA SAÚDE PÚBLICA EM COMUNIDADES RIBEIRINHAS NO RIO ARAPIUNS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA.. In: ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE. Anais...Santarém(PA) UEPA, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/VCBBITS-634008/1449215-OS-DESAFIOS-DA-SAUDE-PUBLICA-EM-COMUNIDADES-RIBEIRINHAS-NO-RIO-ARAPIUNS--UM-RELATO-DE-EXPERIENCIA. Acesso em: 25/09/2026

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