PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA HANSENÍASE NO ESTADO DO PARÁ SEGUNDO CARACTERÍSTICAS SOCIODEMOGRÁFICAS E CLÍNICAS NO PERÍODO DE 2022 A 2024

Publicado em 20/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2599-7

Título do Trabalho
PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA HANSENÍASE NO ESTADO DO PARÁ SEGUNDO CARACTERÍSTICAS SOCIODEMOGRÁFICAS E CLÍNICAS NO PERÍODO DE 2022 A 2024
Autores
  • Micael Oliveira da Silva
  • ANTONIA REGIANE PEREIRA DUARTE VALENTE
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
3. Determinantes Sociais, Culturais e Ambientais da Saúde
Data de Publicação
20/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/vcbbits-634008/1448282-perfil-epidemiologico-da-hanseniase-no-estado-do-para-segundo-caracteristicas-sociodemograficas-e-clinicas-no-pe
ISBN
978-65-272-2599-7
Palavras-Chave
Determinantes Sociais da Saúde, Epidemiologia, Hanseníase, Vigilância em Saúde pública.
Resumo
RESUMO A hanseníase permanece como um importante problema de saúde pública no Brasil, especialmente em regiões endêmicas, refletindo desigualdades sociais e fragilidades no acesso aos serviços de saúde. Este estudo teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico da hanseníase segundo variáveis sociodemográficas, clínicas e operacionais no período de 2022 a 2024. Trata-se de um estudo epidemiológico, transversal e descritivo, realizado a partir de dados secundários de notificação. Os resultados evidenciaram maior ocorrência da doença em indivíduos adultos, do sexo masculino, com baixa escolaridade, predominância da classificação multibacilar e da forma clínica dimorfa. Observou-se ainda que a principal forma de detecção foi a demanda espontânea, indicando possíveis limitações nas ações de busca ativa. Conclui-se que a hanseníase mantém associação direta com determinantes sociais da saúde, reforçando a necessidade de estratégias de vigilância epidemiológica, diagnóstico precoce e fortalecimento da atenção primária. INTRODUÇÃO A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que acomete principalmente a pele e os nervos periféricos, podendo afetar indivíduos de diferentes faixas etárias e evoluir para sequelas irreversíveis quando não diagnosticada e tratada precocemente (Brasil, 2017). Segundo Gomes et al. (2024), na região Norte do Brasil, entre 2016 e 2021, foram registrados 36.595 casos de hanseníase, sendo o estado do Pará responsável por aproximadamente 49,5% (n=18.117) das notificações, o que evidencia a maior ocorrência da doença em contextos marcados por condições socioeconômicas desfavoráveis. A vigilância epidemiológica constitui um conjunto de ações voltadas ao conhecimento, detecção e prevenção de mudanças nos fatores determinantes e condicionantes da saúde, sendo fundamental para o controle de agravos no país. Nesse contexto, as diretrizes nacionais reforçam a importância do manejo adequado da hanseníase na atenção básica, visando ao diagnóstico precoce, à redução da transmissão e à prevenção de incapacidades (Brasil, 2018). A análise do perfil epidemiológico da hanseníase no estado do Pará, no período de 2022 a 2024, é essencial para compreender a distribuição da doença, identificar grupos mais vulneráveis e subsidiar o planejamento de ações mais eficazes de vigilância, prevenção e controle. OBJETIVO Analisar o perfil epidemiológico dos casos de hanseníase no estado do Pará notificados no período de 2022 a 2024, segundo características sociodemográficas, clínicas e operacionais. MATERIAL E MÉTODO Trata-se de um estudo epidemiológico, transversal, descritivo e de abordagem quantitativa, o estudo foi realizado a partir de dados secundários do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), obtidos exclusivamente do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), referentes aos casos de hanseníase registrados nos anos de 2022, 2023 e 2024. As informações analisadas incluíram variáveis sociodemográficas (faixa etária, sexo e escolaridade), operacionais (modo de detecção e classificação operacional) e clínicas (forma clínica da hanseníase). Com tratamento dos dados por estatística descritiva, utilizando frequências absolutas e relativas. Por se tratar de dados secundários, públicos e agregados, o estudo dispensa apreciação por Comitê de Ética em Pesquisa, conforme a Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. RESULTADOS E DISCUSSÃO No período de 2022 a 2024, foram notificados 6.356 casos de hanseníase, entre os anos destaque-se 2023 com maior incidência de 2.271 (34,16%) casos. Observou-se maior concentração da doença em indivíduos adultos, especialmente nas faixas etárias de 40 a 59 anos com 1.283 (20,19%) notificações, que juntas representaram a maior proporção dos casos. Esse achado reforça o impacto da hanseníase na população economicamente ativa, com possíveis repercussões sociais e laborais. Quanto ao sexo, houve predominância de casos no sexo masculino cerca de 4.200 (66,08%) dos casos, correspondendo a aproximadamente dois terços das notificações. Esse padrão é frequentemente descrito na literatura e pode estar relacionado a maior exposição, menor procura pelos serviços de saúde e diagnóstico tardio entre homens (Pires et al, 2019). A análise da escolaridade revelou maior frequência da hanseníase entre indivíduos com baixo nível educacional, especialmente aqueles com 5ª a 8ª série incompleta do ensino fundamental com 1.335 (21%) dos casos. Esse resultado evidencia a associação entre hanseníase e vulnerabilidade social, indicando que determinantes sociais desempenham papel central na manutenção da transmissão da doença (JunioL, 2024). Em relação ao modo de detecção, a demanda espontânea e o encaminhamento foram responsáveis pela maioria dos casos identificados, com 2.257 (35,53%) e 1958 (30,81%) notificações, respectivamente, o que corrobora com a literatura de outros estados como na paraíba (campos mr, et al, 2018). A baixa proporção de diagnósticos por exame de contatos e ações coletivas sugere fragilidades nas estratégias de busca ativa, fundamentais para o controle da hanseníase e interrupção da cadeia de transmissão. Quanto à classificação operacional de diagnósticos, observou-se predominância dos casos multibacilares ao longo dos três anos analisados, totalizando 5.259 (82,74%) dos casos notificados, o que indica diagnóstico tardio e maior potencial de transmissão, em concordância com o estudo de Silva (2024). Entre as formas clínicas, a forma dimorfa foi a mais frequente, seguida da virchowiana, com 3.306 (52,01%) e 1.408 (22,15%) dos casos, respectivamente, consideradas formas mais graves da doença. Esses achados reforçam a necessidade de qualificação das ações de vigilância e da atenção primária à saúde. CONCLUSÃO O estudo evidenciou que a hanseníase permanece como um relevante problema de saúde pública, fortemente associado a determinantes sociais, como baixa escolaridade e condições de vulnerabilidade. A predominância de casos multibacilares e a detecção majoritária por demanda espontânea indicam diagnóstico tardio e fragilidades nas ações de busca ativa. Torna-se fundamental o fortalecimento da atenção primária, das estratégias de vigilância epidemiológica e das ações educativas, visando à detecção precoce, redução da transmissão e prevenção de incapacidades. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância e Doenças Transmissíveis. Guia prático sobre a hanseníase. Brasília: Ministério da Saúde, 2017. 68 p. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Hanseníase. Boletim Epidemiológico, Brasília, v. 49, n. 4, p. 1–12, 2018. CAMPOS MR, et al. Perfil Clínico epidemiológico Dos Pacientes Diagnosticados com Hanseníase na Paraíba e no Brasil, 2008 a 2012. Revista Brasileira de Ciências da Saúde, 2018; 5: 1–8. GOMES, Ana Yasmim de Morais et al. Perfil epidemiológico dos portadores de hanseníase no estado do Pará nos anos de 2016 a 2021. Dataset Reports, [s.l.], v. 3, n. 1, p. 60–64, 2024. DOI: 10.58951/dataset.2024.010. JunioL. F. V, et al. Análise dos casos de Hanseníase no Estado do Pará, Brasil. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 24, n. 9, p. e17142, 19 set. 2024. PIRES, C. A. A. et al. Análise do perfil clínico-epidemiológico da hanseníase no Pará e avaliação dos indicadores de saúde. Revista Eletrônica Acervo Saúde, [s.l.], n. 27, e899, 2019. DOI: 10.25248/reas.e899.2019. SILVA, L. E. A, et al. Análise dos casos de hanseníase no estado do Pará entre 2001 e 2020. Revista de Epidemiologia e Controle de Infecção, Santa Cruz do Sul, v. 14, n. 2, e18997, 2024. DOI: 10.17058/reci.v14i2.18997.
Título do Evento
V CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE
Título dos Anais do Evento
ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Micael Oliveira da; VALENTE, ANTONIA REGIANE PEREIRA DUARTE. PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA HANSENÍASE NO ESTADO DO PARÁ SEGUNDO CARACTERÍSTICAS SOCIODEMOGRÁFICAS E CLÍNICAS NO PERÍODO DE 2022 A 2024.. In: ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE. Anais...Santarém(PA) UEPA, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/VCBBITS-634008/1448282-PERFIL-EPIDEMIOLOGICO-DA-HANSENIASE-NO-ESTADO-DO-PARA-SEGUNDO-CARACTERISTICAS-SOCIODEMOGRAFICAS-E-CLINICAS-NO-PE. Acesso em: 25/09/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes