LESÕES PIGMENTARES E HIPOESTÉSICAS NA HANSENÍASE: DESAFIOS NO DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL COM OUTRAS DERMATOPATIAS E O PAPEL DA INOVAÇÃO DIAGNÓSTICA

Publicado em 20/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2599-7

Título do Trabalho
LESÕES PIGMENTARES E HIPOESTÉSICAS NA HANSENÍASE: DESAFIOS NO DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL COM OUTRAS DERMATOPATIAS E O PAPEL DA INOVAÇÃO DIAGNÓSTICA
Autores
  • Hannah De Andrade Vieira
  • Ana Carmen Mota Pereira
  • Agatha Yame Dolzanes De Sousa
  • ARTHUR SIMPLICIO DE ALMEIDA
  • Salomão de Souza Seixas Filho
  • Edina Katryne Quintas Melo
  • Débora Eduarda Rodrigues Sousa
  • Jheimerson Aguiar Silva
  • Daniela Costa Carvalho
  • Maria Rita Costa
  • Lívia de Aguiar Valentim
  • Tatiane Costa Quaresma
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
2. Inovação Tecnológica em Saúde: Diagnóstico, Terapêutica e Gestão
Data de Publicação
20/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/vcbbits-634008/1442165-lesoes-pigmentares-e-hipoestesicas-na-hanseniase--desafios-no-diagnostico-diferencial-com-outras-dermatopatias-e
ISBN
978-65-272-2599-7
Palavras-Chave
Hanseníase, Diagnóstico Diferencial, Hipoestesia, qPCR, Inovação.
Resumo
RESUMO A hanseníase é uma Doença Tropical Negligenciada (DTN), com alta prevalência no Brasil, caracterizada por lesões cutâneas pigmentares e hipoestésicas, cruciais para o diagnóstico precoce. No entanto, o diagnóstico diferencial é complexo devido à sobreposição clínica com diversas dermatopatias, como pitiríase versicolor, vitiligo e micobacterioses atípicas, o que pode atrasar o tratamento e levar a incapacidades. Esta revisão de literatura analisou a relevância clínica dessas lesões e as dermatopatias confundidoras, destacando o papel das inovações diagnósticas. A metodologia consistiu em uma busca nas bases PubMed, Scopus, Web of Science e BVS, com foco em artigos primários publicados entre 2020 e 2025. A baixa sensibilidade da baciloscopia nas formas paucibacilares (PB) foi o principal achado, sendo o Teste de Cadeia de Polimerase em Tempo Real (qPCR) molecular uma alternativa promissora para aumentar a acurácia diagnóstica e auxiliar na vigilância da resistência medicamentosa, otimizando a gestão terapêutica. Palavras-chave: Hanseníase. Diagnóstico Diferencial. Hipoestesia. qPCR. Inovação. INTRODUÇÃO A hanseníase, moléstia infectocontagiosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae (M. leprae), permanece como um grave problema de saúde pública, com o Brasil ocupando a segunda posição mundial em número de casos. A patogênese da doença é marcada pela predileção do bacilo pelos nervos periféricos e pela pele, manifestando-se em um espectro imunológico que varia desde a forma paucibacilar (PB), com alta resposta imune Th1, até a multibacilar (MB), com predominância da resposta Th2 e alta carga bacilar (OPAS/OMS, 2024). O sinal principal da doença é a lesão cutânea pigmentar (hipocrômica ou eritematosa) associada à hipoestesia. Essa perda de sensibilidade decorre da invasão bacilar nas células de Schwann, desencadeando um processo inflamatório que culmina na desmielinização e dano neural precoce. Contudo, a apresentação clínica inicial frequentemente mimetiza outras dermatoses, como a sarcoidose e as micobacterioses atípicas, tornando o diagnóstico diferencial um desafio complexo (Brasil, 2022). A persistência de lesões de longa data sem resposta a tratamentos convencionais deve sempre elevar a suspeita clínica, visto que o atraso no diagnóstico é o principal fator para o desenvolvimento de neuropatias e deformidades físicas irreversíveis. Diante da baixa sensibilidade da baciloscopia nas formas iniciais, a inovação nos protocolos laboratoriais torna-se imperativa para a gestão eficiente da doença (Morais et al., 2024). OBJETIVO Analisar a relevância clínica e epidemiológica das lesões cutâneas pigmentares e hipoestésicas como manifestação inicial da hanseníase e revisar as principais dermatopatias que compõem seu diagnóstico diferencial, destacando a importância da incorporação de inovações moleculares para a confirmação etiológica precoce. MATERIAL E MÉTODO Trata-se de uma Revisão Integrativa de Literatura (RIL) baseada em busca bibliográfica realizada nas bases de dados PubMed, Scopus, Web of Science e BVS. Foram utilizados os descritores "hypopigmented lesions", "hypoesthesia", "leprosy" e "differential diagnosis", além de seus correspondentes em português, mediada pelos operadores booleanos AND e OR. O recorte temporal estabelecido foi entre 2020 e 2025. Foram adotados os seguintes critérios de inclusão: artigos originais de pesquisa (estudos primários) em humanos que abordassem o diagnóstico diferencial e inovações laboratoriais. Foram excluídos relatos de caso isolados, editoriais e estudos focados exclusivamente em estados reacionais de lesões hansênicas. A estratégia inicial resultou em 115 artigos. Após passar pelos filtros de inclusão e exclusão, 8 estudos atenderam aos critérios de elegibilidade, dos quais 4 foram selecionados para compor a base de dados desta revisão. RESULTADOS E DISCUSSÃO Conforme apontam Sczmanski et al. (2025), a análise dos estudos revela que a mácula hipopigmentada associada à perda de sensibilidade térmica, tátil ou dolorosa é a forma de apresentação mais prevalente (72,8%) em pacientes PB. Entretanto, a precisão diagnóstica baseada apenas no exame clínico é limitada. Um estudo multicêntrico retrospectivo evidenciou que 28,5% das suspeitas iniciais de hanseníase foram diagnosticadas como outras condições após biópsia, destacando-se a Pitiríase versicolor alba (15,2%), Vitiligo (6,7%) e Eczema Numular (4,5%) como os principais fatores de confusão diagnóstica (Mukherjee et al., 2023). De acordo com Kimta et al. (2024), a sensibilidade de 63% da baciloscopia e da histopatologia nas formas iniciais (PB) é considerada baixa e constitui o principal gargalo para o controle da transmissão. Nesse cenário, David et al. (2021) demonstram que o uso do qPCR apresenta-se como uma tecnologia disruptiva. A técnica direcionada ao gene repetitivo RLEP do M. leprae não apenas confirma a presença do patógeno em casos de baixa carga bacilar, mas também apresenta 100% de concordância com o sequenciamento genético para a detecção de mutações de resistência antimicrobiana. CONCLUSÃO O diagnóstico diferencial das lesões pigmentares e hipoestésicas na hanseníase permanece um desafio clínico crítico. A inespecificidade dos métodos tradicionais nas formas iniciais reforça a necessidade de modernizar os protocolos de vigilância. A incorporação do qPCR no fluxo diagnóstico laboratorial é fundamental para elevar a acurácia, permitir a vigilância da resistência medicamentosa e garantir uma gestão terapêutica precisa, sendo uma ferramenta indispensável para o alcance da meta de eliminação da doença como problema de saúde pública. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hanseníase. Portaria SCTIE/MS Nº 67, de 07 de julho de 2022. Brasília: Ministério da Saúde, 2022. DAVID, Coulibaly N.’golo et al. First cases of Mycobacterium leprae (Hansen’s disease) detection in Côte d’Ivoire using molecular diagnosis (PCR). Leprosy Review, v. 92, n. 4, p. 406-411, 2021. KIMTA, Neetika et al. Leprosy: Comprehensive insights into pathology, immunology, and cutting-edge treatment strategies, integrating nanoparticles and ethnomedicinal plants. Frontiers in Pharmacology, v. 15, p. 1361641, 2024. MORAIS, Rafael Ximenes Bandeira de et al. Perfil de conhecimento sobre hanseníase entre pacientes de um hospital universitário: um estudo transversal. Hansen. int, p. 37421-37421, 2024. MUKHERJEE, Mala et al. A study on the multidisciplinary diagnostic approach of leprosy: Can we prevent the recrudescence in the post-elimination Indian scenario?. Journal of Family Medicine and Primary Care, v. 12, n. 9, p. 2008-2013, 2023. SCZMANSKI, Alícia de Siqueira et al. Analysis of the clinical and epidemiological profile of leprosy in Brazil and major regions. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 100, n. 4, p. 501127, 2025. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE (OPAS/OMS). Hanseníase: Perspectiva Regional e Global. 2024. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/hanseniase. Acesso em: 18 nov. 2025.
Título do Evento
V CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE
Título dos Anais do Evento
ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

VIEIRA, Hannah De Andrade et al.. LESÕES PIGMENTARES E HIPOESTÉSICAS NA HANSENÍASE: DESAFIOS NO DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL COM OUTRAS DERMATOPATIAS E O PAPEL DA INOVAÇÃO DIAGNÓSTICA.. In: ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE. Anais...Santarém(PA) UEPA, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/VCBBITS-634008/1442165-LESOES-PIGMENTARES-E-HIPOESTESICAS-NA-HANSENIASE--DESAFIOS-NO-DIAGNOSTICO-DIFERENCIAL-COM-OUTRAS-DERMATOPATIAS-E. Acesso em: 23/09/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes