VULNERABILIDADE E RISCOS PARA PERSISTÊNCIA DA MALÁRIA EM ZONAS PERIURBANAS

Publicado em 20/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2599-7

Título do Trabalho
VULNERABILIDADE E RISCOS PARA PERSISTÊNCIA DA MALÁRIA EM ZONAS PERIURBANAS
Autores
  • ARTHUR SIMPLICIO DE ALMEIDA
  • Jheimerson Aguiar Silva
  • Salomão de Souza Seixas Filho
  • Débora Eduarda Rodrigues Sousa
  • Daniela Costa Carvalho
  • Ana Carmen Mota Pereira
  • Hannah De Andrade Vieira
  • Agatha Yame Dolzanes De Sousa
  • Edina Katryne Quintas Melo
  • Maria Rita Costa
  • Lívia de Aguiar Valentim
  • Tatiane Costa Quaresma
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
3. Determinantes Sociais, Culturais e Ambientais da Saúde
Data de Publicação
20/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/vcbbits-634008/1441997-vulnerabilidade-e-riscos-para-persistencia-da-malaria-em-zonas-periurbanas
ISBN
978-65-272-2599-7
Palavras-Chave
Malária, zonas periurbanas, saneamento.
Resumo
RESUMO Esta revisão integrativa da literatura (RIL) objetiva analisar os mecanismos perpetuantes da presença de Malária em populações periurbanas. A questão norteadora foi estruturada segundo a estratégia PCC, com busca nas bases Pubmed, BVS, Scopus, Web of Science e Scielo, com o uso de descritores em inglês, espanhol e português, resultando em um total de 5 artigos selecionados. Os achados revelaram uma relação entre a falta de infraestrutura, a localização geográfica das periferias urbanas e a circulação de pessoas residentes, mostrando uma incidência significativamente maior em comparação com áreas urbanas, mas moderada em relação às áreas rurais. Conclui-se que a persistência da malária em periferias decorre de carência estrutural e de risco de exposição, havendo uma necessidade de ações e políticas que considerem aspectos contextuais. Palavras-chave: Malária. Zonas periurbanas. Saneamento. INTRODUÇÃO A malária é uma doença antiga e complexa, cuja disseminação requer a presença simultânea de três componentes fundamentais, segundo Thomas et al. (2018): o vetor (mosquito Anopheles), o parasita em circulação (protozoário do gênero Plasmodium) e o hospedeiro vulnerável (humanos e animais silvestres). O gênero Plasmodium (P.) abrange quatro espécies infectantes em seres humanos, P. falciparum, P. vivax, P. malariae e P. ovale, (Feachem et al., 2019). A endemicidade da malária é influenciada por fatores biológicos e geo-climáticos, como temperatura, umidade e qualidade da água, relacionados ao ciclo de vida do vetor, além de variáveis sociais e contextuais. Caracteriza-se como desafio epidemiológico mundial, apesar de avanços significativos, com redução de 36% na incidência anual de malária e queda de mortalidade anual 60% em todo o mundo de 2000 a 2017 (Feachem et al., 2019). Sua distribuição é desigual, com dez países apresentado uma concentração especialmente preocupante, respondendo por dois terços dos casos globais. Segundo Kashamuka et al. (2024), a República Democrática do Congo (RDC) responde por 12,3% dos casos anuais de malária e 11,6% das mortes globais. No contexto brasileiro, a malária passou por adaptações de seu perfil, de modo a ter alto potencial de reintrodução em áreas consideradas livres, como exposto por Andrade et al. (1986) na análise da ocorrência de um foco de malária em 1984 no Estado de São Paulo, impulsionado pela mobilidade de pessoas infectadas oriundas da Região Amazônica, aliada à vulnerabilidade da área periurbana de início do foco, marcada por casas aglomeradas. OBJETIVOS Investigar os mecanismos sociodemográficos que perpetuam a malária em populações periurbanas na literatura científica, identificando fatores de persistência e mapeando sua incidência nessas áreas. MATERIAL E MÉTODO Trata-se de uma revisão integrativa da literatura (RIL), conduzida conforme o referencial de Mendes, Silveira e Galvão (2008), por permitir a síntese crítica de evidências teóricas e empíricas sobre a relação entre obesidade e ansiedade em adultos. A questão norteadora foi: “Quais evidências científicas descrevem os mecanismos sociodemográficos que levam à persistência da malária em populações periurbanas?” Para a construção da pergunta utilizou-se a estratégia PCC, em que P corresponde a populações periurbanas, C à malária e C ao contexto do endemismo. A busca ocorreu nas bases PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Scopus e Web of Science, via Portal de Periódicos da CAPES, e Scielo. Foram empregados descritores MeSH/DeCS "malária", "plasmodium", "periurbano", "área periurbana", "zona periurbana", "urbanização", "persistência", "endemicidade" e "controle", assim como seus termos equivalentes em inglês e espanhol, combinados com operadores booleanos. Os critérios de exclusão foram aplicados e 28 estudos duplicados, não primários ou que investigassem o tema de forma parcial ou incompleta foram eliminados. Ao final, foram selecionados 5 artigos, publicados entre janeiro de 2015 e dezembro de 2025, em português, espanhol e inglês, disponíveis gratuitamente. RESULTADOS E DISCUSSÃO Observou-se uma diversidade de risco para malária em áreas de transição entre o meio rural e o urbano. Conforme demonstrado pelos estudos de Kashamuka et al. (2024) em Kinshasa, RDC, a malária tem uma prevalência moderada em áreas periurbanas (37,1% em Kimpoko) em comparação com as áreas rurais (60,5% em Bu), sendo consideravelmente mais comum do que nas áreas estritamente urbanas (2,4% em Voix du Peuple). A mobilidade humana pode justificar essa endemicidade no caso de residentes dessas regiões formarem um fluxo constante de ida e volta de áreas rurais classificadas como hotspots da doença, conforme apontam Mathanga et al. (2016). Além disso, a falta de infraestrutura é um fator que fortalece a persistência da malária, pois as favelas urbanas e as comunidades periurbanas são reconhecidas por suas habitações precárias, superlotação e falta de acesso a serviços municipais essenciais, como água e esgoto (Worrell et al., 2016). Nisso, a persistência mantém-se pela geração de criadouros propícios nas bordas urbanas, somada à dependência de fontes de água não tratadas, como poços ou rios/córregos, torna as pessoas suscetíveis a picadas de mosquitos ao procurarem água e pode trazer contaminação, conforme é apontado por Awosolu, Yahaya e Farah Haziqah (2021). No Brasil, a presença da malária em áreas periurbanas é fortalecida pela receptividade ambiental, com bairros classificados como de “alta vegetação e hidrografia” apresentando maiores índices parasitários, conforme estudos de Marques et al. (2021) na região de Porto Velho (Rondônia), localizada próxima ao rio Madeira. Ainda segundo estes autores, bairros periféricos mostraram um índice parasitário consistentemente mais alto do que o centro urbano devido à falta de saneamento básico decorrente da urbanização desordenada. CONCLUSÃO A revisão indica que o risco de malária é elevado em áreas periurbanas, situando-se entre os índices urbanos e rurais. A persistência da doença nesses locais relaciona-se principalmente à mobilidade humana, à precariedade de infraestrutura e saneamento e à proximidade de áreas rurais e vegetadas, que favorecem a presença de vetores. O uso de fontes de água não tratadas amplia a exposição e cria ambientes propícios para criadouros próximos às moradias. Esses achados reforçam a necessidade de políticas públicas que ampliem o saneamento e o controle vetorial em zonas de transição urbano-rural. REFERÊNCIAS ANDRADE, J. C. R. D.; et al. Foco de malária no Estado de São Paulo (Brasil). Revista de Saúde Pública, [S. l.], v. 20, n. 4, p. 323–326, ago. 1986. https://doi.org/10.1590/S0034-89101986000400009. AWOSOLU, O. B.; YAHAYA, Z. S.; FARAH HAZIQAH, M. T. Prevalence, Parasite Density and Determinants of Falciparum Malaria Among Febrile Children in Some Peri-Urban Communities in Southwestern Nigeria: A Cross-Sectional Study. Infection and Drug Resistance, [S. l.], v. Volume 14, p. 3219–3232, ago. 2021. https://doi.org/10.2147/IDR.S312519. FEACHEM, R. G. A.; et al. Malaria eradication within a generation: ambitious, achievable, and necessary. The Lancet, [S. l.], v. 394, n. 10203, p. 1056–1112, set. 2019. https://doi.org/10.1016/S0140-6736(19)31139-0. KASHAMUKA, M. M.; et al. Baseline characteristics for phase II of the Kinshasa Malaria Cohort Study: cohort profile. BMJ Open, [S. l.], v. 14, n. 11, p. e085360, nov. 2024. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2024-085360. MARQUES, R. D.; et al. Production of Urban Space and the occurrence of malaria in the Brazilian Amazon: the Porto Velho case. Ciência & Saúde Coletiva, [S. l.], v. 26, n. 9, p. 4263–4274, set. 2021. https://doi.org/10.1590/1413-81232021269.24242020. MATHANGA, D. P.; et al. Patterns and determinants of malaria risk in urban and peri-urban areas of Blantyre, Malawi. Malaria Journal, [S. l.], v. 15, n. 1, p. 590, dez. 2016. https://doi.org/10.1186/s12936-016-1623-9. MENDES, K. D. S.; SILVEIRA, R. C. D. C. P.; GALVÃO, C. M. Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto & Contexto - Enfermagem, [S. l.], v. 17, n. 4, p. 758–764, dez. 2008. https://doi.org/10.1590/s0104-07072008000400018. THOMAS, S.; et al. Socio-demographic and household attributes may not necessarily influence malaria: evidence from a cross sectional study of households in an urban slum. 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Título do Evento
V CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE
Título dos Anais do Evento
ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ALMEIDA, ARTHUR SIMPLICIO DE et al.. VULNERABILIDADE E RISCOS PARA PERSISTÊNCIA DA MALÁRIA EM ZONAS PERIURBANAS.. In: ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE. Anais...Santarém(PA) UEPA, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/VCBBITS-634008/1441997-VULNERABILIDADE-E-RISCOS-PARA-PERSISTENCIA-DA-MALARIA-EM-ZONAS-PERIURBANAS. Acesso em: 22/09/2026

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