RISCOS EPIDEMIOLÓGICOS E BARREIRAS TERAPÊUTICAS DA TB NO SISTEMA PRISIONAL DA AMAZÔNIA BRASILEIRA

Publicado em 20/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2599-7

Título do Trabalho
RISCOS EPIDEMIOLÓGICOS E BARREIRAS TERAPÊUTICAS DA TB NO SISTEMA PRISIONAL DA AMAZÔNIA BRASILEIRA
Autores
  • Agatha Yame Dolzanes De Sousa
  • Débora Eduarda Rodrigues Sousa
  • Daniela Costa Carvalho
  • Edina Katryne Quintas Melo
  • ARTHUR SIMPLICIO DE ALMEIDA
  • Jheimerson Aguiar Silva
  • Ana Carmen Mota Pereira
  • Salomão de Souza Seixas Filho
  • Hannah De Andrade Vieira
  • Maria Rita Costa
  • Lívia de Aguiar Valentim
  • Tatiane Costa Quaresma
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
3. Determinantes Sociais, Culturais e Ambientais da Saúde
Data de Publicação
20/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/vcbbits-634008/1441983-riscos-epidemiologicos-e-barreiras-terapeuticas-da-tb-no-sistema-prisional-da-amazonia-brasileira
ISBN
978-65-272-2599-7
Palavras-Chave
Tuberculose, Prisões, Saúde Pública, Epidemiologia.
Resumo
RESUMO A Tuberculose (TB) permanece sendo uma das principais doenças infecciosas no mundo, associada a fatores sociais como pobreza, desemprego e vulnerabilidade econômica, especialmente entre pessoas privadas de liberdade. Este estudo teve como objetivo analisar os riscos epidemiológicos e as barreiras terapêuticas da TB na Amazônia brasileira no contexto do sistema prisional. Trata-se de uma revisão de literatura realizada na base de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando descritores e operadores booleanos controlados e critérios de inclusão voltados a estudos publicados sobre TB em populações encarceradas. Os resultados evidenciaram elevada incidência da doença nas unidades prisionais, relacionada à superlotação, ventilação inadequada e baixa capacidade diagnóstica. Também foram identificadas barreiras terapêuticas como interrupções do tratamento, fugas, transferências frequentes e limitações na articulação entre equipes de saúde e gestão prisional. Portanto, a realidade amazônica intensifica vulnerabilidades já presentes no cenário nacional, reforçando a necessidade de políticas públicas eficazes e integradas que garantam vigilância adequada, diagnóstico oportuno e continuidade do cuidado. Palavras-chave: Tuberculose. Prisões. Saúde Pública. Epidemiologia. INTRODUÇÃO A TB continua figurando entre as doenças que mais contribuem para a morbidade e mortalidade global, principalmente em nações de baixa e média renda. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), sua prevalência reflete as disparidades sociais, econômicas e de infraestrutura em saúde (WHO,2023). No contexto brasileiro, o Ministério da Saúde (MS) destaca que elementos como a pobreza, limitações no acesso à assistência em saúde, o encarceramento em massa e a superlotação no sistema penitenciário brasileiro atuam como amplificadores da persistência da TB no país (Brasil, 2024). Além disso, essas vulnerabilidades se intensificam por barreiras estruturais e pela dificuldade de garantir a continuidade do tratamento, frequentemente interrompido por transferências, fugas ou concessão de liberdade, além do fluxo constante de visitantes e servidores (Dovale,2015). Nesta perspectiva, Machado et al. (2020), demonstram em seus estudos que a incidência da TB em instituições prisionais pode ser de 20 a 30 vezes superior à encontrada fora desse ambiente, confirmando a magnitude do risco epidemiológico nesse contexto social. Diante desse cenário, torna-se evidente que o sistema prisional brasileiro, sobretudo no contexto da Amazônia brasileira, reúne condições que ampliam tanto para o risco de adoecimento quanto para dificuldades na adesão terapêutica. Ademais, estudos como o de Lima et al. (2021), apontam que barreiras terapêuticas como descontinuidade do cuidado, lacunas no acompanhamento clínico e alta demanda, comprometem de maneira significativa a adesão ao tratamento das pessoas privadas de liberdade (PPL). Somado a isso, fatores epidemiológicos como o diagnóstico tardio, a alta circulação de pessoas e as limitações da vigilância em saúde intensificam a propagação da TB no sistema prisional, reforçando a importância de compreender esses determinantes na população privada de liberdade para o aprimoramento das estratégias de enfrentamento da doença (Pinto de Souza et al., 2025). OBJETIVO Revelar de que forma o sistema prisional amazônico brasileiro contribui para o aumento dos riscos epidemiológicos e manutenção das barreiras terapêuticas relacionadas à Tuberculose. MATERIAL E MÉTODO Trata-se de uma revisão integrativa da literatura (RIL), de caráter descritivo, conduzida com base nas etapas metodológicas propostas por Mendes, Silveira e Galvão (2008). A busca dos artigos ocorreu a partir da utilização da estratégia PCC (População, Conceito e Contexto) conforme descrito por Araújo (2020), para formulação da pergunta norteadora: “Como o sistema prisional da Amazônia influencia os riscos epidemiológicos e as barreiras à adesão ao tratamento da TB”? Foi utilizado o operador booleano AND e descritores em português “tuberculose” AND “adesão terapêutica" AND “Amazonia” AND “epidemiologia” e em inglês “tuberculosis” AND “epidemiology” AND “medication adherence” na base de dados Biblioteca Virtual de Saúde (BVS). A busca ocorreu em dezembro de 2025, incluindo publicações dos últimos 10 anos, com texto completo, gratuitos e nos idiomas inglês e português. Foram localizados 20 artigos e após leitura rigorosa do título e resumo, e aplicação dos critérios de inclusão, foram selecionados 11 artigos para análise. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os estudos evidenciam que a tuberculose (TB) permanece altamente prevalente no sistema prisional brasileiro, com índices muito superiores aos da população em geral. Busatto et al. (2022) destacam que a incidência entre pessoas privadas de liberdade (PPL) ultrapassa significativamente a média nacional, o que confirma a transmissão ativa e contínua da TB nas unidades prisionais. A alta prevalência de TB no sistema prisional decorre de fatores estruturais como superlotação, ventilação inadequada, fragilidade da assistência em saúde e atraso no diagnóstico. Além disso, a ausência de segregação de presos recém-diagnosticados, que permanecem em celas coletivas, favorece a continuidade da transmissão e dificulta o controle da doença nas prisões (Silva et al. 2019). Além dos fatores institucionais, aspectos individuais e clínicos aumentam a vulnerabilidade dos detentos. Valença et al. (2015) apontam o tempo prolongado de encarceramento, histórico prévio de TB, tabagismo, etilismo, uso de drogas e coinfecção pelo HIV como fatores associados ao adoecimento precoce. No contexto amazônico, a persistência da TB entre PPL é agravada devido às desigualdades sociais e territoriais. A presença de áreas de alto risco em regiões metropolitanas e municípios com urbanização acelerada revela limitações na atenção primária à saúde, bem como fragilidades no diagnóstico e no acompanhamento terapêutico (Andrade et al. 2025). Dessa forma, o cenário torna-se ainda mais crítico para as populações em extrema vulnerabilidade, como as PPL, que enfrentam condições sanitárias e estruturais adversas, resultando em uma incidência de TB significativamente mais alta em comparação à população geral (Dovale, 2015). CONCLUSÃO O sistema prisional na Amazônia Brasileira constitui um nó crítico para o controle da tuberculose (TB), cuja elevada incidência resulta da convergência de determinantes estruturais e geográficos. A análise evidencia que a superlotação e o déficit de infraestrutura sanitária, somados à alta prevalência da coinfecção HIV/TB, sustentam a cadeia de transmissão intra e extramuros. Evidenciam-se ainda lacunas operacionais, como o diagnóstico tardio e a descontinuidade terapêutica, agravadas pela complexidade logística regional e pela fragilidade na articulação entre os serviços de saúde e a gestão prisional. Assim, o enfrentamento da TB nesse contexto requer o fortalecimento da vigilância epidemiológica e a adesão de estratégias intersetoriais que considerem as especificidades socioestruturais locais. REFERÊNCIAS ANDRADE-SALES, C. et al. Determinantes espaciais e sociais da tuberculose na Amazônia brasileira: uma análise multinível e baseada em clusters de cinco anos no estado do Pará, 2018-2022. Brazilian Journal of Biology, v. 85, p. e296615, 2025. ARAÚJO, W. C. O. Recuperação da informação em saúde: construção, modelos e estratégias. CITIC – Revista de Ciência da Informação e Comunicação, Fortaleza, v. 8, n. 1, p. 100–134, 2020 BRASIL. Ministério da Saúde. Pesquisadores apresentam estratégias de prevenção da tuberculose nas prisões brasileiras. Brasília, Ministério da Saúde,2024. BUSATTO, Caroline et al. Tuberculosis in prison inmates in Southern Brazil: investigating the epidemiological and operational indicators. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, v. 55, p. e0052-2022, 2022. DOVALE, Nathane. Tuberculose entre presidiários: Fiocruz Amazonas aponta aumento de 14% no número de casos entre encarcerados. Revista de Manguinhos, Rio de Janeiro, n. 33, p. 32-33, dez. 2015. LIMA, Mônica Cristina Ribeiro Alexandre d'Auria de et al. Controle da tuberculose em um sistema prisional brasileiro: um estudo com métodos mistos. Anna Nery School, v. 25, p. e20210068, 2021. MACHADO, Jean Carlos et al. A incidência de tuberculose em prisões brasileiras: revisão sistemática. 2016. MENDES, K. D. S.; SILVEIRA, R. C. C. P.; GALVÃO, C. M. Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto & Contexto Enfermagem, Florianópolis, v. 17, n. 4, p. 758–764, out./dez. 2008. SOUZA, Pablo Cristiano de et al. Tuberculosis en la población privada de libertad: epidemiología y análisis espacial entre 2014 y 2020. Cogitare Enfermagem, v. 30, p. e94380, 2025. DA SILVA, Bruno Neves et al. Fatores predisponentes de tuberculose em indivíduos privados de liberdade: revisão integrativa. Arquivos de Ciências da Saúde, v. 26, n. 1, p. 67-71, 2019. VALENÇA, Mariana Soares et al. Prevalência de tuberculose em prisões: fatores de risco e epidemiologia molecular. The International Journal of Tuberculosis and Lung Disease, v. 19, n. 10, p. 1182-1187, 2015. WHO. Global Tuberculosis Report 2023. Geneva: World Health Organization,2023.
Título do Evento
V CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE
Título dos Anais do Evento
ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SOUSA, Agatha Yame Dolzanes De et al.. RISCOS EPIDEMIOLÓGICOS E BARREIRAS TERAPÊUTICAS DA TB NO SISTEMA PRISIONAL DA AMAZÔNIA BRASILEIRA.. In: ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE. Anais...Santarém(PA) UEPA, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/VCBBITS-634008/1441983-RISCOS-EPIDEMIOLOGICOS-E-BARREIRAS-TERAPEUTICAS-DA-TB-NO-SISTEMA-PRISIONAL-DA-AMAZONIA-BRASILEIRA. Acesso em: 22/09/2026

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