RELATO DE EXPERIÊNCIA: VISITA TÉCNICA AO POVO MIGRANTE WARAOS NO ABRIGO MUNICIPAL DE SANTARÉM-PARÁ

Publicado em 20/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2599-7

Título do Trabalho
RELATO DE EXPERIÊNCIA: VISITA TÉCNICA AO POVO MIGRANTE WARAOS NO ABRIGO MUNICIPAL DE SANTARÉM-PARÁ
Autores
  • Rodiney Silva da Costa
  • Eliene Sousa da Silva
  • Kelly Cristina Fonseca da Silva
  • Giselle Diniz
  • Ednaldo Pereira Maranhão
  • Rita de Cássia Lima Favacho
  • Ellen Mara Fernandes Da Silva
  • Fabielle Pimentel De Aguiar
  • Rosilene Da Silva Carvalho
  • Izabel Alice De Figueiredo
  • Franciane de Paula Fernandes
  • Sheyla Mara Silva de Oliveira
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
3. Determinantes Sociais, Culturais e Ambientais da Saúde
Data de Publicação
20/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/vcbbits-634008/1439773-relato-de-experiencia--visita-tecnica-ao-povo-migrante-waraos-no-abrigo-municipal-de-santarem-para
ISBN
978-65-272-2599-7
Palavras-Chave
Saúde. Migrantes. Enfermagem. Cuidados.
Resumo
INTRODUÇÃO: O fenômeno da migração é uma constante na história da humanidade, impulsionado por conflitos, crises econômicas, perseguições e desastres ambientais. No século XXI, esse fluxo se intensificou, colocando às nações o desafio de formular e implementar políticas públicas que vão além da mera gestão de fronteiras. A resposta a esse desafio define o caráter de uma sociedade, balizando-se entre a securitização e a hospitalidade, entre a indiferença e a solidariedade. Em um cenário ideal, as políticas públicas para migrantes devem ser guiadas pelo princípio da dignidade da pessoa humana. A primeira etapa é a regularização migratória. Leis modernas e ágeis, como a Lei de Migração brasileira (Lei nº 13.445/2017), que substituiu o antigo Estatuto do Estrangeiro, são fundamentais, pois reconhecem o migrante como sujeito de direitos, e não como uma ameaça. A integração local é o processo mais complexo e crucial. Para que seja bem-sucedida, são necessárias políticas intersetoriais. Na saúde, é imperativo garantir o acesso ao SUS, superando barreiras linguísticas e culturais. Na educação, as crianças e jovens migrantes precisam ser acolhidas pelas redes de ensino, com programas de nivelamento e apoio psicossocial para superar traumas e facilitar a adaptação. A assistência social desempenha um papel vital no acolhimento emergencial, oferecendo abrigo, alimentação e orientação. Um dos maiores obstáculos é a xenofobia e a discriminação. Políticas públicas, portanto, não podem se restringir ao aspecto material. Campanhas de conscientização da população local, promovendo a cultura de paz e destacando as contribuições positivas dos migrantes, são essenciais para construir uma sociedade mais coesa. A capacitação de servidores públicos para lidar com a diversidade cultural é igualmente importante para assegurar um atendimento digno e eficaz. OBJETIVO: Descrever os aspectos étnicos e culturais e as vulnerabilidades sociais do povo migrante Waraos. MÉTODOLOGIA: Trata-se de uma pesquisa descritiva, baseada em um relato de experiência de pesquisadores da área de enfermagem em visita a um abrigo municipal do município de Santarém, Pará, em 19 de novembro do ano de 2025. Buscou-se compreender a cultura a partir de uma atividade proposta pelos professores do mestrado na disciplina de enfermagem em saúde pública e vulnerabilidade no contexto amazônico. Por se tratar de um relato de experiência não precisou de aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa. RESULTADO: A migração dos indígenas Waraos para a cidade de Santarém, no oeste do Pará, representa um capítulo complexo e urgente na história dos deslocamentos populacionais no Brasil. Originários do Delta do Orinoco, na Venezuela, esse povo tradicionalmente fluvial tem sido forçado a deixar seu território ancestral devido a uma crise humanitária multifacetada, que inclui colapso econômico, hiperinflação, escassez de alimentos, medicamentos e a total desestruturação de serviços públicos. Sua chegada a Santarém, portanto, não é uma escolha, mas uma estratégia de sobrevivência. A jornada dos Warao é longa e perigosa. Eles percorrem milhares de quilômetros, muitas vezes a pé ou em transportes precários, até cruzarem a fronteira com o Brasil. De lá, seguem para cidades da Região Norte, como Belém e, posteriormente, Santarém, atraídos pela perspectiva de oportunidades e pela rede de apoio que se forma entre os próprios indígenas. No entanto, ao chegarem, deparam-se com um novo conjunto de desafios profundamente enraizados no choque entre seu modo de vida tradicional e a realidade urbana. Em visita guiada pelo coordenar do abrigo municipal foi nos informado que o abrigo foi criado no ano de 2017 para acolher os migrantes indígenas Waraós, principalmente em razão da crise econômica que se instalou na Venezuela, local de origem deste povo, indicou-nos que foi necessário a confiança do povo para melhor atendimento educacional e de saúde, que o povo Waraos é susceptível a doenças como catapora, tuberculose, escabiose, pediculose (que eles tem costume de comer), além de forte resistência a vacinas, é oferecido ações de saúde de a cada 15 dias com atendimento de enfermagem e de médicos; Apesar da resistência aos cuidados de saúde inicialmente com o decorrer do tempo houve maior adesão do povo Waraos aos programas de saúde. Os Waraos recebem apoio do bolsa família. Em termos de documentação é expedida pela Polícia Federal a Carteira de Registro Nacional Migratório necessária para matriculas nas escolas e demais órgãos públicos. Em termos culturais os Waraos vivem apenas o presente sem expectativas futuras; uma criança Waraos já com capacidade de andar é considerada um adulto; O abrigo onde eles se encontram é um ambiente amplo, arborizado, em que há um espaço com cobertura onde abaixo fica várias pequenas divisórias onde ficam as famílias Waraos de forma comunitária, sendo abrigado 129 pessoas Waraos a maioria sendo crianças, é oferecida a eles três refeições diárias, eles produzem pequenos artesanatos para eventuais vendas. Há barreiras de linguagem e cultura do povo Waraos. Em termos de rituais foi nos passado que eles celebram a morte de seus membros através de danças e bebidas. Em termos linguisticos apresentamos algumas palavas-chaves como: Bacuna (Vacina), Aidamo (líder), Warao (povo da canoa), noera narrokitane (muita fome), dijuna (escola), Nahanamu (ritual), yakera (saúde), Requame yrauito (muito piolho), Acossa Abamo (ação de saúde), diorokitakir (relação sexual), nobota (grávida), marymatio (lésbica), tiaomina (homossexual). A equipe do Abrigo é composta por assistente social, dez cuidadores, equipe de psicólogo, enfermeiros, médicos dentre outros profissionais. Ressalta-se que nem todos os Waraos estão no abrigo que há outros indígenas que vivem em locais afora do abrigo e que esses ficam nas vias públicas em situação de vulnerabilidade. CONCLUSÃO: Acolher com dignidade, integrar com oportunidades e combater a discriminação não é apenas uma obrigação legal e humanitária, mas um investimento no futuro de sociedades mais justas, diversas e resilientes. O caminho é árduo, mas necessário, pois a forma como tratamos o estrangeiro é, em última instância, um reflexo de nossa própria humanidade. Dessa forma o agir e cuidar tornam-se fundamentais no acolhimento dos indígenas Waraos.
Título do Evento
V CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE
Título dos Anais do Evento
ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

COSTA, Rodiney Silva da et al.. RELATO DE EXPERIÊNCIA: VISITA TÉCNICA AO POVO MIGRANTE WARAOS NO ABRIGO MUNICIPAL DE SANTARÉM-PARÁ.. In: ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE BIODIVERSIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE. Anais...Santarém(PA) UEPA, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/VCBBITS-634008/1439773-RELATO-DE-EXPERIENCIA--VISITA-TECNICA-AO-POVO-MIGRANTE-WARAOS-NO-ABRIGO-MUNICIPAL-DE-SANTAREM-PARA. Acesso em: 16/09/2026

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