PELAS JANELAS DA ESTREITA E IMUNDA MASMORRA: SOCIABILIDADES E CRIMINALIDADE EM UMA CIDADE ESCRAVISTA E PORTUÁRIA (REGISTROS DE ENTRADA E SAÍDA DE PRESOS DA CADEIA CIVIL DE RIO GRANDE, RS – 1857/1888)

Publicado em 06/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2549-2

Título do Trabalho
PELAS JANELAS DA ESTREITA E IMUNDA MASMORRA: SOCIABILIDADES E CRIMINALIDADE EM UMA CIDADE ESCRAVISTA E PORTUÁRIA (REGISTROS DE ENTRADA E SAÍDA DE PRESOS DA CADEIA CIVIL DE RIO GRANDE, RS – 1857/1888)
Autores
  • Paulo Moreira
Modalidade
Apresentação de Trabalho
Área temática
ST 03: Polícia, transgressões e formas punitivas
Data de Publicação
06/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/v-simposio-nacional-historia-do-crime/1479646-pelas-janelas-da-estreita-e-imunda-masmorra--sociabilidades-e-criminalidade-em-uma-cidade-escravista-e-portuaria
ISBN
978-65-272-2549-2
Palavras-Chave
Cadeia, Criminalidade, Escravidão, Polícia
Resumo
Em 1857 começou a funcionar, na cidade de Rio Grande, na província de São Pedro do RS, uma nova cadeia, sendo o prédio que funcionava anteriormente chamado pelas autoridades públicas de “estreita e imunda masmorra”. Essa cidade era o único porto atlântico da província mais meridional do Império e por ela passava a crescente produção charqueadora, além de inúmeros outras mercadorias, com destaque para mercadorias originárias da produção agropecuária. Além disso, aquele porto era ponto importante nas rotas que ligavam o centro do Império com a região platina. No Arquivo Público e Histórico Municipal do Rio Grande, no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul e no Núcleo de Documentação Histórica da Universidade Federal de Rio Grande, encontramos uma série de Registros de Entrada e Saída de Presos da Cadeia Civil de Rio Grande, que começam em 1857 e seguem até 1935. Nossa proposta, nessa apresentação, é discutir as potencialidades dessas fontes carcerárias, tomando como marco cronológico inicial a criação dessa cadeia e indo até o fim do Império brasileiro. Esses registros, infelizmente, possuem lacunas, mas se encontram em boas condições de conservação, e seus dados foram anotados seguindo uma padronização que permite análises seriais. Esses códices estão divididos em três tipos: (01) - homens livres, (02) - mulheres livres e (03) - entradas de escravizados e escravizadas. Os códices trazem, com poucas variações, os seguintes dados: nome do preso, condição/status (livre ou escravizado), nome do senhor, altura, filiação, origem, residência, profissão, estado civil, alfabetização, cor, cabelos, olhos, nariz, boca, barba, rosto, sinais particulares (marcas de nação, sinais de doença, cicatrizes, etc.), data de entrada na cadeia, quem conduziu o preso até o cárcere, autoridade de ordenou a prisão, motivo do encarceramento, castigos recebidos (no caso de cativos), data de saída (com informações de quem ordenou a soltura). A maioria das prisões é correcional, por desordem, embriaguez, ferimentos, descumprimentos de posturas municipais, batuques, dar couto a cativos fugidos, etc. Mas existem alguns indivíduos presos para responder por crimes na justiça ou enviados de outros locais para serem transportados para a Casa de Correção da capital da província (Porto Alegre) ou para a Corte. A cidade de Rio Grande possuía substancial população escravizada, sendo a navegação e a pesca atividades que concentravam muitos trabalhadores cativos. Chama a atenção o elevado número de marítimos e marinheiros ali reclusos, e um grande número deles composto de estrangeiros: holandeses, alemães, norte-americanos, africanos, dinamarqueses, etc. Conforme o historiador Marcis Rediker existia uma complementaridade entre o sistema disciplinar dos barcos e as cadeias das cidades portuárias. Cada indivíduo daqueles que adentrava o espaço carcerário da cidade atlântica de Rio Grande, trazia em seus corpos e mentes experiências próprias de trabalho, família e mesmo de intrincadas experiências sociais escravistas e pós-escravistas. Esse espaço carcerário era um caldeirão de nacionalidades, culturas e etnias, um espaço de mediações transnacionais, com díspares experiências sociais, de classe, raça, gênero, culturais e étnicos se confrontando, negociando e se mesclando. Eram indivíduos provenientes de díspares espaços e redes atlânticas e latino-americanas.
Título do Evento
V Simpósio Nacional de História do Crime
Cidade do Evento
Mossoró
Título dos Anais do Evento
Anais do Simpósio Nacional de História do Crime
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MOREIRA, Paulo. PELAS JANELAS DA ESTREITA E IMUNDA MASMORRA: SOCIABILIDADES E CRIMINALIDADE EM UMA CIDADE ESCRAVISTA E PORTUÁRIA (REGISTROS DE ENTRADA E SAÍDA DE PRESOS DA CADEIA CIVIL DE RIO GRANDE, RS – 1857/1888).. In: Anais do Simpósio Nacional de História do Crime. Anais...Mossoró(RN) UERN, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/v-simposio-nacional-historia-do-crime/1479646-PELAS-JANELAS-DA-ESTREITA-E-IMUNDA-MASMORRA--SOCIABILIDADES-E-CRIMINALIDADE-EM-UMA-CIDADE-ESCRAVISTA-E-PORTUARIA. Acesso em: 23/08/2026

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