OS ANOS 60 DA POETISA DA CARNE: VIOLÊNCIA E CRIMINALIDADE FEMININA NO RIO GRANDE DO SUL

Publicado em 06/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2549-2

Título do Trabalho
OS ANOS 60 DA POETISA DA CARNE: VIOLÊNCIA E CRIMINALIDADE FEMININA NO RIO GRANDE DO SUL
Autores
  • Pedro Heineck Moraes
Modalidade
Apresentação de Trabalho
Área temática
ST 01: Imprensa, violência e ditadura
Data de Publicação
06/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/v-simposio-nacional-historia-do-crime/1455444-os-anos-60-da-poetisa-da-carne--violencia-e-criminalidade-feminina-no-rio-grande-do-sul
ISBN
978-65-272-2549-2
Palavras-Chave
Criminalidade Feminina, Cotidiano, Micro-História
Resumo
Este trabalho apresenta uma pesquisa de mestrado em fase inicial que investiga as transformações nas percepções sobre criminalidade e violência no Brasil durante a ditadura civil-militar, a partir do estudo de casos envolvendo mulheres acusadas de crimes violentos no Rio Grande do Sul. A proposta parte da hipótese de que, mesmo sob um regime autoritário, os discursos sobre crime, justiça e moralidade não foram homogêneos, sendo constantemente negociados no cotidiano, especialmente quando a chamada “gente comum” figurava como ré nos tribunais e como personagem nas páginas dos jornais. O estudo toma como eixo analítico o caso de Nina Gualdi, poeta e escritora condenada por assassinar o ex-marido em Porto Alegre, em 1964. O episódio ocorreu nos primeiros meses do regime e foi amplamente explorado pela imprensa local, que oscilou entre narrativas de escândalo, tragédia familiar e julgamento moral da conduta feminina. Através da análise dos processos (crime, desquite e uma ação de alimentos), da imprensa, e das obras literárias de Nina, a pesquisa propõe compreender as tensas relações entre gênero, violência e ideais de justiça em um contexto de autoritarismo recente, no qual instituições formais do Estado de Direito, como o Tribunal do Júri, permaneceram em funcionamento. A análise destas fontes permite observar como categorias como honra, maternidade, desvio e responsabilidade penal apareceram na interpretação de crimes cometidos por mulheres concentrando-se nas decisões judiciais e nos enunciados produzidos em torno desses casos, que se organizam de acordo com as mudanças políticas e do pensamento social. O cotidiano urbano, neste contexto, com atenção a deslocamentos, trabalho, vida familiar e sexualidade feminina, constitui um dos elementos para compreender a vivência da criminalidade no período inicial da ditadura. A pesquisa dialoga com debates historiográficos sobre ditadura e sociedade civil, enfatizando que o regime não se sustentou apenas pela repressão direta, mas também pela incorporação e reprodução de valores morais compartilhados. O Tribunal do Júri, ao envolver cidadãos comuns no julgamento de crimes contra a vida, aparece como espaço privilegiado para observar essas negociações, evidenciando continuidades e rupturas nos ideais de justiça sob a ditadura. Ao focalizar a criminalidade feminina, o trabalho contribui para ampliar as discussões sobre história do crime, gênero e cultura política, propondo uma leitura que articula autoritarismo, cotidiano e emoções sociais. Utilizando os métodos micro históricos, a pesquisa busca compreender como a violência praticada pela "Poetisa da Carne" (apelido dado a Nina Gualdi pelos jornais) se insere em um panorama maior de redefinição profunda da ordem política e social no Brasil.
Título do Evento
V Simpósio Nacional de História do Crime
Cidade do Evento
Mossoró
Título dos Anais do Evento
Anais do Simpósio Nacional de História do Crime
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MORAES, Pedro Heineck. OS ANOS 60 DA POETISA DA CARNE: VIOLÊNCIA E CRIMINALIDADE FEMININA NO RIO GRANDE DO SUL.. In: Anais do Simpósio Nacional de História do Crime. Anais...Mossoró(RN) UERN, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/v-simposio-nacional-historia-do-crime/1455444-OS-ANOS-60-DA-POETISA-DA-CARNE--VIOLENCIA-E-CRIMINALIDADE-FEMININA-NO-RIO-GRANDE-DO-SUL. Acesso em: 10/08/2026

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