DE “CAIPIRA” A “DESCOLADO”: CAMINHOS EVOLUTIVOS DA SIGNIFICAÇÃO SOCIAL DE (-R) EM SÃO PAULO

Publicado em 09/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2260-6

Título do Trabalho
DE “CAIPIRA” A “DESCOLADO”: CAMINHOS EVOLUTIVOS DA SIGNIFICAÇÃO SOCIAL DE (-R) EM SÃO PAULO
Autores
  • Ronald Beline Mendes
Modalidade
Resumo
Área temática
Sociolinguística variacionista
Data de Publicação
09/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sociolinguisticas/1146207-de-caipira-a-descolado---caminhos-evolutivos-da-significacao-social-de-(-r)-em-sao-paulo
ISBN
978-65-272-2260-6
Palavras-Chave
percepção sociolinguística, coda (-r), São Paulo
Resumo
Esta apresentação discute respostas de 400+ ouvintes que participaram de um experimento de percepção sociolinguística com foco na pronúncia variável da coda (-r) em São Paulo. Após ouvir estímulos acústicos organizados conforme a técnica matched-guise, os ouvintes avaliaram quatro falantes paulistanos em um de dois disfarces possíveis: um enunciado com apenas a variante tepe ou a retroflexa. Além disso, os quatro falantes foram variavelmente apresentados aos ouvintes como paulistanos que moram no Itaim, na Vila Madalena, no Capão Redondo ou em Santa Cecília. Os dois primeiros estão entre os bairros centrais mais caros da capital. O terceiro é reconhecidamente periférico e seus habitantes desenvolvem um discurso de não pertencimento à cidade, por serem deixados “de fora” (Freitas, 2023). Já Santa Cecília é um bairro central em rápido processo de gentrificação. Os ouvintes descreveram suas imagens dos falantes por meio de cinco escalas (de nada a muito – “legal”, “escolarizado”, “masculino”, “inteligente” e “paulistano”) e de características discretas (“caipira”, “descolado”, “estiloso”, entre outras). Apresentam-se, aqui, análises das respostas dos ouvintes em quatro dessas características: “legal”, “paulistano”, “caipira” e “descolado”. Estudos de produção já mostraram que (-r) é um marcador regional brasileiro (Callou et al. 1996) e que, em São Paulo, a variante tepe é mais frequente. Na percepção, ambas as variantes podem indiciar significados sociais positivos na cidade (Oushiro, 2019), mas os paulistanos da periferia tendem a associar a retroflexa à noção de paulistanidade mais vezes, enquanto aqueles de áreas mais centrais tendem a ouvi-la como “caipira” ou “não urbana”. No presente experimento, contudo, quando os falantes foram apresentados aos ouvintes como moradores do Itaim ou da Vila Madalena, eles tenderam a ser percebidos como mais paulistanos, independentemente de seu disfarce (tepe ou retroflexo). Quando apresentados como do Capão Redondo, foram percebidos como menos paulistanos, também independentemente do disfarce. Entretanto, quando foram apresentados como paulistanos de Santa Cecília, dois deles foram percebidos como mais paulistanos no disfarce retroflexo. As respostas na escala “legal” não variam significativamente de acordo com (-r), com uma exceção: um dos falantes, quando apresentado como de Santa Cecília, foi percebido como “mais legal” no disfarce retroflexo. Adicionalmente, embora a característica “caipira” tenha sido assinalada mais vezes quando o estímulo ouvido continha a variante retroflexa, falantes identificados como de Santa Cecília e Vila Madalena foram ouvidos como mais “descolados” na variante retroflexa. Em conjunto, esses dados evidenciam evoluções na significação social da variante retroflexa em São Paulo. Se, por um lado, tal variante é mais frequente em bairros periféricos (relativamente aos mais centrais), por outro, os ouvintes dão mais importância à informação “bairro” do que à variante retroflexa em seus julgamentos de como soam os falantes, sugerindo que tal pronúncia parece ser, hoje, menos socialmente saliente do que já foi, na cidade. Além disso, em associação a Santa Cecília, o retroflexo leva falantes a serem percebidos como mais paulistanos e mais "descolados", o que também mostra que a valoração social do retroflexo está mudando em São Paulo. Referências Callou, D.; Moraes, J.; Leite, Y. (1996) Variação e diferenciação dialetal: a pronúncia do /r/ no português do Brasil. Gramática do português falado, vol. VI. Campinas: Editora da Unicamp, 1996. Freitas, M. (2023). “Da ponte pra cá”: Variação linguística e significado social no extremo da Zona Sul de São Paulo. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo. Oushiro, Livia (2019). A computational approach for modeling the indexical field. Revista de Estudos da Linguagem 27(4): 1731-1786.
Título do Evento
Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces
Cidade do Evento
João Pessoa
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MENDES, Ronald Beline. DE “CAIPIRA” A “DESCOLADO”: CAMINHOS EVOLUTIVOS DA SIGNIFICAÇÃO SOCIAL DE (-R) EM SÃO PAULO.. In: Anais do Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces. Anais...João Pessoa(PB) UFPB, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sociolinguisticas/1146207-DE-CAIPIRA-A-DESCOLADO---CAMINHOS-EVOLUTIVOS-DA-SIGNIFICACAO-SOCIAL-DE-(-R)-EM-SAO-PAULO. Acesso em: 27/05/2026

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