VARIAÇÃO LÉXICO-SINTÁTICA EM ESTRATÉGIAS DE ARTICULAÇÃO ORACIONAL PRODUZIDAS POR ESTUDANTES DO ENSINO BÁSICO E SUPERIOR

Publicado em 09/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2260-6

Título do Trabalho
VARIAÇÃO LÉXICO-SINTÁTICA EM ESTRATÉGIAS DE ARTICULAÇÃO ORACIONAL PRODUZIDAS POR ESTUDANTES DO ENSINO BÁSICO E SUPERIOR
Autores
  • Juanito Ornelas de Avelar
  • Rômulo Tiago da Silva
Modalidade
Resumo
Área temática
Sociolinguística Educacional
Data de Publicação
09/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sociolinguisticas/1144383-variacao-lexico-sintatica-em-estrategias-de-articulacao-oracional-produzidas-por-estudantes-do-ensino-basico-e-s
ISBN
978-65-272-2260-6
Palavras-Chave
variação, articulação oracional, escolarização
Resumo
O trabalho apresenta um estudo em andamento sobre a variação léxico-sintática em estratégias de articulação oracional empregadas por estudantes dos níveis fundamental, médio e superior na organização de períodos compostos. O objetivo é identificar quais estratégias são comuns entre os três níveis de escolaridade e quais são mais específicas de cada grupo, visando propor abordagens didáticas mais produtivas voltadas à análise sintática no contexto escolar. Para autores como Hunt (1970), o emprego mais recorrente da subordinação, em vez da coordenação, na produção de períodos compostos caracteriza escritas consideradas “maduras”, enquanto o oposto é uma marca de escritas mais “imaturas”, comuns entre indivíduos em processo de aquisição da escrita. Tendo em vista essa hipótese, exploraremos a proposta de Kato (2005), segundo a qual algumas construções sintáticas comuns na escrita padrão não resultam do processo de aquisição natural da língua, mas são aprendidas tardiamente (por exemplo, via escolarização), o que aproxima o aprendizado da escrita à aquisição de uma L2. Dessa perspectiva, é plausível considerar que algumas estratégias de articulação oracional empregadas pelos estudantes em suas produções textuais resultam da aquisição natural do português, enquanto outras emergem apenas com o aprendizado da língua escrita. Até o momento, analisamos cerca de 1600 respostas oferecidas por 115 estudantes dos três níveis em instituições públicas de ensino nos municípios de Parobé (RS) e Campinas (SP), durante atividades discursivamente contextualizadas para articular orações por meio de itens conectivos. Os resultados preliminares vêm revelando que: (i) a seleção de conectivos pela maioria dos estudantes do ensino básico indica dificuldades para reconhecer valores semântico-discursivos como concessão, temporalidade e finalidade em orações subordinadas adverbiais, que acabam sendo tratadas como orações independentes ou coordenadas, sinalizando, à luz de Hunt, uma escrita com perfil mais “imaturo”; (ii) na articulação de orações relativas, apenas estudantes do ensino superior empregam tanto pronomes relativos antecedidos de preposição quanto a versão genitiva (cujo) desses pronomes, o que mostra uma baixa familiaridade, entre os estudantes do básico, com orações relativas padrão; (iii) nos contextos em que há a possibilidade de inserir tanto um conectivo subordinativo quanto um coordenativo, a maioria dos estudantes opta pelo coordenativo, o que revela uma preferência generalizada por estratégias de articulação menos complexas, independentemente do nível de escolarização; (iv) as estratégias que se mostram mais estáveis entre os três grupos vêm sendo o uso das conjunções “que” e “se” em orações completivas e do pronome relativo “que” em orações relativas, sugerindo que essas formas de articulação oracional são naturalmente internalizadas no processo de aquisição natural da língua e, por isso, sua ocorrência independe do nível de escolarização; (v) cerca de 40% das estratégias utilizadas por estudantes do ensino básico resultam em agramaticalidade (índice que não ultrapassa o valor de 10% entre os universitários), o que talvez esteja relacionado a dificuldades, como a listada em (i), para reconhecer e produzir certas estruturas de subordinação. Esses resultados preliminares indicam, como esperado, que os universitários estão mais próximos da escrita considerada “madura”, segundo os critérios de Hunt, em comparação com estudantes do ensino fundamental e médio, o que provavelmente se deve a uma maior exposição à escrita padrão. Entretanto, estratégias desabonadas pela norma padrão também são empregadas pelos universitários, possivelmente por terem sido adquiridas no processo natural de aquisição da língua e serem usuais no vernáculo. Os resultados também sugerem que, em vez de priorizar exercícios de classificação dos diferentes tipos oracionais, é mais produtivo desenvolver procedimentos didáticos que possibilitem aos alunos internalizarem as estratégias de articulação oracional com as quais ainda não estão familiarizados para que possam reconhecê-las e produzi-las de forma criativa e eficaz em práticas de leitura, escrita e análise linguística.
Título do Evento
Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces
Cidade do Evento
João Pessoa
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

AVELAR, Juanito Ornelas de; SILVA, Rômulo Tiago da. VARIAÇÃO LÉXICO-SINTÁTICA EM ESTRATÉGIAS DE ARTICULAÇÃO ORACIONAL PRODUZIDAS POR ESTUDANTES DO ENSINO BÁSICO E SUPERIOR.. In: Anais do Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces. Anais...João Pessoa(PB) UFPB, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sociolinguisticas/1144383-VARIACAO-LEXICO-SINTATICA-EM-ESTRATEGIAS-DE-ARTICULACAO-ORACIONAL-PRODUZIDAS-POR-ESTUDANTES-DO-ENSINO-BASICO-E-S. Acesso em: 27/05/2026

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