PERCEPÇÃO DO FALAR MACAUBENSE: O PAPEL DA (NÃO) PALATALIZAÇÃO

Publicado em 09/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2260-6

Título do Trabalho
PERCEPÇÃO DO FALAR MACAUBENSE: O PAPEL DA (NÃO) PALATALIZAÇÃO
Autores
  • Sidélia Rêgo Reis
  • Vera Pacheco
Modalidade
Resumo
Área temática
Sociolinguística variacionista
Data de Publicação
09/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sociolinguisticas/1144298-percepcao-do-falar-macaubense--o-papel-da-(nao)-palatalizacao
ISBN
978-65-272-2260-6
Palavras-Chave
(Não) Palatalização, Percepção, Macaúbas, Reconhecimento.
Resumo
A linguagem é uma ferramenta essencial para o ser humano, pois é por meio dela que a interação social se estabelece. Dentre as formas de expressão linguística, a fala ocupa um lugar central, por ser o meio mais imediato de comunicação. Nesse processo, o português brasileiro apresenta fenômenos linguísticos que se manifestam de diferentes formas, a depender da região, do contexto e dos falantes. Ou seja, os usuários da língua constroem significados a partir de uma variedade de realizações fonéticas. É nesse cenário que se insere a comunidade de Macaúbas, município do interior da Bahia, que se destaca pela realização variável das oclusivas alveolares — ora palatalizadas, ora não palatalizadas — diante da vogal [i] (Reis; Pacheco, 2023). Neste trabalho, objetivamls investigar qual é o papel da (não)palatalização das oclusivas alveolares no processo de auto percepção linguística dos macaubenses. A pergunta central que norteou o estudo foi: qual das variantes — palatalizada ou não palatalizada — favorece o reconhecimento do macaubense como traço característico de seu modo de falar? A hipótese levantada é que a forma não palatalizada é aquela que leva o falante a se reconhecer linguisticamente. Para tanto, selecionamos palavras com consoantes oclusivas nesse contexto fonético para a montagem de frases-veículo e, posteriormente, realizamos as gravações em cabine acústica. A análise dos parâmetros acústicos foi feita por meio do software Praat, com o objetivo de observar, de forma sistemática, como se manifestam as variantes fonéticas na fala dos participantes e como essas variantes são percebidas pelos próprios falantes da comunidade. Este estudo se ancora teoricamente na Sociolinguística Variacionista, proposta por William Labov, que enfatiza a importância de analisar a língua em uso, considerando fatores sociais que influenciam as variações linguísticas. Segundo Labov (\[1972] 2008, p. 259), o novo modo de fazer linguística consiste em estudar empiricamente as comunidades de fala, observando como a variação linguística se manifesta em contextos reais. Além disso, inscreve-se no campo da Sociofonética, que investiga a interface entre aspectos fonéticos e sociais da linguagem. Labov (2006, p. 500) define esse escopo como o estudo da sensibilidade de falantes e ouvintes para o contexto social no qual a língua é produzida e percebida. Na etapa de percepção, foi aplicada uma tarefa com juízes linguísticos compostos exclusivamente por jovens residentes na zona urbana de Macaúbas. A escolha desse recorte se justifica pela intenção de observar como a juventude urbana, exposta a múltiplas influências linguísticas e socioculturais, reconhece (ou não) traços fonéticos como marcadores identitários. Nossos resultados mostram que, embora a variante não palatalizada seja recorrente na fala cotidiana macaubense, os juízes participantes tendem a reconhecer a forma palatalizada como representativa de sua comunidade linguística. Esse contraste entre uso e percepção revela um aspecto relevante das representações sociais da linguagem: a valorização simbólica de uma variante pode não coincidir com sua frequência real de uso, especialmente entre os grupos mais jovens e urbanos.
Título do Evento
Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces
Cidade do Evento
João Pessoa
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

REIS, Sidélia Rêgo; PACHECO, Vera. PERCEPÇÃO DO FALAR MACAUBENSE: O PAPEL DA (NÃO) PALATALIZAÇÃO.. In: Anais do Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces. Anais...João Pessoa(PB) UFPB, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sociolinguisticas/1144298-PERCEPCAO-DO-FALAR-MACAUBENSE--O-PAPEL-DA-(NAO)-PALATALIZACAO. Acesso em: 23/04/2026

Trabalho

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