O USO DO PRONOME QUE POR MISSIVISTAS BRASILEIROS DOS SÉCULOS XIX E XX

Publicado em 09/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2260-6

Título do Trabalho
O USO DO PRONOME QUE POR MISSIVISTAS BRASILEIROS DOS SÉCULOS XIX E XX
Autores
  • Pamela Ramos Barbosa
Modalidade
Resumo
Área temática
Sociolinguística Paramétrica
Data de Publicação
09/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sociolinguisticas/1144227-o-uso-do-pronome-que-por-missivistas-brasileiros-dos-seculos-xix-e-xx
ISBN
978-65-272-2260-6
Palavras-Chave
Sociolinguística Paramétrica, Português Brasileiro, Linguística Histórica
Resumo
Neste trabalho, analisamos as estratégias de relativização em um corpus de cartas pessoais de missivistas brasileiros nascidos entre os séculos XIX e XX, no intuito de verificar a implementação do pronome que como um relativo universal. Diversos estudos a respeito das estratégias de relativização no Português Brasileiro atual apontam a preferência pelo uso de relativas cortadoras e copiadoras pelos falantes nativos da língua (Longo, Souza e Michelin, 1994; Oliveira, 2007; Oliveira-Codinhoto, 2016). Do ponto de vista diacrônico, ao atestar o surgimento de uma gramática propriamente brasileira distinta da portuguesa no século XX, Tarallo (1993) apresenta quatro grandes mudanças sintáticas no Português Brasileiro oriundas da reorganização do sistema pronominal: (i) a preferência por sujeitos plenos e (ii) por objetos nulos; (iii) a mudança sintática nas estratégias de relativização e (iv) a reorganização dos padrões sentenciais básicos com a implementação de uma ordem SV rígida e VS restrita, com mudança nas interrogativas (Tarallo, 1983, 1985; Berlink, 1989; Ramos, 1991). Quanto às estratégias de relativização, Tarallo (1993) argumenta que isso acontece devido às diferenças quanto às regras de movimento ou de apagamento na derivação de certas estruturas no PB e no Português Europeu (PE). Enquanto o PE é fortemente marcado por regras de movimento, ou seja, a estratégia de piedpipping, o PB tende ao apagamento de constituintes in situ. Essa regra de apagamento do PB, até então restrita a sujeitos e a objetos diretos, passa a atingir posições mais baixas, como os sintagmas preposicionais. Sendo assim, entendemos que as estratégias de relativização espelham o fenômeno de apagamento que acontece na pronominalização. É nesse contexto que as relativas cortadoras e copiadoras começam a substituir as relativas padrão preposicionadas (piedpiping) no Português Brasileiro, resultando no processo de gramaticalização do que como relativo universal. Porém, apesar de algumas exceções, como o próprio Tarallo (1983), nos deparamos com uma lacuna nos estudos diacrônicos de estratégias de relativização de fundamentação gerativista. Assim, visamos uma análise das estratégias de relativização em uma amostra de cartas pessoais escritas por brasileiros ilustres e não ilustres nascidos ao longo do séculos XIX e XX, que compõem o Corpus de História da Língua Portuguesa - Corpus HistLing (https://histling.letras.ufrj.br/index.php/corpus). Este trabalho se insere no quadro teórico da Sociolinguística Paramétrica (Tarallo, 1987, que associa os pressupostos teóricos do Gerativismo (Chomsky, 1981) e da Teoria de Variação e Mudança (Weinreich, Labov & Herzog, 2006 [1968]). Nossa hipótese é de que o fenômeno da gramaticalização do que como relativo universal como consequência da substituição das relativas piedpiping por cortadoras e copiadoras se repetirá nas cartas pessoais aqui analisadas. Além disso, se entendemos que este fenômeno espelha o fenômeno de apagamento na pronominalização, esperamos encontrar neste mesmo corpus a mesma diferença entre as gramáticas de missivistas ilustres e não ilustres. Isto é, suspeitamos que as cartas desse segundo grupo apresentarão uma porcentagem ainda maior do pronome relativo que. Por fim, esperamos contribuir para um panorama mais completo da mudança linguística no PB, a partir da expansão do corpus diacrônico estudado.
Título do Evento
Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces
Cidade do Evento
João Pessoa
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BARBOSA, Pamela Ramos. O USO DO PRONOME QUE POR MISSIVISTAS BRASILEIROS DOS SÉCULOS XIX E XX.. In: Anais do Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces. Anais...João Pessoa(PB) UFPB, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sociolinguisticas/1144227-O-USO-DO-PRONOME-QUE-POR-MISSIVISTAS-BRASILEIROS-DOS-SECULOS-XIX-E-XX. Acesso em: 27/05/2026

Trabalho

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